Que o Seattle Seahawks mudou de mãos neste ano não foi exatamente uma surpresa — as regras da NFL que proíbem espólios de possuírem franquias significavam que o time estava destinado a ir ao mercado desde a morte do cofundador da Microsoft Paul Allen, em 2018, e os rumores começaram a circular pela liga antes da vitória dos Seahawks no Super Bowl, em fevereiro. Que o bilionário investidor de venture capital Vinod Khosla tenha, no fim, concordado em desembolsar US$ 9,6 bilhões pelo clube também não foi exatamente um choque para quem acompanha os bastidores da NFL, mesmo com o valor estabelecendo um recorde da liga para a compra de uma participação de controle.
Mas ainda é um pouco difícil compreender que uma franquia avaliada em quase US$ 10 bilhões seja agora apenas o 14º time mais valioso da NFL.
Na verdade, dez clubes — quase um terço da liga de 32 equipes — têm valores empresariais superiores a US$ 10 bilhões, apenas dois anos depois de o Dallas Cowboys se tornar a primeira franquia de qualquer esporte a ultrapassar essa marca. Hoje, os Cowboys valem US$ 17 bilhões, tendo ultrapassado três marcos bilionários desde que a Forbes os avaliou em US$ 13 bilhões, o maior valor do mundo, no ano passado.
Dallas lidera a lista da Forbes dos times mais valiosos da NFL há 20 anos consecutivos, mas o “America’s Team” continua abrindo novos caminhos. Apesar de um jejum de títulos do Super Bowl que remonta a janeiro de 1996, os Cowboys de Jerry Jones geraram quase US$ 1,28 bilhão em receita na temporada passada, segundo estimativas da Forbes, superando os US$ 1,27 bilhão do Real Madrid em 2024-25 e registrando o maior total já medido pela Forbes para uma equipe esportiva.
Dallas também registrou um lucro operacional estimado em US$ 677 milhões na temporada passada, colocando os Cowboys US$ 342 milhões à frente da segunda melhor franquia da NFL nesse quesito e tornando-os, de longe, o time esportivo mais lucrativo do mundo.
Há números impressionantes por toda a classificação da NFL de 2026, no entanto. O Cincinnati Bengals — 32º pelo quinto ano consecutivo — agora vale estimados US$ 8 bilhões, valor que teria empatado na liderança da liga em 2022.
Enquanto isso, o valor médio de uma equipe está em US$ 9,5 bilhões, alta de 34% em relação aos US$ 7,1 bilhões de 2025 — o segundo maior salto percentual da NFL desde que a Forbes começou a publicar suas avaliações de franquias, em 1998, atrás apenas do aumento de 38% registrado em 2015.
A média da liga também mais do que dobrou desde 2022, quando era de US$ 4,5 bilhões, e mais do que quadruplicou em relação a uma década atrás.
Os Seahawks dispararam 43% desde que a Forbes os avaliou em US$ 6,7 bilhões no ano passado, enquanto os Bengals registraram um ganho ainda maior, de 52%, ante US$ 5,25 bilhões em 2025. Mas os Falcons foram os que mais subiram neste ano, avançando 59% para completar o top 10, com valor de US$ 10,1 bilhões, ante US$ 6,35 bilhões.
A disparada da NFL reflete, em parte, uma realidade que nenhuma outra liga do mundo possui: com o teto salarial estabelecido em US$ 301 milhões neste ano e cada time recebendo mais de US$ 400 milhões dos direitos nacionais de mídia da liga na temporada passada, segundo estimativas da Forbes, toda franquia da NFL está essencialmente garantida a dar lucro.
E a economia deve se tornar ainda mais favorável à liga nos próximos anos, já que a NFL poderá sair de seus lucrativos contratos de televisão e renegociá-los a taxas ainda maiores depois das temporadas de 2029 e 2030, alguns anos antes de seu término previsto.
Sob o comando do comissário Roger Goodell, que recentemente assinou uma extensão de contrato até 2030, a liga trabalha intensamente para expandir o esporte no exterior, disputando um recorde de nove jogos fora dos Estados Unidos nesta temporada, incluindo o primeiro jogo da história da NFL na Austrália nesta semana.
