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Dólar Volta a Fechar Abaixo de R$5,00 após Trump Adiar Ataque contra o Irã

Preços do petróleo sobem 3% para o maior nível em duas semanas; Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale

6 min

O dólar fechou a segunda-feira (18) em queda firme e novamente abaixo dos R$5,00, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o adiamento de um ataque militar programado para a terça-feira contra o Irã.

Em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, o dólar à vista fechou em baixa de 1,34%, aos R$4,9987. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,93% ante o real.

O viés de baixa para o dólar nesta segunda-feira foi intensificado no fim da tarde após Trump informar pelas redes sociais o adiamento de um ataque militar contra o Irã que estava programado para terça-feira.

Ainda que não haja uma solução para o conflito, que segue prejudicando o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o anúncio de Trump trouxe certo alívio para os investidores, que temem o fim do cessar-fogo entre os países.

“O câmbio passa por um ajuste técnico e testa o patamar de R$5,00, monitorando também o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

Às 16h45, já após o anúncio de Trump, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$4,9957 (-1,40%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,00.

O recuo esteve em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Às 17h11, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,38%, a 98,978.

No mercado de câmbio brasileiro, ficou em segundo plano a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que caiu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais. O resultado foi pior que a retração de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com março do ano passado, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

Petróleo

Os preços do petróleo subiram cerca de 3%, atingindo o maior nível em duas semanas, em negociações voláteis com as preocupações sobre a interrupção do fornecimento devido à guerra do Irã compensando um relatório de que os EUA haviam concordado em suspender as sanções sobre o petróleo iraniano durante as negociações.

Os contratos futuros do Brent para entrega em julho subiram US$2,84, ou 2,6%, ficando em US$112,10 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate para entrega em junho subiu US$3,24, ou 3,1%, ficando a US$108,66.

Esse foi o maior fechamento para o Brent desde 4 de maio e o maior para o WTI desde 7 de abril.

Na semana passada, ambos os contratos subiram mais de 7%, com a diminuição das esperanças de um acordo de paz para acabar com o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo.

Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, disse que os estoques comerciais de petróleo estavam se esgotando rapidamente, restando apenas algumas semanas devido ao conflito e ao fechamento do estreito para a navegação.

O Paquistão, mediador de paz, compartilhou com os Estados Unidos uma proposta revisada do Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio, disse uma fonte paquistanesa à Reuters na segunda-feira, alertando que os lados “não têm muito tempo” para reduzir suas diferenças.

Ibovespa

O Ibovespa fechou com um declínio modesto pressionado principalmente pela Vale, em dia de queda dos contratos futuros do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras abandonou o sinal negativo e avançou, com os preços do petróleo retomando a alta no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,17%, a 176.975,82 pontos, após marcar 175.811,33 na mínima e 177.329,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 24,19 bilhões.

Desde meados de abril, quando o Ibovespa renovou recordes e alimentou expectativas de bater a marca inédita de 200 mil pontos, a bolsa paulista tem experimentado uma correção, com a perda desde então somando quase 11%.

Como pano de fundo está o fluxo negativo de estrangeiros, com maio registrando saída líquida de quase R$3,9 bilhões até o dia 14, conforme dados da B3, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões.

Nesta segunda-feira, a agenda macro destacou números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março, conforme o IBC-Br, enquanto a pesquisa Focus mostrou aumento nas previsões para a Selic no final do ano, agora estimada em 13,25%.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, não sustentou os ganhos e fechou em baixa de 0,07%.

Destaques

• VALE ON recuou 2%, contaminada pelo recuo dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian (DCE) encerrou as negociações do dia com queda de 1,11%. No setor, CSN MINERAÇÃO ON desabou 9,32% e CSN ON caiu 4,21%.

• PETROBRAS PN subiu 2,13% e PETROBRAS ON avançou 2,66%, em pregão com troca de sinal dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 2,6%, a US$112,10. A presidente-executiva da estatal disse que a Petrobras anunciará em breve a viabilidade comercial de uma nova descoberta, ainda sem nome, no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos.

• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,2%, com bancos do Ibovespa como um todo com sinal negativo. BRADESCO PN perdeu 0,17%, BANCO DO BRASIL ON caiu 1,35% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com decréscimo de 0,26%.

• COPASA ON subiu 3,48%, após o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizar o prosseguimento da “potencial” oferta pública subsequente de ações da empresa, no âmbito do processo de privatização da companhia de água e saneamento mineira.

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