Bom dia. Estamos na quinta-feira, 26 de março.
Cenários
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na manhã desta quarta-feira (26) o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março, prévia do IPCA. Será o primeiro índice de inflação calculado após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
A mediana das expectativas é de uma desaceleração para 0,29%, ante os 0,84% registrados em fevereiro. O destaque deve ser a alta dos preços da gasolina, da energia elétrica e dos alimentos, em especial leite, ovos, feijão e carne vermelha.
A projeção atualizada para a inflação acumulada em 12 meses até março também deve recuar para 3,74%, ante os 4,10% acumulados nos 12 meses até fevereiro. No entanto, a expectativa é de um viés de alta devido ao conflito no Oriente Médio.
Os serviços devem apresentar alta menor em função da deflação nas passagens aéreas e do fim dos impactos dos reajustes anuais em educação, que geralmente pressionam a inflação de fevereiro. Apesar disso, itens mais sensíveis à atividade econômica, como os serviços intensivos em trabalho, devem permanecer pressionados, mantendo o núcleo da inflação de serviços em patamar elevado.
Já os bens industriais devem ter alta moderada, deixando para trás o aumento expressivo nos preços do etanol. Vestuário deve retornar ao terreno positivo. Os preços administrados devem refletir alta na gasolina e na energia elétrica residencial.
A guerra elevou a percepção de risco sobre o fornecimento global de petróleo, pressionando as cotações do barril nos mercados internacionais. Na manhã desta quinta-feira, o barril de petróleo do tipo Brent está em alta de 3,9% a US$ 106,20. O Brasil adota uma política de paridade de preços internacionais como referência para os combustíveis. Por isso, altas no mercado externo tendem a se transmitir, com alguma defasagem, aos preços da gasolina nas bombas.
O movimento já começa a aparecer nos dados: o IPCA-15 de março deve registrar alta relevante nos combustíveis, componente que, por seu peso na cesta de consumo, contamina outros preços e eleva as expectativas para os meses seguintes.
A divulgação do IPCA-15 é relevante porque pode confirmar ou negar as expectativas de aceleração da inflação que já aparecem no Relatório Focus. Desde o início do conflito no Oriente Médio, a projeção para o IPCA avançou de 3,9% para 4,1%, já superando o nível psicológico de 4%.
Nas últimas semanas, as medianas da inflação esperada no relatório Focus têm mostrado trajetória consistente de alta, com analistas revisando suas projeções para cima a cada nova rodada de coleta. Caso os dados do IPCA-15 confirmem a pressão inflacionária, uma nova rodada de revisões para cima nas projeções do relatório torna-se provável.
Esse cenário traz implicações diretas para a política monetária. A Ata do Copom, divulgada na terça-feira (24), deixou claro que o Comitê vai observar a evolução do cenário econômico e inflacionário antes de definir os próximos passos.
A sinalização é de cautela: o Copom não se comprometeu com um ritmo fixo de cortes, abrindo margem para desacelerar o processo de afrouxamento monetário caso as expectativas de inflação continuem se deteriorando.
Perspectivas
A alta do petróleo está provocando novas quedas nas ações. Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão em queda no pré-mercado.
Indicadores
BRASIL
Inflação / IPCA-15 (Mar)
Esperado: 0,29%
Anterior: 0,84%
Inflação / IPCA-15 (12m)
Esperado: 3,74%
Anterior: 4,10%
Estados Unidos
Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 211 mil
Anterior: 205 mil