Ela também pode contar com crescimento dentro de casa, considerando que pelo menos um clube está programado para inaugurar um estádio novo ou significativamente reformado a cada ano até 2031, começando pelo novo Highmark Stadium, do Buffalo Bills, nesta temporada.
Historicamente, melhorias nas instalações provocaram grandes aumentos em praticamente todas as categorias de receita de um time, de vendas de ingressos e assentos premium a patrocínios.
O impulso apareceu não apenas na venda dos Seahawks — negócio anunciado em julho e concluído na semana passada —, mas também nas compras de participações menores em equipes ao redor da liga.
Por exemplo, a Arctos comprou cerca de 3% do Cleveland Browns em maio, em uma avaliação de US$ 9 bilhões, segundo a Sportico, e depois fechou, em agosto, um acordo por 10% do Atlanta Falcons a uma avaliação combinada de US$ 10,6 bilhões, segundo a CNBC.
Isso daria à empresa participações em quatro times da NFL, enquanto ela continua aproveitando as mudanças nas regras da liga feitas em 2024 que permitiram a entrada de investidores de private equity entre os proprietários.
Enquanto isso, o Las Vegas Raiders teria alcançado avaliações de US$ 9,9 bilhões e US$ 11 bilhões em transações minoritárias separadas na primavera, e uma fatia da holding por trás do Miami Dolphins — junto com seu estádio e outros ativos — teria sido negociada por US$ 12,5 bilhões em março.
Esses negócios ajudaram a redefinir o mercado das equipes da NFL, quatro anos depois de Rob Walton adquirir o Denver Broncos por um recorde da liga de US$ 4,65 bilhões.
O acordo do bilionário herdeiro do Walmart avaliou Denver em 8,8 vezes sua receita estimada da temporada anterior, pouco acima da média da NFL em 2022, de 8,3 vezes, segundo estimativas da Forbes.
Hoje, a avaliação de US$ 9,4 bilhões dos Broncos corresponde a 13,5 vezes a receita dos últimos 12 meses, enquanto a média da liga é apenas ligeiramente menor, em 13,4 vezes. A venda dos Seahawks teve um múltiplo ainda maior, de 14,6 vezes.
A disparada é um sinal claro do crescente apetite dos investidores por equipes da NFL e representa uma mudança importante para uma liga que, apesar de suas vantagens financeiras, ficou atrás da NBA em múltiplos médios desde 2011.
As avaliações da NBA feitas pela Forbes em 2025 tinham um múltiplo médio de 12,9 vezes, embora o acordo de US$ 12,5 bilhões de Josh Kushner e Bob Iger pelo Los Angeles Lakers, em agosto, também vá elevar essa liga.
Entre outras ligas esportivas acompanhadas pela Forbes, apenas a WNBA chega perto atualmente, com múltiplo médio de 12,5 vezes — uma comparação um tanto surpreendente considerando que um esporte está firmemente em modo de crescimento e o outro existe há mais de um século.
As tendências de cada liga naturalmente se influenciam, à medida que franquias se tornam uma verdadeira classe de ativos, desejadas por investidores profissionais e com muito capital, e compradores determinam suas ofertas em parte com base nos preços de clubes comparáveis em todo o cenário esportivo.
Por mais invejável que seja o negócio da NFL — com a receita de toda a liga superando US$ 22 bilhões na temporada passada, segundo estimativas da Forbes, incluindo dinheiro acumulado pelas equipes com shows e outros eventos não relacionados à NFL em seus estádios —, o maior fator por trás dos ganhos de avaliação pode ser simplesmente a escassez.
Ao contrário de MLB, MLS, NBA e NHL, que discutiram publicamente a possibilidade de adicionar equipes em um futuro próximo, a NFL não parece ter qualquer interesse iminente em expandir além das 32 franquias.
O grupo atual de proprietários também não parece ter pressa em abrir mão de suas posições privilegiadas — 23 dos 32 times da liga pertencem à mesma pessoa ou família há pelo menos 20 anos.
