1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Como os Fundos Estão Posicionados Diante dos Recordes da Bolsa e Derretimento do Dólar
Forbes Money

Como os Fundos Estão Posicionados Diante dos Recordes da Bolsa e Derretimento do Dólar

Gestoras do Santander, Legacy Capital e Arx apontam suas visões para ações, renda fixa, crédito privado e investimento lá fora

8 min

As grandes gestoras de investimento do país são um bom norte para o investidor que tem dúvidas sobre onde aplicar neste ano. Diante dos recordes da bolsa e derretimento do dólar registrados no ano passado, as casas entram neste ano otimistas com a maior parte dos ativos.

Legacy, Santander e Arx, as casas ouvidas pela Forbes, não acreditam que a alta da bolsa deve parar por aqui. O fluxo de investimentos no exterior, que já se mostrou mais forte no início deste ano do que no ano todo de 2025, deve continuar chegando. Esse dinheiro, em conjunto com o iminente ciclo de corte de juros, devem dar novo fôlego às ações brasileiras.

A ARX está construtiva com ações brasileiras, apoiada em depreciação estrutural do dólar, queda de juros no Brasil, subalocação histórica em renda variável e lucros corporativos resilientes, explica Alexandre Sant’Anna, gestor de renda variável da casa. “A volatilidade eleitoral deve existir, mas mesmo em um cenário de reeleição do presidente Lula a queda pode ser limitada se o cenário externo for favorável”.

No campo da renda fixa, o apetite segue alto. Afinal, ainda que os juros caiam para 12,25% ao ano, que é a previsão da maior parte do mercado, o nível ainda é muito alto para ser ignorado. A escolha é: mais títulos prefixados, para travar os juros em 15% antes que diminua, e menos títulos atrelados à inflação.

A visão do Santander está positiva para a renda fixa, mesmo após o forte movimento de alta dos juros, porque enxerga prêmio real elevado (IPCA + 7%), mercado já precificando cortes entre 2 e 3,5 pontos percentuais, além de espaço para ganho adicional se o ciclo de cortes for maior ou mais rápido. “A tese central é que, com a queda dos juros, há potencial relevante de valorização dos títulos”, diz Diana Briceño, portfolio specialist da gestora do Santander.

Já no crédito privado o clima é de cautela. Diante de eventos recentes, como os títulos da Ambipar, que foram rebaixados de forma intensa de BB- (grau especulativo) para D (calote), e da Braskem, que teve vários episódios de rebaixamento de rating no ano passado e neste ano, as gestoras estão mais seletivas e preferindo empresas com alta geração de caixa.

Na Legacy, o foco tem sido evitar armadilhas, mantendo exposição irrisória ou inexistente em nomes problemáticos, diz Leonardo Ono, diretor da área de crédito da casa. “Casos como Ambipar, Braskem e AgroGalaxy tiveram impacto muito limitado em nossos fundos. Braskem representava apenas 0,5% do total”.

Por fim, quando o assunto é investimento no exterior, a visão é levemente positiva. A preferência é por aplicações em setores inexistentes no país, diante do bom momento da bolsa brasileira.

Veja abaixo a visão de cada casa sobre as principais classes de investimento:

Legacy

Renda fixa: Positiva

A casa acredita que o BC vai cortar mais os juros do que o mercado espera, pois a atividade e inflação podem surpreender para baixo. Neste cenário, prefere aplicar em juros nominal, mas gosta de juros reais também. Acredita que o Tesouro IPCA+ é o melhor ativo ajustado ao risco.

Crédito privado: Neutra

Além de diversificar bastante a carteiras (a gestora tem cerca de 50 títulos por fundo), a casa evita setores mais cíclicos, como o agronegócio (após identificar fragilidade nas recuperações judiciais), varejo (que considera dependente de renda e concorrência intensa de Mercado Livre, Amazon, Shein), saúde (após caso Oncoclínicas), e construção civil. A preferência é por títulos de alta qualidade de crédito emitidos por empresas de setores mais resilientes, como infraestrutura, energia, saneamento, rodovias e telecom.

