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IPCA-15 Tem Maior Taxa em 12 Meses desde Outubro

Os preços dos alimentos e da energia elétrica pesaram no indicador

4 min

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, ante alta de 0,62% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (25).

Em termos de comparação, pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,44% para o período. Nos 12 meses até junho, o índice passou a acumular avanço de 4,80%, contra 4,64% no mês anterior.

Os preços dos alimentos e da energia elétrica pesaram no IPCA-15 e a taxa em 12 meses avançou para o nível mais alto desde outubro (4,94%), mesmo com uma desaceleração na taxa mensal de inflação, que ficou um pouco abaixo do esperado por economistas.

Entre os grupos, os destaques de alta foram Alimentação e bebidas (0,74%) e Habitação (0,72%), que juntos responderam por cerca de 66% do resultado do mês. Dentro de Alimentação, sobressaíram as altas da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%); vale notar que tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço no primeiro semestre, com acumulados de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente.

Em Habitação, o principal driver foi a energia elétrica residencial (+2,04%). No mês, as contas de luz seguiram com bandeira amarela, o mesmo que em maio, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

No lado das quedas, destacaram-se os combustíveis (-1,22%), puxados pelo recuo do etanol (-5,30%) e da gasolina (-0,73%), que levaram o grupo Transportes a uma ligeira deflação (-0,03%).

Opinião dos especialistas

Segundo Leonardo Costa, , economista do ASA, o resultado traz um balanço qualitativo mais benigno após meses de inflação pressionada pelo choque de combustíveis. O núcleo de serviços veio mais fraco (leitura mensal mais fraca do ano), com desaceleração da média móvel de três meses (+5,4%). Por outro lado, persiste alguma inflação residual no núcleo de bens, que segue avançando na mm3m (5,4%), aparente efeito secundário do choque de petróleo. Para ele, o IPCA de junho, atualmente projetado em +0,39%, deve ser revisto para baixo.

“O recuo recente do preço do petróleo, em meio ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, representa um vetor desinflacionário relevante; em sentido oposto, o risco de El Niño permanece no radar para o segundo semestre. Em conjunto, avaliamos que o balanço de riscos para a inflação pode estar se reencaminhando para assimetria”, comenta Costa.

Na semana passada, o Banco Central (BC) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto. Na ata, A autoridade monetária indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

“O dado de hoje é compatível com um cenário de desinflação gradual”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). “Se a melhora observada nos núcleos (de inflação) se confirmar nos próximos meses, cresce a possibilidade de cortes adicionais na Selic, mas a trajetória continuará dependente da evolução das expectativas de inflação e do cenário internacional.” 

“Ainda que a margem mensal traga sinais positivos, a tendência subjacente sugere que o processo de desinflação segue lento e desafiador”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Somada à inflação acumulada em 12 meses em 4,80% — acima do teto da meta —, a leitura qualitativa reforça a necessidade de cautela por parte da autoridade monetária.”

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção do mercado para o IPCA este ano é de alta de 5,33%, e de 4,15% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 14%.

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