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Empresa de IA Anthropic Inicia Processo de Abertura de Capital

Lançamento de ações pode destravar centenas de bilhões de dólares em valor para acionistas e investidores, nos maiores IPOs da história

4 min

A Anthropic, empresa de Inteligência Artificial (IA) por trás do chatbot Claude, protocolou nesta segunda-feira (1) seu pedido de oferta pública inicial (Initial Public Offering, IPO). Com isso, ela se torna a primeira gigante da IA a listar suas ações em Wall Street. Esse movimento deve ser seguido pela SpaceX e pela OpenAI, movimentando mais de uma centena de bilhões de dólares.

Esses IPOs serão os maiores da história. Eles podem remunerar regiamente os investidores e os funcionários dessas empresas e criar o primeiro trilionário do mundo. Elon Musk, que detém cerca de 50% da SpaceX, já tem um patrimônio estimado em US$ 823,7 bilhões no dia 31 de maio, segundo a lista Forbes de bilionários em tempo real e sua fortuna deve crescer após a listagem da SpaceX.

As aberturas de capital podem inundar o setor sem fins lucrativos com novos recursos, já que a Anthropic e a OpenAI prometeram destinar grande parte de suas ações para a caridade. O IPO da SpaceX pode ser anunciado ainda neste mês e a OpenAI deve protocolar seu pedido nas próximas semanas.

O IPO deve acirrar a competição entre Anthropic e OpenAI. Na semana passada, a Anthropic ultrapassou oficialmente a OpenAI como a startup de IA de maior sucesso do mundo, com um novo financiamento de US$ 65 bilhões, que a avaliou em US$ 900 bilhões antes da inclusão do novo capital. A última avaliação da OpenAI era de US$ 730 bilhões.

O novo investimento, liderado por investidores como Greenoaks Capital, Sequoia Capital, Altimeter Capital e Dragoneer Investment Group, elevou o valor da Anthropic para quase duas vezes e meia sua avaliação anterior de US$ 380 bilhões, de cerca de três meses atrás.

Em um comunicado, a Anthropic afirmou que o pedido de abertura de capital “nos dá a opção de abrir o capital” após uma análise de sua documentação pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão americano equivalente à Comissão de Valores Mobiliários. A empresa não forneceu detalhes sobre o cronograma ou o tamanho de um IPO e disse que o negócio “dependerá das condições de mercado e outros fatores”. O IPO pode acontecer ainda no terceiro trimestre.

Crescimento acelerado e briga com o governo

Entre as três empresas que disputam a abertura de capital, a Anthropic é a mais jovem e a que cresce mais rapidamente, graças em grande parte às suas ferramentas de IA para escrever código de computador automaticamente. Na semana passada, a Anthropic informou que a estimativa de receita deste ano é de US$ 47 bilhões. Não está claro se a empresa é lucrativa.

Fundada em 2021, a Anthropic foi criada em São Francisco por Dario Amodei, seu diretor executivo, sua irmã Daniella e um grupo de pesquisadores que trabalharam com ele na OpenAI. Desde a fundação da empresa, Amodei tem afirmado repetidamente o que ele acredita ser a natureza transformadora da chamada inteligência artificial geral (IAG), um estado do desenvolvimento ainda não alcançado e que pode igualar as capacidades do cérebro humano.

A OpenAI e o Google, por meio de sua ferramenta DeepMind, têm desenvolvido uma gama mais ampla de produtos, incluindo navegadores web com foco em IA, soluções para e-commerce e aplicativos de geração de imagens. Já a Anthropic se concentrou principalmente em desenvolver IA que se destaca na codificação de softwares e ferramentas para clientes corporativos.

No terceiro trimestre de 2025, esse foco pareceu dar frutos. A Anthropic lançou um modelo inovador com o Claude Opus 4.5, que a empresa descreveu como “um passo significativo em direção ao que os sistemas de IA podem fazer”, com ênfase na codificação de software. Seu uso disparou e as receitas da Anthropic aumentaram consideravelmente à medida que mais clientes corporativos começaram a pagar pelo serviço.

A Anthropic tem uma imagem mais positiva que seus concorrentes, ao enfatizar que essa tecnologia pode ser perigosa para a humanidade. No início deste ano, o Pentágono proibiu essa tecnologia em seus sistemas porque a empresa queria impor limites ao que militares e agentes de inteligência poderiam fazer com ela.

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