O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (01), perdendo o patamar de 172 mil pontos no pior momento, em mais uma sessão de incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,91%, a 172.197,46 pontos, chegando a 171.792,82 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 173.975,31 pontos. O volume financeiro somou R$28,76 bilhões.
O Ibovespa manteve no primeiro pregão de junho a dinâmica negativa registrada de meados de abril, quando renovou suas máximas históricas. A correção tem sido determinada principalmente pela saída de capital externo das ações brasileiras.
“O cenário para as ações brasileiras deteriorou-se claramente nas últimas seis semanas”, afirmaram estrategistas do BTG Pactual, citando que a inflação está limitando a capacidade do Banco Central de reduzir a Selic de forma mais significativa.
Os estrategistas do BTG também citaram que o cenário político ficou mais confuso e chamaram a atençãopara o avanço de um projeto de lei que reduz a jornada semanal de trabalho, com potencial para aumentar os custos para as empresas.
No cenário externo, destacaram que as ações do setor de tecnologia se valorizaram globalmente em maio, atraindo a atenção e os fluxos dos investidores.
Ainda assim, a equipe do maior banco de investimentos da América Latina disse que continua a ver as ações brasileiras como relativamente atraentes.
“O Brasil ainda é um dos poucos países com um caminho claro para cortes de juros no curto prazo e é um exportador líquido de petróleo, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue”, afirmaram em relatório com as recomendação de ações de junho.
“A tendência de diversificação para fora dos EUA deve continuar e os múltiplos estão agora ainda mais atraentes.”
Destaques
• PETROBRAS subiu 0,88% e PETROBRAS ON avançou 1,31%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no exterior. A estatal também anunciou no domingo uma reduçãode 9,59% no litro do diesel A para as distribuidoras. Nesta segunda-feira, informou umcortede 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras.
• VALE ON recuou 1,35%, acompanhando a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 0,19%. No setor, CSN ON fechou com declínio de 2,38% e CSN MINERAÇÃO ON encerrou com queda de 2,58%. USIMINAS PNA mostrou acréscimo de 0,09% e GERDAU PN fechou em alta de 1,62%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,66%, com o setor como um todo com sinal negativo. Investidores continuam analisando potenciais reflexos no setor após os EUA designarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. BRADESCO PN cedeu 1,13%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,08% eBTG PACTUAL UNIT caiu 1,86%. SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,18%.
• TOTVS ON valorizou-se 4,32%, engatando o terceiro pregão seguido de alta, com analistas do UBS BB avaliando que o movimento da semana passada acompanhou o desempenho robusto global do setor de software. Os analistas avaliaram que um dos principais motores para a performance do setor foi o resultado trimestral da Snowflake. Para o UBS BB, porém, investidores podem precisar de mais evidências relacionadas à IA nos próximos resultados para recuperar a confiança no setor.
• MINERVA ON caiu 5,15%, no segundo pregão seguido de baixa, marcando uma mínima desde janeiro de 2019. No setorde proteínas, MBRF ON recuou 1,12% e JBS, que tem as ações listadas nos EUA, perdeu 2,97%.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 4% depois que a agência de notícias Tasnim, do Irã, informou que Teerã havia interrompido as negociações indiretas com os EUA e que estavam sendo feitos planos para que as forças iranianas e seus aliados bloqueassem completamente o Estreito de Ormuz e, potencialmente, interrompessem outras rotas importantes de navegação.
As tensões na região aumentaram nos últimos dias, com o Irã e os EUA trocando ataques e Israel ordenando que as tropas avançassem ainda mais no Líbano em sua batalha contra o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 94,98 por barril, com alta de US$3,86, ou 4,2%, enquanto os preços da commodity nos EUA fecharam a US$92,16 por barril, com alta de US$4,80, ou 5,5%.
Ambos os índices de referência haviam subido mais de 6% no início da sessão, mas reduziram os ganhos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não estava ciente da interrupção das negociações com o Irã e que também conversou com o Hezbollah por meio de intermediários e garantiu uma promessa de que o grupo não atacaria Israel.
Os contratos terminaram o mês de maio entre 17% e 19% mais baixos, marcando suas maiores quedas mensais em termos absolutos desde março de 2020, quando a pandemia da Covid-19 reduziu a demanda de energia, com o crescente otimismo de que os EUA e o Irã estavam perto de um acordo.
Mais cedo na segunda-feira, Tasnim disse que Teerã e a “Frente de Resistência”, que inclui os aliados do Irã no Iêmen, Líbano e Iraque, estabeleceram uma agenda para bloquear completamente a hidrovia de Ormuz e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, a fim de “punir” Israel e seus apoiadores.
O Bab el-Mandeb está localizado no extremo sul do Mar Vermelho, através do qual a Arábia Saudita, um grande produtor de petróleo, atualmente movimenta de 4 milhões a 6 milhões de barris de petróleo por dia, escreveu Robert Yawger, diretor executivo da Mizuho, em uma nota.
“Parece que os dois lados estão em mundos diferentes”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.
“Quanto mais tempo durar o conflito, mais baixos serão os estoques comerciais… e, nesse momento, os preços disparam. Estamos a apenas um ou dois meses de distância disso”, disse ele.
A escalada representa mais um obstáculo para as esperanças de um fim rápido da crise, que efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, uma rota de suprimento global vital para o petróleo e o gás natural liquefeito. Um relatório da Axios disse no X na sexta-feira que o Irã havia lançado mais minas no estreito na semana passada.
Dólar
O dólar fechou em baixa ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas, após o Irã decidir interromper trocas de mensagens com os Estados Unidos através de mediadores.
O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,47%, aos R$5,0217. No ano, passou a acumular recuo de 8,51% ante o real.
Às 17h04, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,38% na B3, aos R$5,0560.
As idas e vindas do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio mais uma vez influenciaram os negócios com moedas nesta segunda-feira. Após a notícia — que reforça as dúvidas sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã — os rendimentos dos Treasuries ganharam força, renovando máximas do dia, e o petróleo Brent chegou a superar os US$97 o barril.
No mercado de moedas, o dólar ganhou força ante as demais divisas, mas a pressão não foi suficiente para fazer a moeda norte-americana subir no Brasil.
“A gente viu um movimento de queda hoje do dólar no Brasil, destoando um pouco das outras moedas emergentes, que acabaram ficando mais pressionadas”, comentou à tarde Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.
“A notícia de que o Irã suspendeu as negociações com os EUA acabou deixando os investidores mais cautelosos, e isso em tese costuma favorecer o dólar. Ainda assim, o real foi uma das poucas moedas emergentes que se valorizou, impulsionado pela alta do preço do petróleo, que é positivo para o Brasil.”
Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$5,0473 (+0,04%) às 11h, já após a notícia da interrupção das mensagens pelo Irã, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0115 (-0,67%) às 16h26, na esteira das declarações de Trump.
“O dólar subiu (cerca de) 2% em maio e o petróleo também está subindo (nesta segunda-feira). Acho que estes são os elementos que estão permitindo aqui vermos o dólar cair”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.
No exterior, a divisa norte-americana seguia em alta ante boa parte das demais moedas. Às 17h09, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 99,190.