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Pré-mercado: Inflação em Alta Altera Projeções de Juros no Brasil e nos EUA

Notícias e indicadores que podem influenciar os preços dos ativos nesta quarta-feira, 13 de maio

5 min

Bom dia. Estamos na quarta-feira, 13 de maio.

Cenários

Os dados de inflação divulgados na terça-feira (12) pioraram o cenário para a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Em ambos os países, os índices de preços aceleraram na comparação anual, alimentando dúvidas sobre o espaço para corte de juros — e reforçando apostas de que as taxas permanecerão elevadas por mais tempo.

O IPCA subiu 0,67% em abril, desacelerando em relação aos 0,88% de março. Em 12 meses, porém, a inflação avançou para 4,39% — acima dos 4,14% do período anterior e apenas um pouco abaixo da mediana das expectativas, que era de 4,41%. O resultado ficou dentro do limite superior da meta do Banco Central (BC), de 4,5%, mas o alívio é superficial. Mais importante do que o número cheio é a composição do índice.

Os grupos alimentos e bebidas e saúde e cuidados pessoais responderam juntos por 67% do IPCA de abril. A alimentação no domicílio subiu 1,64%, com altas expressivas da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).

Esses movimentos têm justificativas pontuais — restrição de oferta, sazonalidade climática e custos de frete. O problema está em outro lugar.

A inflação de bens industriais avançou de 0,31% para 0,62% em apenas um mês. Boa parte dessa alta afetou bens com maior sensibilidade ao ciclo econômico — exatamente aqueles que deveriam responder ao aperto monetário. Embora o conflito no Oriente Médio explique parte do movimento, via cadeias produtivas de insumos como plástico e combustíveis, o padrão sugere um vetor mais amplo.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (Consumer Price Index, CPI) subiu 0,6% em abril, em linha com as expectativas e abaixo dos 0,9% de março, mas acumulou alta de 3,8% em 12 meses. Foi o maior patamar desde maio de 2023 e quase o dobro da meta de 2% do Federal Reserve (FED), o banco central americano. O resultado ficou acima da expectativa de 3,7%.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 2,8% em 12 meses — acima dos 2,6% registrados até março e acima dos 2,7% projetados pelo mercado. Na comparação mensal, o núcleo avançou 0,4%, com destaque para os gastos com habitação, que subiram 0,6%.

O índice de energia foi o maior responsável pela aceleração mensal, com alta de 3,8% — mais de 40% do aumento total registrado em abril. O alívio esperado com o cessar-fogo não se traduziu em queda de preços.

Os investidores já começam a postergar as apostas em corte de juros pelo FED para 2027. Perto do fechamento de terça-feira, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de junho era de 97,6%. A perspectiva é ainda mais preocupante à frente. A expectativa do mercado é que o CPI de maio, a ser divulgado em junho, mostre inflação anualizada de 4% — o dobro da meta do Fed.

O cenário construído pelos dados de abril é claro: a inflação está acelerando nos dois países, os componentes mais persistentes seguem pressionados e o espaço para afrouxamento monetário diminuiu.

No Brasil, a Selic em 13% ao ano — patamar já elevado — pode precisar ficar estável por mais tempo do que o mercado esperava. Nos EUA, o FED já sinalizava cautela antes dos dados de abril. O CPI acima do esperado reforça a postura de esperar antes de agir. Com a inflação no maior nível em três anos, qualquer movimento de corte exigirá evidências consistentes de desaceleração — que, por ora, não aparecem.

Os dois bancos centrais enfrentam o mesmo dilema: juros altos demais por muito tempo prejudicam o crescimento, mas recuar antes de controlar a inflação pode piorar o problema. Os dados de abril não facilitaram essa equação.

Perspectivas

Apesar do cenário estruturalmente mais adverso devido à alta da inflação, o mercado inicia os negócios nesta quarta-feira com um movimento de leve recuperação. Os índices americanos e as ações brasileiras negociadas em Nova York começam o dia em leve alta. Além disso, o preço do barril de petróleo do tipo Brent está estável, apesar de no patamar elevado de US$ 107.

Os investidores estão buscando razões para a alta das ações na expectativa de um resultado positivo da visita do presidente americano Donald Trump à China. Será a primeira visita de um presidente americano ao país asiático. A expectativa é que o encontro entre Trump e o líder chinês Xi Jinping possa reduzir a tensão entre os dois países e facilitar uma solução para o conflito no Oriente Médio.

Indicadores

BRASIL

Vendas no varejo (Mar)

Esperado: 0,0%

Anterior: 0,6%

Vendas no varejo (12 M)

Esperado: 2,8%

Anterior: 0,2%

ESTADOS UNIDOS

Inflação no atacado / PPI (Abr)

Esperado: 0,5%

Anterior: 0,5%

Núcleo da inflação no atacado / PPI (Abr)

Esperado: 0,3%

Anterior: 0,1%

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