Somando tudo isso, a NFL estabeleceu um piso de US$ 8 bilhões — patamar que atualmente apenas cinco equipes de qualquer outro esporte conseguem superar.
Os times mais valiosos da NFL em 2026
- US$ 17 bilhões – Dallas Cowboys
Variação em um ano: 31% | Receita: US$ 1,278 bilhão | Lucro operacional: US$ 677 milhões | Proprietário: Jerry Jones
- US$ 13,5 bilhões – Los Angeles Rams
Variação em um ano: 29% | Receita: US$ 898 milhões | Lucro operacional: US$ 335 milhões | Proprietário: E. Stanley Kroenke
- US$ 12 bilhões – New York Giants
Variação em um ano: 19% | Receita: US$ 769 milhões | Lucro operacional: US$ 181 milhões | Proprietários: John Mara, Steven Tisch
- US$ 10,6 bilhões – New England Patriots
Variação em um ano: 18% | Receita: US$ 784 milhões | Lucro operacional: US$ 186 milhões | Proprietário: Robert Kraft
- US$ 10,5 bilhões – San Francisco 49ers
Variação em um ano: 22% | Receita: US$ 752 milhões | Lucro operacional: US$ 126 milhões | Proprietária: família York
- US$ 10,4 bilhões – Miami Dolphins
Variação em um ano: 39% | Receita: US$ 810 milhões | Lucro operacional: US$ 198 milhões | Proprietário: Stephen Ross
- US$ 10,35 bilhões – New York Jets
Variação em um ano: 28% | Receita: US$ 716 milhões | Lucro operacional: US$ 216 milhões | Proprietária: família Johnson
- US$ 10,3 bilhões – Las Vegas Raiders
Variação em um ano: 34% | Receita: US$ 887 milhões | Lucro operacional: US$ 191 milhões | Proprietário: Mark Davis
- US$ 10,25 bilhões – Philadelphia Eagles
Variação em um ano: 23% | Receita: US$ 713 milhões | Lucro operacional: US$ 154 milhões | Proprietário: Jeffrey Lurie
- US$ 10,1 bilhões – Atlanta Falcons
Variação em um ano: 59% | Receita: US$ 805 milhões | Lucro operacional: US$ 240 milhões | Proprietário: Arthur Blank
- US$ 9,8 bilhões – Washington Commanders
Variação em um ano: 29% | Receita: US$ 694 milhões | Lucro operacional: US$ 121 milhões | Proprietário: Josh Harris
- US$ 9,7 bilhões – Chicago Bears
Variação em um ano: 18% | Receita: US$ 656 milhões | Lucro operacional: US$ 73 milhões | Proprietária: família McCaskey
- US$ 9,65 bilhões – Houston Texans
Variação em um ano: 30% | Receita: US$ 722 milhões | Lucro operacional: US$ 160 milhões | Proprietário: Cal McNair
- US$ 9,6 bilhões – Seattle Seahawks
Variação em um ano: 43% | Receita: US$ 659 milhões | Lucro operacional: US$ 131 milhões | Proprietária: família Khosla
- US$ 9,4 bilhões – Denver Broncos
Variação em um ano: 38% | Receita: US$ 695 milhões | Lucro operacional: US$ 97 milhões | Proprietário: Greg Penner
- US$ 9,1 bilhões – Tampa Bay Buccaneers
Variação em um ano: 38% | Receita: US$ 657 milhões | Lucro operacional: US$ 95 milhões | Proprietária: família Glazer
- US$ 9 bilhões – Cleveland Browns
Variação em um ano: 41% | Receita: US$ 720 milhões | Lucro operacional: US$ 110 milhões | Proprietários: Dee e Jimmy Haslam
- US$ 8,8 bilhões – Kansas City Chiefs
Variação em um ano: 42% | Receita: US$ 644 milhões | Lucro operacional: US$ 51 milhões | Proprietária: família Hunt
- US$ 8,7 bilhões Pittsburgh Steelers
Variação em um ano: 34% | Receita: US$ 653 milhões | Lucro operacional: US$ 74 milhões | Proprietários: Arthur Rooney II, Daniel Rooney Trust
- US$ 8,6 bilhões – Green Bay Packers
Variação em um ano: 29% | Receita: US$ 753 milhões | Lucro operacional: US$ 73 milhões | Proprietários: acionistas
- US$ 8,5 bilhões – Tennessee Titans
