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Atraso na IA Pode Colocar US$ 143 Bilhões em Receita em Risco para Escritórios de Advocacia e Contabilidade

Pesquisa da Thomson Reuters mostra que empresas que não conseguem transformar IA em ganho real para clientes já enfrentam risco de perder contratos, receita e controle sobre o uso da tecnologia

4 min

A inteligência artificial entrou na rotina de advogados, contadores e profissionais de compliance. O desafio não é usar IA, mas provar que a tecnologia gera mais qualidade, velocidade e eficiência para os clientes.

Um relatório da Thomson Reuters divulgado nessa segunda-feira (22), aponta que a falta de comprovação real de resultado do uso da tecnologia pode resultar em perdes de até US$ 143 bilhões (R$ 735 bilhões) em receitas apenas nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos. Segundo a consultoria, o prejuízo se dá em um contexto com clientes corporativos substituindo fornecedores que ainda não conseguem entregar ganhos concretos com IA.

O estudo Future of Professionals 2026 ouviu 1.816 profissionais das áreas jurídica, tributária, auditoria, contabilidade, compliance, risco e comércio internacional em 62 países, entre março e abril deste ano.

Segundo a pesquisa, 74% dos profissionais já usam ferramentas de IA semanalmente. Mesmo assim, 91% afirmam que suas organizações estão abaixo do potencial da tecnologia. Essa distância entre uso e resultado começa a aparecer na relação comercial com os clientes.

O levantamento mostra que 78% dos clientes corporativos consideram muito importante ou essencial que seus fornecedores entreguem melhorias de qualidade impulsionadas por IA. Apenas 6%, porém, acreditam que a maioria dos fornecedores esteja entregando esse nível de resultado.

A consultoria afirma que o relatório indica que 32% dos clientes corporativos pretendem reavaliar seus fornecedores de serviços jurídicos e contábeis nos próximos 12 meses. Um terço desse grupo afirma que mais de US$ 1 milhão (R$ 5,14 milhões) em trabalho anual pode estar em risco. Aplicado aos mercados jurídico e contábil dos EUA, esse cálculo chega aos US$ 143 bilhões (R$ 735 bilhões) em receitas sob revisão ativa.

“Estamos vendo surgir uma divisão clara”, afirma Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters. “Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro.”

Os riscos da prática de shadow IA

A pesquisa também acende um alerta sobre o uso de IA fora do controle das empresas. Um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance afirma usar ferramentas de IA não aprovadas pelas organizações. Entre os profissionais que dizem que suas empresas avançam lentamente na adoção da tecnologia, esse percentual sobe para 41%.

A prática, conhecida como shadow AI, cria riscos difíceis de monitorar. Em áreas que lidam com dados sigilosos, documentos sensíveis, obrigações regulatórias e recomendações com impacto jurídico ou financeiro, o uso de ferramentas não validadas pode ampliar a exposição a vazamento de informações, erros técnicos e decisões baseadas em respostas sem rastreabilidade.

A falta de clareza dos profissionais sobre o padrão necessário aparece no levantamento. Para 96%, a IA precisa proteger dados confidenciais. Outros 94% exigem conteúdo confiável e verificado, enquanto 90% dizem precisar de resultados que possam ser explicados e defendidos. Ainda assim, 41% afirmam não ter acesso a ferramentas profissionais que atendam a esses requisitos.

Para a Thomson Reuters, esse é o ponto que separa o uso genérico da IA de uma aplicação segura em setores regulados. A companhia chama esse padrão de IA de nível fiduciário, ou Fiduciary Grade AI, baseado em conteúdo confiável e específico de cada área, rigor em privacidade e segurança, resultados transparentes e verificáveis e acesso a suporte humano especializado.

“Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto”, diz Hasker. “Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente.”

Acesso a IA é fator decisivo para carreira

A disputa pela implementação da IA também começa a pesar na gestão das equipes. Entre os profissionais que enxergam uma diferença entre o potencial da tecnologia e o que suas organizações entregam, 24% afirmam que considerariam deixar o emprego atual em até dois anos. Para empresas de serviços jurídicos, contábeis e de compliance, isso pode significar maior custo de retenção, perda de produtividade e dificuldade para sustentar entregas mais sofisticadas aos clientes.

O relatório conclui que a IA virou tema de receita, risco e competitividade. Clientes já esperam ganhos mensuráveis, profissionais já usam a tecnologia no dia a dia e organizações que não estruturarem esse uso podem perder controle sobre as ferramentas, sobre a qualidade das entregas e sobre contratos relevantes.

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