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Empresa de IA para Vendas Projeta Crescer 30% sem Recorrer a Novos Aportes

Com receita de R$ 100 milhões em 2025, a Escale aposta em autofinanciamento para expandir operação e vê o Brasil à frente dos EUA no uso de inteligência artificial para vendas conversacionais

4 min

As empresas de tecnologia costumam recorrer ao mercado em busca de capital quando entram em um novo ciclo de expansão. A Escale, escolheu outro caminho. Após encerrar 2025 com faturamento de R$ 100 milhões, a companhia pretende crescer 30% neste ano financiando a operação com recursos próprios, em um momento em que a inteligência artificial começa a ganhar espaço nas áreas de vendas e atendimento corporativo.

A expectativa é alcançar R$ 130 milhões em receita em 2026, impulsionada pela adoção de agentes de IA em setores como serviços financeiros, telecomunicações e educação. No ano passado, a empresa afirma ter participado da geração de R$ 3,5 bilhões em vendas para clientes como BV, Claro e C6 Bank.

“Nosso foco hoje está em execução. Estamos investindo o próprio caixa para acelerar o desenvolvimento do produto e conquistar novos clientes”, diz Ken Diamond, fundador da Escale. “Com o custo de capital ainda elevado, não vemos necessidade de buscar recursos externos neste momento.”

A decisão ocorre em um contexto de amadurecimento do mercado de inteligência artificial no Brasil. Após uma primeira fase marcada por testes e projetos-piloto, empresas começam a direcionar investimentos para aplicações ligadas à geração de receita e ganhos de produtividade.

Segundo Diamond, o principal interesse dos clientes não está necessariamente na redução de custos, mas no aumento das vendas.

“O driver continua sendo crescimento. A IA permite atender clientes instantaneamente, inclusive fora do horário comercial. Isso reduz perdas ao longo da jornada e melhora a conversão”, afirma.

A companhia atua principalmente em operações consideradas complexas, como financiamento de veículos, crédito, telecomunicações e planos de saúde, segmentos em que o processo comercial tradicionalmente dependia de equipes humanas.

Brasil ganha espaço em vendas conversacionais

Embora o debate global sobre inteligência artificial esteja concentrado nos Estados Unidos, Diamond acredita que o Brasil pode assumir protagonismo em uma área específica: as vendas conversacionais.

A avaliação está ligada ao uso disseminado do WhatsApp no país. Segundo dados citados pelo executivo, cerca de 80% dos consumidores brasileiros preferem se comunicar com empresas por aplicativos de mensagens, enquanto 73% afirmam preferir realizar compras por esses canais.

“O Brasil se tornou uma economia conversacional. Isso cria um ambiente muito favorável para o desenvolvimento de soluções de IA voltadas para vendas”, diz Ken Diamond, fundador da Escale.

Na visão do empreendedor, o mercado brasileiro possui ainda duas características que aceleram a adoção da tecnologia: a busca constante por eficiência em um ambiente de juros elevados e o peso do setor de serviços na economia.

“Muitas empresas ainda operam processos manuais e repetitivos em vendas e atendimento. É justamente aí que a IA consegue gerar mais impacto”, afirma.

A percepção contrasta com a visão comum de que os Estados Unidos lideram todas as frentes relacionadas à inteligência artificial. Segundo Diamond, quando o assunto é vendas digitais, o cenário é diferente.

“Nos Estados Unidos, grande parte das interações comerciais ainda acontece por e-mail e telefone. O Brasil avançou mais rapidamente nos canais de mensagens. Isso nos coloca em uma posição interessante para desenvolver casos de uso em escala”, diz.

A empresa também vê oportunidades fora do país. Segundo o fundador, companhias americanas e europeias começaram a procurar fornecedores brasileiros para entender como replicar modelos de vendas baseados em aplicativos de mensagens.

O movimento acontece em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser vista apenas como ferramenta de automação e passa a ser incorporada a processos diretamente ligados à geração de receita. Para empresas que dependem de operações comerciais de grande escala, a disputa agora não é apenas por eficiência, mas pela capacidade de transformar dados e conversas em novos negócios.

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