Variação em um ano: 35% | Receita: US$ 607 milhões | Lucro operacional: US$ 85 milhões | Proprietária: Amy Adams Strunk
- US$ 8,3 bilhões – Los Angeles Chargers
Variação em um ano: 38% | Receita: US$ 623 milhões | Lucro operacional: US$ 57 milhões | Proprietário: Dean Spanos
- US$ 8,25 bilhões – Minnesota Vikings
Variação em um ano: 32% | Receita: US$ 640 milhões | Lucro operacional: US$ 25 milhões | Proprietária: família Wilf
- US$ 8,2 bilhões – Baltimore Ravens
Variação em um ano: 34% | Receita: US$ 656 milhões | Lucro operacional: US$ 77 milhões | Proprietário: Stephen Biscotti
- US$ 8,15 bilhões – Buffalo Bills
Variação em um ano: 37% | Receita: US$ 617 milhões | Lucro operacional: US$ 58 milhões | Proprietários: Terrence e Kim Pegula
- US$ 8,1 bilhões – Carolina Panthers
Variação em um ano: 42% | Receita: US$ 646 milhões | Lucro operacional: US$ 88 milhões | Proprietário: David Tepper
- US$ 8,08 bilhões – Indianapolis Colts
Variação em um ano: 37% | Receita: US$ 626 milhões | Lucro operacional: US$ 81 milhões | Proprietária: família Irsay
- US$ 8,06 bilhões – Arizona Cardinals
Variação em um ano: 47% | Receita: US$ 600 milhões | Lucro operacional: US$ 119 milhões | Proprietário: Michael Bidwill
- US$ 8,05 bilhões – Jacksonville Jaguars
Variação em um ano: 44% | Receita: US$ 591 milhões | Lucro operacional: US$ 31 milhões | Proprietário: Shahid Khan
- US$ 8,04 bilhões – Detroit Lions
Variação em um ano: 49% | Receita: US$ 617 milhões | Lucro operacional: US$ 53 milhões | Proprietária: família Ford
- US$ 8,02 bilhões – New Orleans Saints
Variação em um ano: 51% | Receita: US$ 642 milhões | Lucro operacional: US$ 165 milhões | Proprietária: Gayle Benson
- US$ 8 bilhões – Cincinnati Bengals
Variação em um ano: 52% | Receita: US$ 613 milhões | Lucro operacional: US$ 71 milhões | Proprietário: Michael Brown
Metodologia
As avaliações dos times da NFL feitas pela Forbes são valores empresariais — patrimônio líquido mais dívida líquida — baseados em transações históricas e na economia futura da liga e de cada equipe.
Receita e lucro operacional — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — são estimados para a temporada de 2025 e já descontam o serviço da dívida dos estádios.
A dívida inclui tanto a dívida das equipes quanto a dívida dos estádios com recurso aos proprietários das equipes. A Forbes apresenta seus números de lucros e perdas com base no regime de caixa, e não no regime de competência. A receita dos playoffs é excluída.
Os valores das franquias refletem a economia do estádio de cada equipe — incluindo receita proveniente de eventos não relacionados à NFL que vai para o proprietário do time —, mas não incluem o valor imobiliário do próprio estádio.
As avaliações também excluem outros negócios relacionados à equipe que possuem demonstrações financeiras separadas, como The Star, sede e distrito de entretenimento do Dallas Cowboys.
Os valores das equipes são arredondados para os US$ 10 milhões mais próximos, enquanto receita e lucro operacional estimados são arredondados para o US$ 1 milhão mais próximo.
As fontes das avaliações da NFL feitas pela Forbes incluem executivos de equipes, banqueiros especializados em esportes e consultores da liga; documentos públicos, como contratos de locação de estádios e relatórios de classificação de crédito; além de executivos das indústrias de patrocínio e transmissão.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com