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Ibovespa Sobe Impulsionado por Vale e Petrobras; Dólar Fecha no Menor Nível em Pouco Mais de um Mês

Índice supera os 177 mil pontos em dia de petróleo subindo mais de 3%; moeda americana cai, cotada a R$ 5,05, menor valor desde 2 de junho

7 min

O Ibovespa encerrou a quarta-feira (22) em alta firme, superando os 177 mil pontos, impulsionado pelo avanço de blue chips como Vale e Petrobras, além das ações da Weg, que lideraram os ganhos da bolsa após a companhia divulgar balanço de segundo trimestre com resultado levemente acima do esperado. O índice subiu 2,44%, a 177.547,57 pontos, após marcar 173.328,05 na mínima e 177.641,24 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 22,75 bilhões.

Depois de cinco sessões de desempenho tímido, a bolsa voltou ao campo positivo na esteira do noticiário corporativo.

A Vale foi um dos destaques positivos da sessão, depois de reportar na noite anterior que registrou o maior volume de produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018.

Ao mesmo tempo, a Petrobras também se destacou, pegando embalo no exterior, onde os preços do petróleo fecharam o dia em seu nível mais alto desde 11 de junho, diante das crescentes preocupações com a oferta, à medida que as hostilidades continuavam a se intensificar entre Estados Unidos e Irã.

Os ganhos da Vale e da Petrobras deram impulso e suporte ao Ibovespa, que contou também com o avanço das ações da Weg, que lideraram os ganhos da bolsa depois do grupo publicar resultado de segundo trimestre que acalmou os investidores em relação ao desempenho da empresa para o ano como um todo, segundo analistas.

Além da influência de dados das companhias, o Ibovespa pode estar se beneficiando de investidores estrangeiros que buscam barganhas.

“Acredito que o mercado americano esteja fazendo uma diversificação de ativos de risco, buscando barganhas na bolsa brasileira em detrimento da americana, que apresenta ‘valuations’ mais caros e os riscos de curto prazo da inteligência artificial, que vêm drenando boa parte dos investimentos em capex”, disse Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 0,13%, em meio a cautela dos agentes que aguardavam resultados financeiros de empresas de tecnologia. A Tesla teve fluxo de caixa livre negativo no segundo trimestre pela primeira vez em mais de dois anos, enquanto o a receita de serviços de computação em nuvem da Alphabet, proprietária do Google, superou as estimativas de Wall Street.

Destaques

TELEFÔNICA BRASIL ON recuou 1,17% e TIM ON caiu 2,43%, com ambas na ponta negativa do índice, um dia depois da rival Claro divulgar alta no resultado operacional do segundo trimestre com adições líquidas de clientes de banda larga fixa e na base pós-paga de telefonia móvel.

WEG ON disparou 10,05%, liderando os ganhos do Ibovespa. A fabricante de motores elétricos e equipamentos de automação e geração de energia reportou lucro líquido de R$1,56 bilhão no segundo trimestre e Ebitda de R$2,21 bilhões, levemente acima das estimativas do mercado, segundo dados da LSEG.

VALE ON subiu 3,96% após divulgação do relatório de produção de segundo trimestre na noite da véspera. O ganho foi na contramão do desempenho do contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian na China, que fechou o pregão com queda de 1%, US$109,19 por tonelada.

PETROBRAS PN subiu 2,21% e PETROBRAS ON avançou 2,39%, em linha com a alta do petróleo no exterior. Os contratos futuros do Brent fecharam com alta de 3,36%, a US$94,07 o barril, após atingirem uma máxima de US$95,47 durante o pregão.

ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,87%, em uma sessão positiva para os bancos. BRADESCO PN avançou 2,26%, SANTANDER BRASIL UNIT teve alta de 0,68%, enquanto BANCO DO BRASIL ON ganhou 1,01%.

Petróleo

Os preços do petróleo fecharam em seu nível mais alto desde 11 de junho, devido às crescentes preocupações com a oferta, à medida que as hostilidades continuavam a se intensificar entre os Estados Unidos e o Irã. As as ameaças à navegação por parte da milícia houthi, apoiada pelo Irã, no Iêmen, impulsionaram ainda mais os preços.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$ 3,06, ou 3,36%, a US$ 94,07 o barril, o maior valor em pouco menos de seis semanas, após atingirem uma máxima de US$ 95,47 durante o pregão.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$2,49, ou 2,95%, para US$ 86,83.

O spread temporal de três meses do petróleo Brent , por sua vez, ampliou-se para US$ 9,26 por barril, o maior nível desde 22 de maio, aprofundando o fenômeno de “backwardation” devido aos crescentes riscos de oferta. O “backwardation” ocorre quando o petróleo com entrega imediata é negociado a um preço superior ao dos barris com entrega em datas posteriores, o que normalmente sinaliza uma oferta mais restrita no curto prazo.

As Forças Armadas dos EUA informaram ter realizado a 11ª noite consecutiva de ataques contra o Irã. Os ataques dos EUA ocorreram pouco depois de o exército do Kuweit ter informado que suas defesas aéreas estavam interceptando drones iranianos.

O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira que os EUA “bombardeariam e destruiriam uma ponte ou usina de energia” sempre que Teerã atacasse um navio no Estreito de Ormuz.

O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã alertou as empresas de navegação de que a rota sul do Estreito de Ormuz está minada, em uma postagem no X.

Além do conflito renovado pelo controle dessa importante via navegável, os houthis, alinhados ao Irã, abriram uma nova frente na guerra ao ameaçar atacar navios que transportam petróleo saudita no Estreito de Bab el-Mandeb e anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita.

Navios com vínculos com Israel, os Estados Unidos ou a Arábia Saudita correm maior risco de serem atacados pela milícia houthi do Iêmen, aliada ao Irã, e são aconselhados a evitar viagens pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Áden, informou nesta quarta-feira a força naval da União Europeia, Aspides.

Dólar

O avanço firme do Ibovespa, para acima dos 177 mil pontos, abriu espaço para a leve baixa do dólar ante o real em movimento favorecido ainda pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,42%, aos R$ 5,05, menor valor de fechamento desde 2 de junho, quando atingiu R$5,00. Foi a terceira sessão consecutiva de baixa da moeda norte-americana. No ano, o dólar passou a acumular queda de 7,95% ante o real.

Às 17h03, o dólar futuro para agosto – atualmente o mais negociado no mercado brasileiro – cedia 0,50% na B3, aos R$ 5,06.

O dólar oscilou entre a estabilidade e leves altas no início do dia, até que a abertura da bolsa de valores brasileira, às 10h, conduziu as cotações para o território negativo, em meio à alta firme do Ibovespa.

O movimento no câmbio brasileiro nesta quarta-feira foi corroborado pelo recuo do dólar ante outras divisas de emergentes no exterior, ainda que o cenário geopolítico seguisse nebuloso.

O transporte de petróleo e gás seguiu travado no Oriente Médio pela guerra entre EUA e Irã. Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, ações dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, prejudicavam o tráfego no Mar Vermelho.

No campo comercial, a nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira, podendo impactar o fluxo de dólares para o Brasil, mas o governo seguia cauteloso ao tratar do assunto.

Em entrevista à rádio Bandeirantes FM mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que reciprocidade não é vingança e que ela será adotada quando o governo considerar adequado. Durante a tarde, o governo anunciou R$18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas pelas tarifas, em nova etapa do Programa Brasil Soberano.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$189 milhões em julho até o dia 17.

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