Há 12 anos, a Forbes mantém uma parceria com a TrueBridge Capital Partners para destacar as empresas com maior probabilidade de se tornarem unicórnios em um futuro próximo. Para se qualificar, as startups precisam ter recebido investimentos de venture capital, estar sediadas nos Estados Unidos e ser avaliadas em menos de US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões).
Um sinal dos tempos: quase todas as integrantes da lista deste ano utilizam inteligência artificial de alguma forma, em áreas que vão de medula óssea e ameaças biológicas a segurança cibernética e design criativo.
Nosso histórico chama a atenção: das 275 empresas que já passaram pela lista, 60% efetivamente se tornaram unicórnios, incluindo nomes conhecidos como Duolingo e DoorDash. Outras 60 foram compradas ou passaram por fusões. Quase metade das selecionadas no ano passado já vale mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões). E houve surpreendentemente poucos desastres: apenas seis companhias, o equivalente a aproximadamente 2%, entraram em colapso ou encerraram as atividades.
Abby Care
Fundadora: Havi Nguyen
Principais investidores: Khosla Ventures, Sequoia Capital, Thrive Capital
Capital captado: US$ 45 milhões (R$ 228,6 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 225 milhões (R$ 1,143 bilhão)
Filha de imigrantes vietnamitas, Havi Nguyen, de 26 anos, cresceu cuidando das questões relacionadas ao Medicaid de sua família enquanto trabalhava no salão de manicure dos pais. Formada pela Universidade Columbia, ela conseguiu estágios de verão no Google e no Facebook e teve a ideia de criar a Abby Care quando trabalhava em uma startup de terapia e enfrentou dificuldades para encontrar atendimento domiciliar para crianças autistas.
Nguyen fundou a empresa em 2021 para ajudar familiares de pessoas com deficiência ou idosos a se capacitarem e se tornarem cuidadores remunerados. A companhia utiliza recursos do Medicaid para pagar a essas pessoas pelo atendimento que elas já prestariam de qualquer maneira.
Apoiada por investidores de primeira linha, como Sequoia Capital, Thrive Capital e Khosla Ventures, a empresa também oferece aos cuidadores acesso a um aplicativo que centraliza folhas de ponto, registros de atendimento e perguntas para um assistente com inteligência artificial.
A Abby Care pretende construir um marketplace de cuidadores clínicos, assim como a Uber fez com motoristas e o Airbnb, com hospedagens.
“Por que simplesmente não reinventamos um novo modelo de atendimento ou um sistema de saúde no qual possamos aproveitar o cuidador familiar ou o pai e a mãe que realmente conhecem melhor o paciente?”, questiona Nguyen.
American Terawatt

Fundadores: Ron Bhattacharyay, Ricky Moezinia, Rob Parker e Anton Troynikov, CEO
Principais investidores: Altimeter Capital, Founders Fund
Capital captado: US$ 52 milhões (R$ 264,16 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 350 milhões (R$ 1,778 bilhão)
A startup, sediada em São Francisco, pretende abastecer data centers de inteligência artificial com mais eficiência por meio da construção de novas redes que forneçam eletricidade em corrente contínua.
Equipamentos eletrônicos como celulares e computadores precisam de energia estável em corrente contínua, sem oscilações. Normalmente, esses aparelhos convertem a corrente alternada das tomadas por meio de carregadores ou componentes internos.
Como uma quantidade significativa de energia é perdida nessa conversão, a American Terawatt acredita que uma rede exclusiva de corrente contínua, formada por linhas de transmissão subterrâneas conectando data centers, permitiria economizar muita eletricidade e contribuiria para a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados de IA.
Liderada por Troynikov, de 38 anos, que anteriormente criou a Chroma — um banco de dados vetorial utilizado por modelos de IA para memória e armazenamento —, a empresa pretende começar usando equipamentos de fornecedores terceirizados. Mais adiante, planeja fabricar os próprios conversores.
Clair

Fundadores: Alex Kostecki, Erich Nussbaumer e Nico Simko, CEO
Principais investidores: Founder Collective, Kairos, Thrive Capital, Upfront Ventures, Walkabout Ventures
Capital captado: US$ 69 milhões (R$ 350,52 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 145 milhões (R$ 736,6 milhões)
Uma conta inesperada, mesmo que seja de apenas algumas centenas de dólares, pode provocar uma crise para trabalhadores pagos por hora que tenham pouca reserva financeira, afirma Simko.
Por isso, em 2019, ele cofundou a Clair, sediada em Nova York, para permitir que esses profissionais recebam parte do salário antes da data habitual de pagamento. Integrada a plataformas de folha de pagamento já existentes, como a ADP, a Clair verifica o vínculo empregatício e analisa a remuneração para calcular imediatamente quanto pode antecipar. Em geral, o valor equivale a entre 30% e 50% dos ganhos diários.
Cogent Security

