O Ibovespa avançou 1,5% nesta quinta-feira (09), fechando acima dos 195 mil pontos pela primeira vez em sua história, endossado pela relativa trégua na versão a risco no cenário internacional, mesmo com a visão de um cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,52%, a 195.129,25 pontos, após marcar 195.513,91 na máxima e 192.206,22 na mínima. O volume financeiro no pregão somou R$37,2 bilhões.
“Há ainda muita tensão relativa à situação no Oriente Médio, mas hoje o mundo está um pouco mais calmo”, afirmou o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, acrescentando que o cenário mais negativo sinalizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não se confirmou.
Além disso, destacado, segue o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras.
A bolsa paulista tem apresentado uma certa resiliência desde o começo da guerra no final de fevereiro. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril, com saldo positivo de R$ 1,6 bilhão até o dia 6.
De acordo com o sócio e conselheiro da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o anúncio sobre o cessar-fogo abriu espaço para uma recuperação nos mercados, bem como um colapso de volatilidade, mesmo que ainda existam alguns riscos, com recursos militares de prontidão no Oriente Médio.
Mas, acrescentou, a perspectiva de um fim para a guerra “trouxe a calmaria que o Ibovespa é necessário para continuar batendo máximas históricas”.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam com alta de 1%, mas ficaram abaixo de US$100 pela segunda sessão consecutiva, em negociações voláteis, com a manutenção de um frágil cessar-fogo no Oriente Médio e com Israel dizendo que iniciaria negociações diretas com o Líbano o mais rápido possível.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$ 1,17, ou 1,2%, a US$ 95,92 por barril, depois de atingir uma máxima de US$ 99,50 na sessão. O petróleo dos EUA West Texas Intermediate fechou com alta de US$3,46, ou 3,7%, a US$97,87 por barril, bem abaixo de seu pico intradiário de US$102,70.
Ambos os valores de referência caíram abaixo de US$100 por barril no pregão anterior, com o WTI registrando seu maior declínio desde abril de 2020, devido ao otimismo de que o cessar-fogo resultaria na reabertura do Estreito.
Dólar
O dólar fechou em baixa ante o real, no menor valor desde abril de 2024, novamente impactado pelo acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, com a moeda norte-americana também registrando queda ante outras divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,80%, para R$ 5,0626, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$ 5,0067.
No ano, a divisão passou a acumular recuo de 7,77%.
Na quarta-feira, o dólar já havia mostrado quedas firmes ante o real, em meio à euforia dos investidores com o acordo entre EUA e Irã. Nesta quinta-feira, porém, as dúvidas sobre a aplicação do cessar-fogo e a normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz contiveram o otimismo.
O tráfego por Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal, enquanto Teerã reafirmou seu controle sobre a área, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.
Apesar das preocupações com o cessar-fogo, o dólar se enfraqueceu ao longo da manhã antes de moedas de países emergentes como o real, o peso chileno e o peso mexicano.
Após atingir a cotação máxima de R$ 5,1070 (+0,07%) às 9h47, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 5,0586 (-0,88%) às 14h40, em sintonia com o avanço do Ibovespa e a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
No exterior, às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caiu 0,24%, para 98,829.