O Produto Interno Bruto (PIB) Brasil registrou crescimento de 0,1% no quarto trimestre, em linha com o esperado por economistas.
O índice encerrou 2025 com expansão de 2,3%, mostrando perda de força em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,1% no período de outubro a dezembro frente ao trimestre imediatamente anterior. O resultado do ano também ficou abaixo do desempenho do PIB em 2024, de uma expansão de 3,4%.
Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, em termos qualitativos, 2025 teve crescimento mais forte na primeira metade do ano e desaceleração na segunda metade, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva.
“No 4T25, o que sustentou o resultado foram segmentos pouco cíclicos, como a indústria extrativa e os serviços de intermediação financeira, enquanto os setores mais sensíveis ao ciclo doméstico, como construção, comércio e investimento, mostraram fraqueza”, afirma ele.
O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. No terceiro trimestre, a economia ficou estagnada, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,1% informada antes.
Na comparação com o quarto trimestre de 2024, o PIB apresentou crescimento de 1,8%, também em linha com a pesquisa.
O economista do ASA comenta que para 2026, a leitura é de um início de ano mais forte. Além disso, a desoneração do Imposto de Renda deve apoiar o consumo das famílias, e a sazonalidade costuma ser mais favorável no começo do ano. “Nossa projeção é de +0,7% no 1T26, e crescimento de 2,0% no ano”, aponta Costa.
Análise setorial
Leonardo Costa, explica que pela ótica da oferta, a indústria recuou -0,7%, com destaque negativo para a construção (-2,3%) — setor que vinha resistindo à desaceleração doméstica e agora mostra ajuste mais claro.
A indústria de transformação também caiu (-0,6%), enquanto o segmento extrativos (+1,1%) foram o principal contraponto positivo. Isso indicou resiliência de nichos menos cíclicos, principalmente ligados à extração de petróleo e gás.
Nos serviços, o ritmo foi mais forte no trimestre (+0,8%), puxado por grupos menos sensíveis ao ciclo, como intermediação financeira (+3,3%) e administração pública (+0,4%), além de Informação e comunicação (+1,5%), possivelmente refletindo ganhos estruturais e maior digitalização.
Costa destaca que, por outro lado, houve fraqueza em comércio (-0,3%) e transporte (-1,4%) — grupos mais dependentes da demanda doméstica.
No ano, o grande destaque foi a agropecuária (+11,7%), com contribuição de ganhos de produtividade e safras recordes, além do desempenho positivo da pecuária.
Já pela perspectiva da demanda, o consumo das famílias ficou estável (0,0%), após leve recuo no trimestre anterior, sinalizando perda de fôlego do consumo doméstico.
A formação bruta de capital fixo recuou -3,5% na margem, configurando o principal vetor negativo do trimestre, em linha com o ambiente de juros elevados. O consumo do governo cresceu (+1,0%). No setor externo, as exportações avançaram +3,7%, enquanto as importações caíram (-1,8%), contribuindo positivamente para o resultado do trimestre.