O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em janeiro, em linha com a expectativa de analistas e repetindo a taxa do mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 10. No acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 4,44%, acima dos 4,26% observados no encerramento de 2025.
O resultado veio com surpresas nas categorias de combustíveis e cuidados pessoais, que foram compensadas parcialmente pela menor taxa mensal de alimentos, aponta Leonardo Costa, economista do ASA. Transportes foi o principal destaque de alta no mês (0,60%), puxado sobretudo por combustíveis (efeito da alta de imposto estadual) e por reajustes em tarifas de transporte urbano. Saúde e cuidados pessoais (alta de 0,70%) contribuiu de forma relevante, refletindo aumentos em higiene pessoal e planos de saúde.
Em sentido oposto, Habitação recuou 0,11%, com destaque para a queda da energia elétrica residencial, enquanto Vestuário também apresentou variação negativa (queda de 0,25%). Alimentação e bebidas desacelerou para alta de 0,23%, com queda relevante em itens como leite longa vida e ovos, parcialmente compensada por altas em tomate e carnes.
Já a média de núcleos da inflação, que exclui itens muito voláteis, apresentou alta mensal de 0,45%, pouco acima das projeções, que indicavam crescimento de 0,40%. No acumulado em 12 meses, os núcleos avançam 4,4%, sinalizando persistência inflacionária. A surpresa ficou concentrada nos bens industrializados, ainda contando com o vai e vem dos descontos da Black Friday.
Para Costa, o IPCA de janeiro reforça um quadro de inflação corrente ainda pressionada por componentes de serviços e itens sensíveis à renda e à dinâmica do mercado de trabalho.
Nos serviços, a média móvel de 3 meses desacelerou para 4,6% (de 5% no mês passado), mas ainda acima do teto do regime de metas de inflação. Com o vai e vem dos descontos de final de ano, a média móvel de 3 meses da inflação subjacente (tendência mais estável e persistente dos preços na economia) de bens avançou para 3,2% (de 2,3% no mês anterior).
Para Alexandre Maluf, economista da XP, a inflação de serviços permanece elevada, embora já apresente sinais de moderação. Além disso, as expectativas inflacionárias arrefeceram, e a tendência desinflacionária nos preços de bens (alimentos e industrializados) abre espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de corte dos juros de 0,50 ponto percentual em março. “Apesar de algumas surpresas pontuais em bens industrializados, mantemos nossa projeção para o IPCA de 2026 em 3,8%”.
O IPCA de 2026 é projetado em 4% pela ASA, diz Costa. “A inflação de curto prazo tende a ser benigna, trazendo o IPCA em 12 meses para próximo da meta nos próximos meses, efeito do movimento benigno de alimentos e do corte de preço da gasolina; além da desaceleração gradual dos serviços”.