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Cenários
A reação inicial dos mercados ao sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, realizado por tropas americanas em Caracas na madrugada do sábado (3), está sendo fraca.
A perspectiva do ponto de vista dos investidores é que o ocorrido na Venezuela terá pouca importância imediata sobre os preços dos ativos, mas pode exercer uma influência maior no médio prazo por elevar o risco geopolítico global.
Até agora, o maior impacto foi nos preços do ouro, que subiram 2% em Londres para US$ 4.419 por onça-troy. No entanto, os preços do petróleo – principal produto da Venezuela, responsável por 1% da oferta mundial – seguem estáveis. O contrato futuro de fevereiro do barril de petróleo do tipo Brent, referência para a Petrobras, está estável em US$ 60,70, queda de 0,08%.
Os contratos futuros dos principais índices acionários americanos estão com leves altas no pré-mercado, e o índice de volatilidade VIX está em 15,16 pontos, alta de 4,48%, mas abaixo dos cerca de 26 pontos no fim de novembro.
A maior dúvida no mercado é o que ocorrerá com o petróleo. Neste momento os preços estão em baixa porque a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vem mantendo a oferta elevada. Prova disso é que não ocorreu o fenômeno de inversão da curva de preços, quando o petróleo no mercado à vista fica mais caro do que no mercado futuro.
As declarações iniciais de Marco Rubio, secretário de Estado americano, foram de que as exportações venezuelanas poderiam ser embargadas como instrumento de coerção do novo governo, em vez de uma ocupação militar americana. No entanto, a ex-vice-presidente Delcy Rodriguez, que foi empossada por 90 dias na presidência, já assumiu um tom conciliador, o que pode reduzir a probabilidade de problemas na oferta.
Perspectivas
A principal incógnita é o risco geopolítico: se o que ocorreu na Venezuela mudará o comportamento das autoridades em outras partes do mundo. A Venezuela colocou a América Latina como uma região de tensão, como Ucrânia, Oriente Médio e a sempre tensa relação entre China e Taiwan.
Os investidores ainda vão avaliar se esse episódio mudará as ações de outras grandes potências. Por enquanto, a percepção é que o sequestro de Maduro é um choque tático, e não como uma mudança de regime, o que não indica uma reação intensa nos mercados.
Indicadores
- Brasil
Relatório Focus
Balança comercial (Dez)
Esperado: + US$ 6,39 bilhões
Anterior: + US$ 5,84 bilhões
- Estados Unidos
PMI Industrial ISM (Dez)
Esperado: 48,3
Anterior: 48,2