Zhao Jianhui, fundador e presidente da Epiworld International, passou a integrar o grupo de bilionários. Isso aconteceu após as ações de sua fabricante de chips de energia, com sede em Xiamen, saltarem 35% em sua estreia na Bolsa de Hong Kong na segunda-feira (30).
A listagem avalia a Epiworld em HK$ 43,8 bilhões (US$ 5,6 bilhões; R$ 29,29 bilhões). Zhao, de 66 anos, é o maior acionista da companhia, com participação de 27%, o que lhe garante um patrimônio estimado em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,85 bilhões).
A Epiworld levantou HK$ 1,6 bilhão (US$ 204 milhões; R$ 1,07 bilhão) na oferta pública inicial. A empresa informou que utilizará a maior parte dos recursos para expandir a capacidade de produção na China ao longo dos próximos cinco anos. A companhia não respondeu a um pedido de comentário sobre o status bilionário de Zhao.
A empresa
Fundada em 2011, a Epiworld fabrica wafers epitaxiais para chips de carbeto de silício (SiC). A epitaxia é um processo de crescimento de uma fina camada de SiC — combinação de silício e carbono — sobre um wafer.
Os chips de SiC funcionam como interruptores de potência, principalmente em veículos elétricos e, cada vez mais, em data centers voltados à inteligência artificial.
Em comparação com os chips tradicionais de silício, os de SiC suportam tensões mais elevadas e temperaturas extremas, reduzindo perdas de energia. Eles viabilizam recarga rápida de veículos elétricos e uma distribuição de energia mais eficiente para chips de IA.
A Epiworld fornece para fabricantes de chips de potência, incluindo a alemã Infineon Technologies e a japonesa Rohm Semiconductor. A empresa afirma ser a maior do mundo em wafers epitaxiais de SiC em receita, com 29% de participação de mercado em 2024, à frente dos 26% da Resonac Holdings, segundo a China Insights Industry Consultancy.
Também destaca ser a primeira companhia a alcançar a comercialização em larga escala de wafers epitaxiais de SiC de 8 polegadas, uma geração à frente dos modelos de 6 polegadas mais utilizados atualmente.
Guerra de preços
Recentemente, a Epiworld vem sendo pressionada por uma guerra de preços provocada pelo excesso de oferta de concorrentes como a Resonac e a Inventchip Technology, de Xangai.
Nos primeiros nove meses de 2025, a receita da empresa caiu 34% em relação ao ano anterior, para 535 milhões de yuans (US$ 77,4 milhões; R$ 404,80 milhões), devido à “pressão de queda nos preços” no setor.
Entre dezembro de 2024 e setembro de 2025, a companhia praticamente reduziu pela metade o preço médio de venda de seus wafers de 8 polegadas. Com margens menores, o lucro líquido no período despencou 82%, para 21,1 milhões de yuans (US$ 3,05 milhões; R$ 15,95 milhões).
No intervalo, a China respondeu por quase dois terços das vendas, enquanto Coreia do Sul e Japão representaram 22%, seguidos por Europa e América do Norte.
Entre os investidores antes do IPO estão a Hubble Technology, braço de venture capital da gigante chinesa Huawei, além da China Resources Microelectronics, divisão de semicondutores do conglomerado estatal China Resources.
Zhao é um cientista veterano na área de tecnologia de SiC. Atualmente, é professor titular na Faculdade de Ciências Físicas e Tecnologia da Universidade de Xiamen, onde se formou em Física. Ele também possui doutorado em Engenharia Elétrica e de Computação pela Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos.
Zhao é o mais recente bilionário chinês a construir fortuna no setor de semicondutores. Outros incluem Zhang Xingang, presidente e CEO da fabricante de chips fotônicos Yuanjie Semiconductor Technology.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com