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Brasileiros de 25 a 44 Anos Têm o Pior Planejamento Financeiro

O grupo de 25 a 44 anos não é necessariamente o que menos controla o dinheiro, mas é o que precisa conciliar mais obrigações enquanto ainda constrói patrimônio

6 min

Os brasileiros de 25 a 44 anos enfrentam a maior sobrecarga financeira entre as faixas etárias analisadas pelo Índice Planejar. O grupo recebeu 51,3 pontos, o menor resultado do levantamento, que avalia desde a organização das contas até a capacidade de enfrentar imprevistos e se preparar para a aposentadoria.

A explicação está na sobreposição de responsabilidades. É nessa etapa que despesas com filhos, financiamentos de longo prazo e decisões ligadas à formação de patrimônio costumam avançar ao mesmo tempo. A carreira, porém, ainda pode estar em consolidação, enquanto o patrimônio acumulado nem sempre é suficiente para absorver esses compromissos.

O índice foi criado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, a Planejar, a partir de uma pesquisa encomendada ao Datafolha. Foram entrevistadas 2 mil pessoas das classes A, B e C com acesso à internet. A coleta ocorreu entre os dias 16 e 29 de julho de 2025.

A nota geral foi de 52,7 pontos, em uma escala de zero a 100. Durante a apresentação do estudo, o consultor Hilton Notini, responsável pelo desenvolvimento técnico da metodologia, afirmou que o resultado ainda está distante de representar um planejamento financeiro sólido.

“Qual que é o ponto ideal? Não existe um ponto ideal, mas a gente sabe: quanto maior, mais planejado está. 52 é um valor bom? Entendo que não seja muito bom, porque você está numa metade de uma régua”, disse.

A idade não resolve o problema sozinha

Os resultados mostram que o planejamento financeiro não melhora de forma linear conforme as pessoas envelhecem. Os entrevistados de 18 a 24 anos alcançaram 53,6 pontos, superando a faixa seguinte.

Entre aqueles de 45 a 60 anos, a nota ficou em 53 pontos. O melhor resultado foi registrado pelo grupo com 61 anos ou mais, que chegou a 57,6 pontos.

A distância entre a maior e a menor nota foi de 6,3 pontos. O levantamento indica que os brasileiros de 25 a 44 anos têm o pior desempenho em três áreas importantes. Na gestão orçamentária, a nota foi de 67,7 pontos. No endividamento, ficou em 45,8. Já o planejamento de longo prazo marcou 41,6.

A faixa mais jovem apresenta resultado ainda menor em reservas e resiliência, mas carrega menos responsabilidades financeiras e patrimoniais. Entre os 25 e os 44 anos, as demandas aumentam justamente quando muitas famílias ainda não tiveram tempo suficiente para construir um colchão financeiro.

Segundo Notini, o início da vida profissional tende a ser marcado por uma renda menor, que cresce com a experiência e a evolução da carreira. As responsabilidades também avançam ao longo desse processo, com a formação de família e, em alguns casos, o cuidado financeiro dos pais.

A metodologia procura capturar essa mudança. Em vez de aplicar os mesmos pesos a todas as pessoas, o índice altera a importância de cada dimensão conforme a fase da vida.

A gestão do orçamento e o endividamento têm peso maior entre os jovens. Proteção, seguros, aposentadoria e sucessão ganham relevância nas faixas mais velhas.

Organizar as contas não significa estar protegido

O estudo também revela uma diferença entre controlar as despesas e ter condições de atravessar uma crise financeira. A gestão orçamentária foi a dimensão mais bem avaliada, com 70,1 pontos. Reservas e resiliência ficaram na última posição, com 39,3.

Proteção e seguros alcançaram 63 pontos. O endividamento recebeu 47,8, enquanto o planejamento de longo prazo registrou 43,3.

O contraste fica mais evidente quando o índice analisa a relação dos entrevistados com poupança e investimentos. A posse desses produtos alcançou uma nota de 75,7 pontos. Já o fôlego financeiro para sobreviver a uma interrupção de renda recebeu apenas 21,3.

“As pessoas podem ter o produto de investimento, mas não necessariamente esse produto de investimento está traduzindo em fôlego ou uma reserva que sirva para momentos de emergência”, afirmou Notini durante a coletiva.

Isso significa que ter algum dinheiro aplicado não garante recursos suficientes para pagar as despesas após uma demissão, uma doença ou outro imprevisto. Uma pessoa pode ter uma pequena quantia na poupança e, ainda assim, não conseguir manter seu padrão de vida por alguns meses sem renda.

“Ter algum dinheiro investido é diferente de ter uma reserva capaz de sustentar a vida financeira quando a renda é interrompida. Antes de pensar apenas em rentabilidade, é preciso entender a função daquele recurso dentro do planejamento e construir segurança”, diz Ana Leoni, CEO da Planejar.

A aposentadoria ainda está distante

O planejamento para a aposentadoria aparece como outra fragilidade. A previdência privada recebeu 15,3 pontos, uma das menores notas entre os itens avaliados.

A metodologia também considera a existência de uma reserva específica para a aposentadoria, além do planejamento sucessório e da organização para custos de inventário.

Para Notini, o tempo disponível para corrigir decisões financeiras diminui com a idade. Uma pessoa mais jovem pode atravessar períodos de perdas e ainda ter vários anos de trabalho para reconstruir o patrimônio. Perto da aposentadoria, a margem para recuperar o dinheiro fica menor.

O Índice Planejar foi construído com 20 perguntas distribuídas em cinco dimensões. Ações realizadas e resultados observados recebem mais peso do que conhecimento ou intenção declarada.

“A gente quer que o índice represente cada vez mais uma ação realizada do que uma intenção. O nosso objetivo aqui é capturar a ação”, afirmou Notini.

Por ser a primeira edição, o indicador ainda não permite avaliar se o planejamento financeiro dos brasileiros melhorou ou piorou. A Planejar pretende repetir a medição periodicamente para formar uma série histórica. A pesquisa cobre adultos das classes A, B e C com acesso à internet e não inclui as classes D e E nem brasileiros desconectados.

Ainda assim, os resultados apontam para um problema que vai além da renda. O grupo de 25 a 44 anos não é necessariamente o que menos controla o dinheiro, mas é o que precisa conciliar mais obrigações enquanto ainda constrói patrimônio. É justamente nessa fase que organizar as contas deixa de ser suficiente e a ausência de reservas passa a cobrar um preço maior.

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