Bom dia. Estamos na sexta-feira, 24 de julho.
Cenários
As ações brasileiras iniciam a sessão em baixa no pré-mercado, com os investidores atentos ao impacto potencial da nova rodada de tarifas anunciada na quinta-feira (23) pelo governo de Donald Trump. As tarifas entraram em vigor à zero hora desta sexta-feira.
Importações de 60 a 80 países, incluindo Canadá, México e União Europeia, estão sujeitas a impostos entre 10% e 12,5%. Separadamente, Trump também elevou para 50% a tarifa sobre veículos, bebidas alcoólicas e laticínios do Canadá, com vigência a partir de 19 de agosto.
As tarifas visam combater práticas injustas, especialmente a ausência de repressão ao trabalho forçado e substituem a taxa universal de 10% que Trump havia imposto em fevereiro, sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, logo depois de a Suprema Corte considerar ilegal o uso anterior de poderes de emergência para aplicar tarifas globais.
Desta vez, o governo recorreu à Seção 301 da mesma lei, mecanismo usado com pouca frequência até a atual gestão, que permite tarifas contra países que não reprimem adequadamente o trabalho forçado em suas cadeias de produção.
Jamieson Greer, do United States Trade Representative (USTR) afirmou que o país mantém proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado há quase um século e cobrou que os parceiros comerciais façam o mesmo. Advogados de comércio internacional já apontam que a nova rodada deve enfrentar novos questionamentos judiciais.
Autoridades dos principais parceiros comerciais reagiram com críticas, mas sem sinalizar retaliação. O Japão classificou as tarifas como lamentáveis. A Austrália considerou a medida injustificada. O governo brasileiro classificou as tarifas de arbitrárias.
A reação dos mercados foi variada. Na Ásia, as bolsas fecharam em forte queda. O Nikkei, da Bolsa de Tóquio, recuou perto de 3%. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu mais de 4,5% e chegou a acionar circuit breakers.
A pressão veio de três frentes somadas. Além das tarifas, também houve a influência da forte queda das ações de empresas de tecnologia americanas na quinta-feira. A baixa foi puxada por Alphabet e Tesla, em meio a temores sobre o volume de gastos com inteligência artificial. O terceiro motivo foi a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar o petróleo.
Na Europa, o movimento foi oposto: as bolsas operam em alta nesta manhã. A chefe de política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, disse que o bloco vai buscar esclarecimentos junto a Washington, reforçando que a UE vinha cumprindo os compromissos do acordo comercial transatlântico fechado no ano passado.
Os preços do petróleo recuam cerca de 2%, com o Brent caindo para US$ 98,20 por barril depois de ter tocado os US$ 100 na quinta-feira. As cotações acumulam alta de mais de 13% na semana devido aos ataques houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho e à ameaça de Trump de intensificar os ataques ao Irã.
A imposição de novas tarifas é potencialmente inflacionária, pois aumenta o custo dos produtos para os consumidores dos Estados Unidos. Inflação em alta tende a reforçar as expectativas de alta dos juros, o que leva a quedas nos preços das ações. Mesmo assim, os contratos futuros dos principais índices de ações americanos estão em leve alta no pré-mercado.
Essa recuperação tem menos a ver com as tarifas em si e mais com a tentativa de estabilização depois da forte queda das ações das gigantes de tecnologia na quinta-feira. Os investidores também aguardam a leitura prévia dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços e indústria de julho, além de balanços do segundo trimestre de empresas como American Express, NextEra Energy e Verizon.
Perspectivas
As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, está em uma forte queda de 1,2% nesta manhã.
Indicadores
BRASIL
Sem indicadores relevantes
ESTADOS UNIDOS
Licenças de Construção (Jun)
Esperado: 1,367 milhão
Anterior: 1,410 milhão
PMI Industrial (Jul)
Esperado: 54,4
Anterior: 53,9
PMI do Setor de Serviços (Jul)
Esperado: 51,3
Anterior: 51,2
PMI Composto S&P Global (Jul)
Esperado: ND
Anterior: 51,9