Na quinta-feira (30), o Banco Santander confirmou que quer comprar a fatia que ainda não controla no Santander Brasil (SANB11), hoje em torno de 10% do capital total.
A proposta prevê troca de papéis. Investidores que aderirem à oferta receberão novas ações emitidas pela matriz espanhola, entregues na forma de BDRs ou ADSs. O valor total da operação pode chegar a 1,9 bilhão de euros.
O anúncio veio logo depois de um trimestre difícil para o banco brasileiro. Na quarta-feira, o Santander Brasil divulgou o resultado mais fraco desde o fim de 2023, abaixo das projeções dos analistas e afetado por provisões mais altas. As units da instituição recuaram quase 8% naquele pregão. Na quinta, a queda foi de 1,5%, com os papéis cotados a R$ 25,25.
Desde a estreia na B3 em 2009, as units acumulam perda superior a 21% neste ano. No mesmo período, o Ibovespa avança perto de 10%.
Detalhes
A oferta não exige adesão mínima dos acionistas para ser concluída, o que, na visão do mercado, restringe a capacidade de negociação dos minoritários.
Pela relação de troca definida, cada ação ordinária ou preferencial do Santander Brasil dá direito a 0,2028 BDR ou ADS do banco espanhol. Já as units, que representam duas ações, têm equivalência de 0,4056.
Em comunicado, o Santander afirmou que a operação reforça a aposta na subsidiária brasileira e abre a acionistas locais a possibilidade de participar diretamente de um dos maiores grupos financeiros do planeta.
A listagem na B3 deve continuar normalmente. Já os ADSs negociados na Bolsa de Nova York podem sair de circulação por lá, dependendo da adesão dos investidores americanos à oferta. Nesse cenário, o registro da companhia junto à SEC também poderia ser cancelado.
O caso brasileiro lembra o que já ocorreu no México. Em 2023, o Santander retirou sua operação local da bolsa mexicana.