O núcleo da inflação nos Estados Unidos acelerou mais do que o esperado em dezembro, e os sinais apontam para um aumento ainda maior em janeiro, o que reforçaria as expectativas de que o Federal Reserve não reduzirá a taxa de juros antes de junho.
O índice PCE excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia subiu 0,4% em dezembro, após avanço não revisado de 0,2% em novembro, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio nesta sexta-feira.
Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4% no núcleo do PCE. Nos 12 meses até dezembro, o núcleo do índice avançou 3,0%, de 2,8% em novembro.
Essa é uma das medidas acompanhadas pelo banco central dos EUA para sua meta de inflação de 2%. Os dados foram incluídos no relatório preliminar do Produto Interno Bruto do quarto trimestre, publicado nesta sexta-feira.
Embora o relatório do índice de preços ao consumidor do Escritório de Estatísticas do Trabalho, publicado na semana passada, tenha mostrado um aumento moderado em janeiro, houve alguma rigidez na inflação dos serviços.
Economistas estimam que o núcleo do PCE pode subir até 0,4% em janeiro, o que se traduziria em um avanço anual de 3,1%.
O índice PCE cheio avançou 0,4% em dezembro, de 0,2% em novembro. Na base anual, a alta foi 2,9%, contra 2,8% em novembro.
O governo também informou que os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica, aumentaram 0,4% em dezembro, repetindo a taxa de novembro. Quando ajustados pela inflação, os gastos do consumidor cresceram 0,1%.
Projeções para 2026
Em janeiro, na reunião mais recente do Fed, houve a confirmação da manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75% para o primeiro trimestre do ano de 2026.
No comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto justificou a decisão afirmando que a economia segue crescendo em ritmo sólido, com a baixa recuperação do mercado de trabalho e estabilização da taxa de desemprego.
O comunicado também ressaltou o nível da inflação que permanecia elevado, considerando o resultado anterior ao de dezembro, que foi divulgado hoje. O cenário atual pode comprometer ainda mais a decisão do corte de juros.
Kevin Warsh, o nome indicado para assumir a presidência do Fed que ainda precisa ser aprovado pelo Senado, é a favor da diminuição dos juros e foi indicado ao cargo pelo presidente Donald Trump para executar a missão. No entanto, especialistas apontam que a economia não mostra sinais forte de folego que sustentariam o corte.