O mercado brasileiro de planos de saúde cresceu em maio, mas a Hapvida ficou fora desse avanço. Relatório do Santander, com base em dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), mostra que a base total do setor chegou a 53,078 milhões de beneficiários, alta de 0,3% em relação a abril e de 1,5% em um ano.
No mês, o setor adicionou 135,8 mil beneficiários. O retrato de maio mostra um setor com vencedores e perdedores bem definidos. O ganho foi puxado por operadoras como Amil, BradSaúde e Porto Saúde. Já a Hapvida voltou a perder clientes, em um sinal de que a disputa por preço, produto e canal de venda segue pressionando a companhia.
Segundo o Santander, os dados da ANS podem diferir dos números operacionais divulgados pelas empresas nos balanços trimestrais. Ainda assim, o banco considera a série um indicador relevante para medir a atividade comercial do setor, especialmente em relação à entrada e saída de beneficiários.
Hapvida perde quase 50 mil vidas no trimestre
A Hapvida perdeu 9,3 mil beneficiários em maio. A maior parte da queda veio da GNDI, operação incorporada pela companhia, que registrou perda de 8,6 mil vidas no mês.
No acumulado de abril e maio, a Hapvida perdeu 48,2 mil beneficiários. O número veio pior do que a estimativa do Santander, que projetava queda de 15 mil vidas no período.
As perdas seguem concentradas nas operações da GNDI no Sul e no Sudeste. Nessas mesmas regiões, concorrentes continuam ganhando beneficiários, o que reforça a pressão competitiva sobre a empresa.
Para o Santander, a perda de beneficiários também pode afetar os custos da Hapvida. A companhia abriu hospitais nos últimos trimestres e precisa de escala para diluir despesas fixas. Quando a base encolhe, essa conta fica mais difícil.
A participação de mercado da Hapvida caiu para 16,1% em maio, ante 16,6% um ano antes.
BradSaúde avança em planos médicos
A BradSaúde teve mais um mês de crescimento em planos médicos. A operadora adicionou 33,4 mil beneficiários em maio e chegou a 4,163 milhões de vidas.
No acumulado de abril e maio, o ganho foi de 91 mil beneficiários. Excluindo contratos ASO, modalidade em que a operadora administra planos sem assumir integralmente o risco assistencial, o avanço foi de 67,9 mil vidas.
Com isso, a participação da BradSaúde no mercado de planos médicos subiu para 7,8%, ante 7,2% em maio do ano passado.
O Santander avalia o desempenho como positivo, mas faz uma ressalva. A rotatividade de clientes da BradSaúde tem ficado baixa, especialmente em abril. O banco afirma que ainda não está claro se isso reflete melhora operacional ou diferenças nos dados da ANS.
No segmento odontológico, o resultado foi mais fraco. A OdontoPrev, ligada ao grupo, perdeu 39,5 mil beneficiários em maio, excluindo BB Dental. Em abril e maio, a queda acumulada foi de 44,2 mil vidas.
SulAmérica cresce pouco
A SulAmérica, da Rede D’Or, adicionou 3,7 mil beneficiários em maio. Sem os contratos ASO, o ganho foi de 9,4 mil vidas.
O resultado, porém, ainda não reverte a queda acumulada no trimestre. Em abril e maio, a operadora perdeu 32,7 mil beneficiários. Excluindo ASO, teria crescido 24,2 mil vidas, abaixo da projeção do Santander, de 45 mil.
A SulAmérica encerrou maio com 3,122 milhões de beneficiários em planos de saúde e participação de 5,9% no mercado.
Amil e Porto Saúde ganham espaço
Amil e Porto Saúde também avançaram em maio. A Amil adicionou 41,7 mil beneficiários no mês e acumula ganho de 69,1 mil vidas nos dois primeiros meses do segundo trimestre.
A operadora chegou a 3,557 milhões de beneficiários, com 6,7% de participação de mercado.
A Porto Saúde ganhou 16,2 mil beneficiários em maio e 30,6 mil no acumulado de abril e maio. A base chegou a 869 mil vidas, ante 703 mil um ano antes.
Segundo o Santander, Amil e Porto Saúde seguem ativas comercialmente, apoiadas por preços competitivos, posicionamento de produtos e atuação no canal de corretores.
Odontológico cresce mais que planos médicos
O mercado odontológico também cresceu em maio. A base total chegou a 36,196 milhões de beneficiários, alta de 0,6% no mês e de 4,4% em um ano. Foram 217,3 mil vidas adicionadas em maio.
Para o Santander, os planos odontológicos devem continuar crescendo mais do que os planos médicos, porque ainda têm menor penetração e tíquete mais acessível.
A BradSaúde segue como líder no segmento odontológico, com 25,2% do mercado, apesar da perda mensal de beneficiários. A Hapvida aparece com 19%, seguida por SulAmérica, com 8,1%, Amil, com 7,6%, e Porto Saúde, com 3,3%.