Neste sábado (4), se iniciam as oitavas de final da Copa do Mundo 2026. O primeiro jogo ocorre às 14h (horário de Brasília), entre Canadá e Marrocos.
Quatro horas depois, às 18h, Paraguai e França se enfrentam pelo segundo jogo da rodada.
Os dois confrontos reúnem histórias, mercados e economias distintas em campo. No caso do Canadá, por exemplo, trata-se de uma seleção que jogou apenas três edições do torneio na história (sendo a de 2026 uma delas).
Por outro lado, a França apresenta ampla tradição no futebol, com duas taças, uma ganha em 1998 e outra em 2018. A equipe segue como uma das favoritas a vencer o torneio.
Vale lembrar que esta é a segunda fase de eliminatórias do torneio. Isso se dá pelo fato de que o que a Copa do Mundo de 2026 é a primeira edição com 48 seleções e foi distribuída entre três países anfitriões: Estados Unidos, Canadá e México.
O formato expandido criou uma fase de grupos com 12 chaves de quatro times, seguida de uma rodada de 32 antes das oitavas, com 16 jogos — estrutura inédita que aumentou o número de partidas eliminatórias e, com elas, o volume de receita do torneio.
A FIFA projeta arrecadação recorde de US$ 11 bilhões nesta edição, ante US$ 7,5 bilhões em 2022.
Abaixo, veja os perfis dos quatro times que entram em campo no dia 4 de julho, com escalações, curiosidades financeiras e histórico de cada seleção em copas.
Canadá
Escalação (último jogo: Canadá 1 x 0 África do Sul):
- Maxim Crépeau
- Alistair Johnston
- Derek Cornelius
- Luc de Fougerolles
- Richie Laryea
- Stephen Eustáquio
- Ali Ahmed
- Tajon Buchanan
- Liam Millar
- Jonathan David
- Cyle Larin
O Canadá disputou sua primeira Copa do Mundo em 1986, no México, e saiu na fase de grupos sem pontuar.
A participação seguinte veio apenas em 2022, no Catar, 36 anos depois.
Nessa edição em questão, a seleção voltou a ser eliminada na fase inicial. O Canadá sofreu três derrotas na fase de grupos (para Bélgica, Croácia e Marrocos) e marcou dois gols.
A chegada à Copa de 2026, disputada em casa (com os Estados Unidos e o México como coanfitriões), representa o maior ciclo de visibilidade da seleção na história do país.
O futebol canadense tem crescido como mercado. A Major League Soccer (MLS) conta com três franquias canadenses — Toronto FC, CF Montréal e Vancouver Whitecaps.
O PIB per capita do Canadá, de aproximadamente US$ 53 mil (Banco Mundial, 2023), coloca o país entre os de maior poder de consumo no torneio, com um mercado de patrocínios esportivos estimado em mais de US$ 3 bilhões anuais pela PwC.
O Canadá é a décima maior economia do mundo em PIB nominal, com aproximadamente US$ 2,1 trilhões (dados do FMI de 2024), e tem no setor de recursos naturais uma de suas principais bases: o país detém as terceiras maiores reservas provadas de petróleo do planeta, atrás apenas de Venezuela e Arábia Saudita.
Ao mesmo tempo, é um dos maiores exportadores globais de madeira, potássio e urânio. Toronto abriga a terceira maior bolsa de valores das Américas por capitalização de mercado, a TSX, com mais de 1,8 mil empresas listadas e foco histórico em mineração e energia.
A probabilidade de vitória canadense nesta oitava de final é de 19%, segundo modelo estatístico da SportRadar.
Marrocos
Escalação (último jogo: Países Baixos 1 x 1 Marrocos, vitória nos pênaltis):
- Yassine Bounou
- Achraf Hakimi
- Issa Diop
- Chadi Riad
- Noussair Mazraoui
- Ayyoub Bouaddi
- Bilal El Khannouss
- Neil El Aynaoui
- Azzedine Ounahi
- Brahim Díaz
- Ismael Saibari
Marrocos figura entre as seleções africanas com maior número de participações em Copas do Mundo, com sete no total (1970, 1986, 1994, 1998, 2018, 2022 e 2026).
Em 1986, foi a primeira seleção africana a se classificar para as oitavas de final, superando a fase de grupos com Inglaterra, Polônia e Portugal.
A campanha histórica mais recente foi em 2022, no Catar, quando o time chegou às semifinais pela primeira vez, eliminando Espanha e Portugal, e derrotando a Bélgica, antes de perder para a França. Foi o melhor resultado de uma seleção africana na história dos Mundiais.
A economia marroquina tem utilizado o futebol como vetor de projeção internacional. O país co-sediará a Copa do Mundo de 2030, ao lado de Portugal, Espanha e três nações sul-americanas (Argentina, Uruguai e Paraguai).
