O conselho de administração da Vale decidiu destituir o conselheiro Marcelo Gasparino. A sanção veio após investigação independente concluir que ele foi responsável pelo vazamento de informações confidenciais de uma reunião do colegiado realizada em 19 de junho, afirmou a Vale em fato relevante na noite de quarta-feira.
A remoção definitiva do conselheiro, no entanto, depende de aprovação dos acionistas em assembleia geral. A Vale afirmou que o encontro será convocado assim que os trâmites necessários forem concluídos.
Uma fonte a par do caso disse à Reuters que a investigação começou no próprio dia 19 de junho. O trabalho foi conduzido pelo TozziniFreire Advogados, com apoio da Kroll Associates. Desde essa data, todos os membros do conselho da Vale já sabiam que a investigação estava em curso, acrescentou a pessoa, sob condição de anonimato.
Procurada, a Vale não comentou essas informações.
Em fato relevante ao mercado, a mineradora afirmou que a decisão do colegiado se baseou nas conclusões da apuração feita por escritório externo independente, contratado por deliberação do conselho. A apuração confirmou o vazamento, que configura desvio de conduta nos termos da Política de Gestão de Desvios de Conduta da Vale.
O conselho seguiu as recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade ao adotar a medida, disse a empresa.
Além disso, a Vale informou que o conselho aprovou o afastamento de Gasparino dos dois comitês de assessoramento dos quais participava. São eles o Comitê de Indicação e Governança e o Comitê de Pessoas e Remuneração.
A companhia não detalhou o conteúdo das informações vazadas. Também não informou quando pretende realizar a assembleia para deliberar sobre a destituição do conselheiro.
Procurado, Gasparino não retornou ao pedido de comentário.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que Gasparino perdeu a disputa pela presidência do conselho da Vale. Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, venceu com quase o dobro dos votos favoráveis dos acionistas em assembleia geral extraordinária (AGE).
Durante a AGE na véspera, alguns acionistas pediram a palavra para fazer questionamentos. Os pontos estavam relacionados a uma reportagem do colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, que publicou uma declaração de Gasparino feita na reunião do conselho de 19 de junho. Nela, ele afirmou que o ex-chairman Daniel Stieler teria informado o colegiado sobre pressões externas na empresa.
Um trecho das declarações de Gasparino exposto na reportagem de O Globo não constava na ata da reunião do colegiado publicada ao mercado. No trecho divulgado, Gasparino teria registrado repúdio a denúncias supostamente feitas por Stieler. Ele também pediu apuração do comitê de auditoria.