Ações: Neutra

A Legacy acredita que o investidor tem “muito mais” a ganhar aplicando no Tesouro IPCA+ do que na bolsa, que já andou muito por conta do fluxo de investidores estrangeiros. Ainda que esse caminhão de dinheiro continue a chegar, a próxima pernada da bolsa dependerá mais de fundos brasileiros ou da pessoa física, e os gestores têm dificuldade em ver esses dois investidores sendo atraídos para o ativo no curto prazo dado o nível de ganho que ainda conseguem nos títulos do Tesouro IPCA+, mesmo com o corte nos juros.

Exterior: Positiva

Com o emprego americano desacelerando, a gestora posicionada para ganhar se os juros nos EUA caírem, pois acredita que o ciclo de cortes será maior do que o previsto. Esse cenário poderia ser bom para a bolsa americana, mas há riscos e a gestora prefere ser seletiva, preferindo setores como infraestrutura tecnológica e nomes como TSMC e Nvidia. Também gostam de teses de longo prazo, como a do urânio, principal matéria prima para energia limpa no mundo. A preferência é por uma cesta de grande mineradoras nos EUA e Europa, na qual já investem há dois anos. Por fim, a gestora está posicionada para ganhar caso o preço do ouro suba. Para a Legacy, o ouro é a única reserva de valor na qual questões fiscais não podem desvalorizá-la, diferente de todas as moedas. Por fim, a Legacy está posicionada para ganhar se o dólar cair.

Santander

Renda fixa: Positiva

Em um ambiente de queda dos juros, a gestor prefere prefixado do que títulos Tesouro IPCA+, mas não deixou de tê-los na carteira, pois os considera uma boa proteção em um cenário de nível de juros alto e queda da inflação.

Crédito privado: Neutra

Após muita análise a gestora preferiu colocar na carteira papéis mais seguros, triple A ou no mínimo AA+ pertencentes a bancos de grande ou médio porte, com seletividade. Também preferem debêntures do setor de utilities e energia elétrica, que são ótimos geradoras de caixa e, portanto, a probabilidade de não pagamento é bem baixa.

Ações: Positiva

A gestora espera que entre mais fluxo de investimentos do exterior no Brasil neste ano, em um movimento de recalibração de posições. Esse cenário tem potencial para ter aumento das posições em bolsa. A casa vê potencial de maior valorização no setor de commodities e bancos. Também estão de olhos em empresas que são boas geradoras de caixa, mais estáveis e se beneficiam do corte de juros.

Exterior: Levemente positiva

A casa prefere evitar Europa, que apesar de ter crescido no ano passado não tem projeção de crescer neste ano. Já nos EUA e na China veem crescimento e boas historias, mas preferem EUA por ser yum mercado mais acessível. O foco é complementar os investimentos no Brasil. Portanto, as áreas preferidas são biotecnologia, tecnologia e setor imobiliário. Também investem em fundo de índice de países emergentes, como China e Índia.

Arx

Crédito privado: Neutra

Equilíbrio de preços é frágil, o que pode gerar volatilidade nos prêmios dos títulos (compensação pelo risco de crédito). Nesse ambiente, priorizam setores seguros e líquidos, como o bancário, com foco em alocações de curto prazo e títulos de maior qualidade de crédito. Já em debêntures incentivadas os prêmios atuais oferecem em geral uma boa relação risco-retorno, mas há impacto no setor elétrico do corte ou limitação da geração de energia por decisão do operador do sistema, geralmente por excesso de oferta ou restrições técnicas, e desafios no setor de telecomunicações devido à forte concorrência.

Ações: Positiva

A ARX não é indexada ao Ibovespa e tem alocações específicas. Sua principal tese e o setor de varejo, no qual tem posição relativa relevante. Investe em nomes como Lojas Renner, Assaí e Azzas. Já em bancos tem posição absoluta relevante, com destaque para Bradesco, acreditando em melhora operacional e avanço estrutural da instituição financeira. Veem uma assimetria positiva no setor elétrico, em nomes como Copel e Auren Energia: acreditam que o preço de energia deve subir e são empresas defensivas. Por fim, têm posição relevante em telefonia, setor que consideram com geração estável de caixa e potencial de reprecificação.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.