A SportRadar atribui ao Marrocos 53% de probabilidade de vitória contra o Canadá.
A seleção encerrou a fase de grupos invicta em 90 minutos — empate com o Brasil (1×1), vitória sobre a Escócia (1×0) e vitória sobre o Haiti (4×2) — eliminando nos pênaltis os Países Baixos na fase de 16, em uma partida que havia terminado em 1×1 no tempo regulamentar.
Na economia, Marrocos controla entre 70% e 75% das reservas mundiais conhecidas de fosfato, mineral essencial para a produção de fertilizantes agrícolas, o que coloca o país em posição estratégica no mercado global de segurança alimentar.
A estatal OCP Group figura entre as maiores empresas de fertilizantes do mundo por receita.
Paraguai
Escalação (último jogo: Alemanha 1 x 1 Paraguai, vitória nos pênaltis):
- Orlando Gill
- Juan José Cáceres
- José Canale
- Gustavo Gómez
- Junior Alonso
- Damián Bobadilla
- Matías Galarza
- Andrés Cubas
- Miguel Almirón
- Julio Enciso
- Gabriel Ávalos
O Paraguai disputou oito Copas do Mundo, no total. A melhor campanha ocorreu em 2010, na África do Sul, quando chegou às quartas de final pela primeira vez. Nesta edição, a seleção foi eliminada pela Espanha por 1 a 0 – seleção europeia que viria a ser campeã.
Antes disso, alcançou as oitavas em 1986 e 1998. A seleção ficou de fora dos torneios de 2014, 2018 e 2022.
As chances do Paraguai nesta oitava são de 5,6%, de acordo com a SportRadar. A seleção chegou até aqui com uma campanha relativamente irregular, com derrota para os EUA (4×1), vitória sobre a Turquia (1×0), empate com a Austrália (0x0) e classificação nos pênaltis após empatar com a Alemanha (1×1).
Olhando para o aspecto econômico, o Paraguai é o sexto maior exportador de energia elétrica do mundo, com geração quase integralmente hidrelétrica.
A Itaipu Binacional, compartilhada com o Brasil, foi por décadas a maior usina hidrelétrica do planeta em geração anual. Hoje em dia, a Hidrelétrica de Três Gargantas, localizada na província de Hubei, na China, detém esse título.
O excedente de energia que o Paraguai não consome internamente é vendido ao Brasil e à Argentina por contrato, e representa uma das principais fontes de receita do país. A tarifa de energia local, entre as mais baixas do mundo, também atraiu mineradoras de criptomoedas em larga escala na última década.
França
Escalação (último jogo: França 3 x 0 Suécia):
- Mike Maignan
- Jules Koundé
- William Saliba
- Dayot Upamecano
- Lucas Digne
- Aurélien Tchouaméni
- Adrien Rabiot
- Michael Olise
- Bradley Barcola
- Ousmane Dembélé
- Kylian Mbappé
A França é bicampeã mundial. Venceu em 1998 (como anfitriã) e em 2018 (na Rússia).
Em 2006, chegou à final, quando perdeu para a Itália nos pênaltis. Em 2022, também chegou na final, mas foi superada pela Argentina.
A geração atual reúne atletas que participaram das campanhas de 2018 e 2022, com um núcleo experiente e jovens da base europeia.
Do ponto de vista econômico, a liga francesa (Ligue 1) tem menor poder de receita do que as grandes ligas europeias, mas exporta continuamente atletas de alto valor.
Kylian Mbappé, capitão da seleção e um dos atletas com maior valor de mercado global, tem patrimônio estimado entre US$ 200 e US$ 250 milhões. O francês tem contratos de patrocínio que incluem Nike, Hublot e outras marcas de luxo. Ele está eentre os atletas mais bem pagos do mundo em 2026, conforme levantamento da Forbes.
A Nike tem contrato com a federação francesa que é um dos mais valiosos do futebol europeu — estimado em cerca de 50 milhões de euros por temporada.
A SportRadar atribui à França 81,3% de probabilidade de classificação. A seleção foi a mais dominante entre as quatro da fase de grupos: goleou Senegal (3×1), Iraque (3×0) e Noruega (4×1), e encerrou com vitória sobre a Suécia (3×0). Nos quatro jogos, somou 13 gols marcados e apenas 1 sofrido.
No lado econômico, a França é a sétima maior economia do mundo e a segunda da União Europeia, com PIB de aproximadamente US$ 3,1 trilhões (dados do FMI de 2024).
O país concentra o maior número de empresas do setor de bens de luxo entre as nações do torneio: o grupo LVMH, controlado por Bernard Arnault, é a maior empresa de luxo do mundo por capitalização de mercado e tem sede em Paris.