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IPCA Desacelera, Mas Inflação “Teimosa” Mantém Mercado em Alerta sobre Próximos Passos da Selic

Alta de alimentos, combustíveis e medicamentos segue pressionando os núcleos da inflação e reduz espaço para cortes mais agressivos de juros

4 min

O IPCA, índice que mede a inflação oficial do Brasil, desacelerou de 0,88% em março para 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (12) pelo IBGE.  Apesar do arrefecimento do índice cheio em linha com o esperado, a leitura predominante no mercado é de que o Banco Central (BC) continuará adotando cautela na condução da política monetária. Em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% para 4,39% se aproximando do teto da meta de inflação perseguida pelo BC. A meta é de 3% com limite até 4,5%.

A expectativa majoritária de economistas consultados por Forbes segue apontando para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho, mas com um espaço cada vez menor para reduções adicionais ao longo do segundo semestre. 

A perda de ritmo no aumento dos preços em abril foi puxada principalmente pela queda de 14,45% nas passagens aéreas e pela perda de força dos combustíveis. Ainda assim, economistas avaliam que os componentes mais persistentes da inflação continuam pressionados, especialmente serviços e núcleos.

Para Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, o dado reforça a percepção de que a inflação doméstica continua elevada, mesmo com algum alívio em itens mais voláteis.

Segundo o Citi, serviços subjacentes e médias de núcleo ficaram em 0,5% no mês, acima da projeção de 0,4% do banco. A instituição destacou ainda a pressão vinda de alimentos, habitação, vestuário e saúde.

Na avaliação de Arnaldo Lima, macroeconomista da Polo Capital, o resultado mostra que a inflação segue pressionada em meio ao ambiente geopolítico mais turbulento. Para ele, há risco de o índice ultrapassar o teto da meta nos próximos meses.

As maiores contribuições para o IPCA vieram de Alimentação e bebidas, com impacto de 0,29 ponto percentual, e Saúde e cuidados pessoais, com 0,16 ponto. Entre os destaques aparecem leite longa vida, cebola, tomate, medicamentos e gás de botijão.

A gasolina voltou a aparecer como principal impacto individual do índice, com alta de 1,86% e contribuição de 0,10 ponto percentual.

Apesar disso, Arnaldo Lima chamou atenção para a desaceleração da inflação de serviços, que passou de 0,53% em março para 0,04% em abril. Como esse é um dos componentes mais monitorados pelo Banco Central, o economista avalia que o dado ainda mantém espaço para um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de junho.

O avanço mais forte do INPC também entrou no radar do mercado. O índice, mais sensível ao consumo das famílias de menor renda, subiu 0,81% em abril, acima do IPCA.

Para Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, a composição do dado não foi favorável. “Serviços subjacentes e a média dos núcleos ainda vieram pressionados e acima das expectativas do mercado”, afirmou. Segundo ele, o resultado reforça a cautela do Banco Central e a expectativa de um corte mais moderado de juros em junho.

Na SulAmérica Investimentos, a economista Mariana Rodrigues classificou o qualitativo do IPCA como negativo. Segundo ela, núcleos e medidas subjacentes seguem em patamares elevados, enquanto os serviços mostraram aceleração na margem.

A economista-chefe da gestora, Natalie Victal, afirmou que o cenário reduz a chance de aceleração nos cortes da Selic. “O debate saiu de ‘quanto acelerar’ para ‘onde parar’”, disse.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, também considera que o dado reforça o tom cauteloso do Banco Central. “Com a inflação em 12 meses próxima do teto da meta e um cenário ainda marcado pelas incertezas da guerra no Irã, o resultado de abril sustenta a sinalização do Copom de que os próximos passos da política monetária devem seguir graduais e dependentes dos dados”, afirma

Na Genial Investimentos, Gabriel Pestana avaliou que o dado qualitativo foi pior do que o índice cheio sugere. Segundo ele, todos os cinco núcleos vieram acima do esperado. “O IPCA de abril combina um headline próximo do esperado com uma mensagem qualitativa ruim: núcleos pressionados, serviços mais resilientes e alimentos piores”, afirmou.

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