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Lycra Entra com Pedido de Recuperação Judicial sob Dívida de US$ 1,2 Bi

A empresa estima que o processo dure 45 dias

3 min

A The Lycra Company, fabricante de spandex e outros tecidos elásticos, entrou com pedido de recuperação judicial, em Houston, Texas, nesta terça-feira, buscando se livrar de uma dívida de US$ 1,2 bilhão.

Os credores da empresa concordaram em fornecer US$ 75 milhões em novos financiamentos e em eliminar a maior parte dos US$ 1,53 bilhão em dívidas existentes da empresa, de acordo com os registros do tribunal. A empresa disse que a reestruturação não afetará suas operações de fabricação, clientes, fornecedores ou funcionários.

A Lycra disse que tem apoio quase unânime de seus credores para uma reestruturação e espera sair do processo de recuperação dentro de 45 dias.

A Lycra Company, sediada em Wilmington, Delaware, estava sobrecarregada há anos, após uma aquisição em 2019 pela empresa têxtil chinesa Ruyi Textile e pela Fashion International Group Limited, de acordo com registros judiciais.

Os credores assumiram os negócios em 2022 depois que a empresa não pagou sua dívida, mas acompanhia continuou a ter um desempenho inferior devido à diminuição da demanda, aumento da concorrência de produtos genéricos de spandex com preços mais baixos, tarifas imprevisíveis dos EUA e disputas legais persistentes com seus antigos proprietários na China, de acordo com a empresa.

A empresa, fundada em 1958 como parte da DuPont, foi a produtora original de spandex e continua sendo uma das líderes mundiais em inovação no setor, de acordo com a empresa. A companhia tem oito fábricas, três laboratórios de pesquisa e 11 escritórios na América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul, com 2.000 funcionários em todo o mundo.

Recuperação Judicial

A Recuperação Judicial é um processo formal conduzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela é utilizada quando a empresa precisa reorganizar uma parte significativa de suas dívidas e não consegue negociar diretamente com todos os credores.

De acordo com o CNJ, a ferramenta evita que empresas em crise fechem as portas, permitindo a renegociação das dívidas com a mediação do Judiciário e preservando empregos e interesses dos credores.

Ao pedir recuperação judicial, a companhia apresenta ao tribunal um plano detalhando como pretende pagar ou renegociar seus débitos – o que pode incluir prazos maiores, descontos ou mudanças nas condições de pagamento.

A lógica central do processo é permitir que a empresa reorganize suas finanças enquanto continua operando.

Um dos efeitos mais importantes do processo é o chamado “stay period”, período em que as cobranças e execuções judiciais contra a empresa ficam suspensas. Isso cria uma espécie de fôlego financeiro para que a companhia organize sua reestruturação.

Esse modelo costuma ser adotado por empresas com estruturas mais complexas de dívida, que envolvem diversos credores — como bancos, fornecedores, investidores e detentores de títulos.

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