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Operador de Trump teria feito US$ 100 mil em apostas na Kalshi

Gabriel Perez foi afastado sem remuneração após a suspeita de ter ganhado mais de US$ 100 mil com operações na Kalshi

3 min

Investigadores federais da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, a CFTC, acreditam que Gabriel Perez, operador de teleprompter que trabalha para Donald Trump desde 2016, ganhou dinheiro apostando no discurso do presidente sobre o Estado da União e em mais de uma dezena de outras falas de Trump, segundo a ABC News, que citou fontes não identificadas.

Perez foi afastado sem remuneração, informou nesta quinta-feira, 16, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, pouco depois da publicação da reportagem da ABC. Ele estaria negociando um acordo para encerrar as acusações de que obteve mais de US$ 100 mil (R$ 507 mil) com operações relacionadas aos discursos do presidente. O caso veio à tona depois que o mercado de previsões Kalshi alertou a CFTC sobre atividades suspeitas em sua plataforma.

Segundo Leavitt, Trump considera a suposta conduta de Perez “profundamente lamentável” e, “francamente, uma desgraça”.

Perez teria feito as apostas ao longo de três meses, envolvendo discursos como um pronunciamento em horário nobre realizado em dezembro, uma apresentação no Fórum Econômico Mundial, em janeiro, e uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra, em março, informou a ABC.

O operador de teleprompter — que costuma fazer os ajustes finais nos discursos de Trump, inclusive com alterações solicitadas pelo próprio presidente — teria encerrado algumas posições durante as falas quando Trump se afastava do roteiro, de acordo com as fontes não identificadas.

Perez estaria negociando um acordo para encerrar as acusações de que ganhou mais de US$ 100 mil (R$ 507 mil) operando com base nos discursos do presidente. As suspeitas surgiram depois que o mercado de previsões Kalshi comunicou à CFTC a identificação de atividades incomuns em sua plataforma.

A Kalshi confirmou as informações à ABC News. Em comunicado enviado à emissora por seu advogado, Bobby DeNault, a empresa afirmou: “Nossa equipe de monitoramento identificou rapidamente essas operações e as encaminhou à CFTC. Estamos cooperando com os órgãos reguladores e prestando toda a assistência necessária.”

O porta-voz da Casa Branca Davis Ingle também confirmou a reportagem. “A Casa Branca possui regras éticas rigorosas, que esperamos que sejam cumpridas por todos os funcionários e integrantes do governo […] O funcionário envolvido está cooperando integralmente com a CFTC”, declarou à ABC.

Os reguladores federais estariam avaliando proibir Perez de realizar operações semelhantes e obrigá-lo a devolver os lucros obtidos, segundo as fontes ouvidas pela ABC.

Limite ao uso de informações privilegiadas

Parlamentares federais dos Estados Unidos começaram a adotar medidas para estabelecer limites ao uso de informações privilegiadas em mercados de previsão, um fenômeno relativamente recente.

Em abril, o Senado aprovou uma resolução que proíbe todos os senadores de realizar operações nesses mercados. A Câmara dos Representantes analisa uma legislação semelhante.

O Departamento de Justiça acusou Gannon Ken Van Dyke, um militar das forças de operações especiais envolvido na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, de lucrar mais de US$ 400 mil (R$ 2,03 milhões) com apostas realizadas na Polymarket sobre a operação.

Ele foi acusado de uso ilegal de informações confidenciais para benefício próprio, apropriação de dados governamentais não públicos, fraude com commodities e fraude eletrônica. Van Dyke declarou-se inocente.

*Matéria publicada na Forbes.com

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