A Natura divulgou nesta quinta-feira (19) que concluiu a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. O valor da transação gira em torno de 26,9 milhões de euros e os recursos do negócio foram recebidos pela empresa em 17 de fevereiro de 2026.
Segundo a Natura, a operação representa a conclusão da estratégia de simplificação corporativa da companhia e consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina.
No ano passado a Natura já tinha se pronunciado sobre possível venda da Avon Internacional. O principal objetivo era contornar os problemas operacionais da empresa, que já se arrastam por alguns anos — devido à dificuldade em capturar sinergias após uma série de aquisições.
Na época, a companhia anunciou a venda das operações da marca Avon em alguns países da América Central por US$ 22 milhões — o negócio foi fechado com o Grupo PDC. Mesmo após a conclusão da venda, a Natura preservou o contrato de fornecimento para a Avon Card e manteve o licenciamento da marca na região.
Em 2023, a empresa também já havia se desfeito de dois ativos importantes: a The Body Shop, que foi vendida à gestora alemã Aurelius Investment em um negócio de R$ 1,25 bilhão. Além disso, em abril do mesmo ano, o grupo se desfez da australiana Aesop para L’Oréal, em uma transação avaliada em US$ 2,5 bilhões.
Em 1982, o projeto de expansão internacional da marca alcançou o mercado chileno e depois toda a América Latina, Estados Unidos e parte da Europa. Agora, um dos objetivos é simplificar as operações, como, por exemplo, voltar à venda porta a porta.
Reestruturando
A Natura divulgou a compra da Avon em maio de 2019, porém o negócio só foi concluído 2 anos depois, se tornando o quarto maior conglomerado de beleza do mundo. O movimento aconteceu após a aquisição de outras duas marcas internacionais: Aesop e The Body Shop, que também já foram vendidas.
Na época, a companhia brasileira anunciou o negócio com a Avon por um montante aproximado de US$ 2 bilhões. Com o tempo, a Natura teve dificuldade para integrar as operações, já que o plano inicial de construir uma plataforma global de cosméticos não surtiu o efeito desejado. A pandemia do coronavírus e a disrupção da cadeia global de suprimentos foram alguns dos desafios enfrentados.
Em 5 de fevereiro de 2025, o grupo divulgou que sua diretoria tinha recebido o aval do conselho de administração para avaliar uma possível separação da operação da Natura na América latina e da Avon em duas empresas independentes e de capital aberto.
A empresa brasileira justificou afirmando que o movimento está alinhado para simplificar sua estrutura corporativa. De acordo com a Natura, as companhias têm alcances geográficos distintos, incluindo clientes e revendedores.