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As Maiores Tendências em Wealth Management para 2026

A Forbes Brasil consultou grandes family offices brasileiros para traçar um perfil de atuação para os próximos meses

6 min

O segmento de gestão de patrimônio no Brasil e no mundo, composto por family offices, assessorias de investimento e a área dos bancos que atendem clientes private, deve continuar navegando em meio a um cenário complexo em 2026.

O aumento de incertezas geopolíticas globais e um ano eleitoral no Brasil, bem como a entrada em vigor de novas regras tributárias sobre investimentos, exigem que os escritórios de wealth management ganhem escala para se manterem competitivos no mercado.

Por isso, quando perguntados sobre quais são as principais tendências para este ano, executivos de grandes family offices brasileiros dão destaque para o gerenciamento de risco do portfólio, com olhar forte para aplicações no exterior; investimentos pesados em tecnologia, que podem trazer eficiência; e mais serviços acessórios, com visão menos estática e mais dinâmica.

Em um segmento competitivo e com clientes exigentes, a consolidação, que já aconteceu com mais força entre as gestoras de fundos brasileiras, também é uma realidade. Cada vez mais grupos — nacionais e estrangeiros — veem aquisições como algo essencial para sobreviver no mercado.

Veja abaixo as principais tendências no segmento de gestão de patrimônio para 2026, segundo grandes casas, como Tori, Azimut, Santander e Mirabaud. Juntas elas administram dezenas de bilhões de reais.

Mais serviços

Gestoras de patrimônio devem oferecer cada vez mais serviços, de forma a não destacar apenas retorno financeiro, mas sim uma carteira de soluções que permita à casa ter 100% do portfólio do cliente.

É um movimento que já vinha sendo visto lá fora e acontece agora no Brasil por uma mudança no comportamento do investidor. “O quanto a carteira rendeu é um dos assuntos do cliente no exterior, e não o principal. Aqui no Brasil era um assunto único. Lá fora os clientes querem saber quais são as melhores estruturas fiscais e sucessórias e como gerir sua carteira de imóveis”, diz Arthur Melo, sócio na Tori Investimentos.

Um dos motivos para essa tendência é o aumento de mudanças tributárias nos últimos anos no Brasil. Como resultado, o aconselhamento tributário ganhou outro tamanho, o que exige que as casas ampliem parcerias, passem a ter uma visão mais dinâmica sobre o serviço e precisem ter uma visão completa da carteira, de forma a ganhar mais eficiência fiscal.

“Não adianta ver uma fatia da riqueza diante de regras como a da tributação de dividendos, na qual o cliente tende a pagar mais impostos conforme o volume alocado”, diz o diretor de investimentos da gestora de patrimônio suíça Mirabaud no Brasil, Eric Hatisuka.

Transparência total

No ano passado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançou na regulação sobre transparência de taxas cobradas por consultores de investimentos, respondendo a uma demanda crescente de investidores após uma série de eventos no mercado, de falências a fraudes, afetar patrimônios pelo país. Nesse cenário, o segmento vem reforçando esse valor como um diferencial competitivo.

O family office do Santander vem realizando desde o início do ano passado uma reestruturação da sua marca de wealth management, que passará a se chamar Beyond Wealth. O objetivo é tangibilizar a independência de sua unidade de private banking, que é focado na distribuição de produtos do banco e tem uma gestora própria.

“Sempre foi um valor nosso não receber taxas fora do valor fixo que cobramos do nosso clientes. E nem conseguiríamos, pois hoje a regulação brasileira é rígida. Por isso, optamos por traduzir esse valor em nossa marca”, diz Daniel Castilho de Oliveira, diretor do family office do Santander.

A gestão de patrimônio reflete uma história de vida e tem a confiança como base. Com a cobrança de taxas fixas recorrentes, é necessário destacar a acionistas que uma relação transparente é duradoura e que o retorno virá no longo prazo.

Investimentos no exterior vira necessidade

Famílias mais globais e o déficit fiscal cada vez maior do governo brasileiro vêm ampliando a necessidade que gestoras de patrimônio brasileiras ofereçam investimentos lá fora, o que favorece grandes grupos globais, que já têm estruturas que permitem distribuir aplicações no exterior com facilidade.

Apesar da bolsa brasileira estar em suas máximas históricas, ela ainda está 30% abaixo do seu pico de 2008 quando ajustada pela inflação. Além disso, muitas empresas locais estão optando por abrir capital lá fora, o que guia o interesse de clientes para o exterior. Na outra ponta, também existem diversas opções de investimento em empresas capital fechado, que têm um histórico de oferecer melhor rentabilidade do que mercados abertos, mas menor liquidez.

“Antes era só o câmbio que contava. Hoje, é sobrevivência: você precisa aplicar lá fora para ter mais rendimento”, diz o diretor de investimentos da Mirabaud.

O Santander é um exemplo dessa tendência. Além de mudar a marca do seu family office, sua operação se tornará global, o que facilitará a distribuição de investimentos de outros países para clientes brasileiros. Cada unidade responderá a um executivo local e global.

“É recorrente que filhos de clientes more em outros países, vira cidadão fiscal lá e precise ser atendido regionalmente”, diz Castilho, diretor do family office do banco espanhol.

Investimento em tecnologia

Os family offices brasileiros vão continuar a investir em inteligência artificial (IA). O resultado? Aceleração de leitura de análises, geração de relatórios e organização de uma quantidade cada vez maior de informações.

A tecnologia pode ajudar a escalar o negócio, trazer inteligência em investimentos e é norteada pela capacidade de extrair informações importantes e rápidas. “O objetivo é que o sistema nos dê bons conselhos e permita realizar análises com precisão e rapidez, mas não substituam a nossa inteligência”, diz Wilson Barcelos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management.

Ainda que dê poder de fogo a family offices menores, estas casas ainda enfrentam desafios, como estruturar as ferramentas de IA de forma a resguardar dados dos clientes.

Consolidação

Competição com grupos globais, casas menores especializadas e mais produtivas com o uso de tecnologia e o cenário de juros altos, que estrangula financeiramente casas menores, gera oportunidade para grandes grupos expandirem sua atuação no mercado por meio de aquisições.

Essa consolidação de family offices é uma maneira de oferecer mais serviços acessórios, adquirir capital humano qualificado com expertises específicas, ter acesso a estruturas de investimentos internacionais e sistemas mais robustos de tecnologia. “É cada vez mais difícil um family office conseguir escala sozinho. Se juntar a um grupo maior se torna um caminho viável”, diz Castilho, do Santander.

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