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O Que o Vencedor do BBB Deve Fazer com o Prêmio de R$ 5,44 Milhões

Premiação exige mudança de mentalidade: em vez de pensar em salário, é preciso tratar da gestão do patrimônio

5 min

Começou nesta segunda-feira (12) a 26ª edição do Big Brother Brasil (BBB). Com 22 participantes, com idades entre 21 e 68 anos, formações e profissões variadas, o reality show movimenta centenas de milhões em receitas publicitárias e é um fenômeno de audiência.

Além da notoriedade, o vencedor (ou vencedora) terá direito a um prêmio de R$ 5,44 milhões. A estimativa inicial era de R$ 3 milhões, mas o valor foi quase duplicado no fim da tarde da terça-feira (13). É o maior prêmio da história do reality. Para comparar, os R$ 500 mil que Kleber Bam Bam, vencedor da primeira temporada em abril de 2002 valeriam hoje pouco mais de R$ 2 milhões, menos da metade do valor anunciado.

O que fazer com esse dinheiro? Segundo os especialistas, a vitória no Big Brother Brasil muda a vida do premiado. Para tornar as decisões ainda mais difíceis, esse prêmio chega de uma vez, não se repete e precisa sustentar escolhas por muitos anos.

A primeira mudança é mental. O depósito de R$ 3 milhões não pode ser tratado como uma renda recorrente. “É um evento único, que não vai se repetir. O maior risco não é ganhar pouco, é perder muito”, afirma Ângelo Belitardo, da gestora de recursos Hike Capital.

Para ele, a função do prêmio é garantir estabilidade financeira enquanto a nova fase profissional se organiza. Além do prêmio em dinheiro, a vitória no reality show garante um valor menos tangível: a celebridade. “O prêmio chega sem manual de instruções, em um momento de alta exposição pública e inúmeras oportunidades imediatas”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “O vencedor estará diante de convites comerciais, projetos de imagem e terá de tomar decisões rápidas.”

Para os especialistas, o principal desafio é evitar erros nos primeiros meses. “O vencedor deixa de pensar em renda e passa a lidar com gestão de patrimônio”, diz Gustavo Assis, CEO da Asset Bank. “Muitos erram ao tomar decisões impulsivas ou concentrar recursos sem estratégia.”

Nesse contexto, guardar dinheiro é prioridade. “Sugerimos separar, no mínimo, o equivalente a três anos do custo de vida, que são os gastos mensais”, diz Juliana Schuery, da empresa de administração de patrimônio Alocc. A conta é simples: calcular quanto se gasta por mês e multiplicar o valor por 36. Essa reserva funciona como um colchão financeiro. “Ela precisa estar em renda fixa com liquidez, sem risco de crédito”, afirma Schuery. A recomendação é evitar produtos que prometem ganhos maiores, mas travam o dinheiro até o vencimento.

Foco na renda fixa

Com a mentalidade ajustada, o foco passa para as alocações. O cenário de juros elevados no Brasil ao longo de 2026 favorece a renda fixa. “A Selic ainda deve estar próxima de 15% quando o vencedor receber o prêmio”, diz Daniel Teles, da Valor Investimentos. Para ele, a reserva inicial deve estar nesse tipo de ativo.

No curto prazo, predominam instrumentos atrelados ao CDI e títulos públicos. “Fundos DI, CDBs de grandes bancos e contas remuneradas fazem sentido”, afirma Belitardo. O objetivo é segurança, liquidez e proteção contra erros.

No médio prazo, a carteira começa a se diversificar. Teles aponta títulos indexados à inflação como alternativa. “As NTN B rendem bem em horizontes de cinco a sete anos, protegem o patrimônio e pagam juro real”, diz. Schuery acrescenta fundos multimercado e parte da renda variável como componentes dessa fase.

A lógica, segundo os especialistas, é combinar classes diferentes de ativos financeiros. “Sempre devemos alocar em renda fixa, multimercado e ações”, afirma Schuery. Ela ressalta que essas classes não se encaixam de forma rígida em prazos. Há renda fixa de longo prazo e ações que podem maturar no médio prazo.

Para Lima, o objetivo de investimento em prazos mais longos, como cinco ou dez anos, é criar renda recorrente. “A meta é reduzir a dependência da visibilidade do programa”, diz. Ele cita fundos de crédito estruturado, FIDCs e fundos imobiliários como fontes de fluxo previsível. A renda variável entra como motor de crescimento no longo prazo.

Belitardo defende uma alocação conservadora nessa fase. “Algo entre 10% e 15% em ações, com foco em empresas grandes e pagadoras de dividendos”, afirma. O restante ficaria em renda fixa e crédito de baixa volatilidade, criando um “salário financeiro”.

Prazos mais longos

No longo prazo, a estratégia evolui. A exposição a ações pode crescer de forma gradual, inclusive no exterior. “Uma carteira desse tamanho precisa ser internacionalizada”, diz Teles, da Valor. Para ele, a diversificação reduz riscos ligados a inflação, juros e dólar. Lima acrescenta imóveis geradores de renda e participação em negócios como instrumentos de consolidação patrimonial.

Para Assis, da Asset Bank, o horizonte final é patrimonial e não apenas financeiro. “Em dez anos, o objetivo é transformar o prêmio em patrimônio geracional”, afirma. Isso envolve governança, planejamento sucessório e eficiência fiscal.

Em comum, os especialistas concordam que o prêmio do BBB não compra independência financeira. Ela depende de disciplina, diversificação e tempo. O dinheiro chega rápido. Evitar que ele vá embora igualmente depressa exige estratégia.

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