Vineet Edupuganti, cofundador e CEO da Cogent Security
Fundadores: Thanos Baskous, Vineet Edupuganti, CEO, e Geng Sng
Principais investidores: Bain Capital Ventures, Greylock
Capital captado: US$ 53 milhões (R$ 269,24 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 320 milhões (R$ 1,6256 bilhão)
Os agentes de IA da Cogent identificam vulnerabilidades críticas de segurança, determinam quais devem ser priorizadas e ajudam as equipes de tecnologia a corrigi-las, segundo o CEO Vineet Edupuganti.
Antes de cofundar a Cogent, em 2024, o executivo trabalhou na Abnormal, unicórnio especializado em segurança de e-mails com inteligência artificial. Entre os clientes estão a fabricante de óleos para motores Valvoline, a University of the Pacific e cassinos de Las Vegas cujos nomes não foram divulgados.
Crosby

Fundadores: Ryan Daniels, CEO, e John Sarihan
Principais investidores: Bain Capital Ventures, Index Ventures, Lux Capital, Sequoia Capital
Capital captado: US$ 85 milhões (R$ 431,8 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 400 milhões (R$ 2,032 bilhões)
Na Crosby, escritório de advocacia com inteligência artificial sediado em Nova York, os advogados não passam horas examinando documentos ou revisando contratos. Em vez disso, gerenciam agentes de IA que fazem marcações em acordos de confidencialidade e contratos de prestação de serviços, acrescentando comentários e sugestões.
Ao contrário dos escritórios tradicionais, que cobram por hora, a Crosby estabelece uma tarifa fixa para cada contrato revisado por seus agentes. A companhia tem 130 clientes, entre eles as startups de IA Cursor, Cognition e Clay.
“Não somos incentivados a revisar o mesmo documento várias vezes. Recebemos uma única vez”, afirma o CEO Ryan Daniels, ex-advogado que diz que os agentes encontram problemas em questão de horas, e não de dias ou semanas.
DepthFirst

Fundadores: Andrea Michi, Qasim Mithani, CEO, e Daniele Perito
Principais investidores: Accel, Meritech Capital
Capital captado: US$ 120 milhões (R$ 609,6 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 580 milhões (R$ 2,9464 bilhões)
A inteligência artificial já é melhor do que a maioria dos seres humanos quando o assunto é invadir sistemas. Essa constatação levou os fundadores da DepthFirst a desenvolver os próprios modelos de IA, voltados à identificação de vulnerabilidades em softwares críticos e à apresentação de correções.
Com passagens pelo Google DeepMind, pela gigante de pagamentos Block e pela empresa de análise de dados Databricks, os três fundadores têm a ambiciosa meta de evitar desastres cibernéticos viabilizados pela IA por meio de sistemas capazes de aprender de forma autônoma.
Criada em outubro de 2024 e sediada em São Francisco, a companhia tem mais de 20 clientes, incluindo empresas de grande porte como Lovable, Ripple e ServiceNow.
Elorian AI

Fundadores: Andrew Dai, CEO, Seth Neel e Yinfei Yang
Principais investidores: Altimeter Capital, Menlo Ventures, Striker Venture Partners
Capital captado: US$ 55 milhões (R$ 279,4 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 300 milhões (R$ 1,524 bilhão)
Para explicar o valor da Elorian, startup de IA que saiu do modo discreto em abril, o CEO Andrew Dai, ex-pesquisador do Google DeepMind, sugere pensar em uma baliza.
“Quando você estaciona um carro, não raciocina em forma de texto sobre como fazer isso”, afirma. “Você olha para os retrovisores e visualiza a situação. Em que ângulo preciso virar as rodas?”
É justamente uma IA com esse tipo de compreensão tridimensional do mundo físico, em vez de depender de textos como fazem o ChatGPT e o Claude, que a Elorian pretende desenvolver.
Robótica e engenharia são as aplicações mais evidentes, mas a tecnologia também poderia ser usada para ajudar uma pessoa a comprar um sofá novo, mostrando como o móvel ficaria dentro de seu apartamento.
FleetWorks

Fundadores: Paul Singer, CEO, e Quang Tran
Principal investidor: First Round Capital
Capital captado: US$ 17 milhões (R$ 86,36 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 75 milhões (R$ 381 milhões)
O setor norte-americano de transporte rodoviário de cargas é gigantesco e movimentou US$ 900 bilhões (R$ 4,572 trilhões) no ano passado. Ainda assim, conectar corretores de frete e transportadoras continua sendo um processo trabalhoso, apesar das tentativas da Uber Freight e de outras empresas de simplificá-lo com soluções tecnológicas.
Paul Singer, CEO da FleetWorks e ex-funcionário da Uber Freight, está convencido de que sua startup de inteligência artificial, criada há dois anos, mudará esse cenário. A plataforma utiliza agentes de IA que operam 24 horas por dia para telefonar, enviar e-mails ou trocar mensagens com motoristas interessados em contratar serviços de transporte.
“Somos um assistente de despacho que está sempre disponível. Recebemos dados dos dois lados e facilitamos a formação de parcerias em dezenas de milhares de reservas todos os dias”, afirma Singer.
Flora

Fundadores: Alex Li e Weber Wong, CEO
Principais investidores: Hanabi, Redpoint Ventures
Capital captado: US$ 52 milhões (R$ 264,16 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 260 milhões (R$ 1,3208 bilhão)
O artista Weber Wong, do Brooklyn, estudava no ITP da Universidade de Nova York, programa de pós-graduação no qual os alunos utilizam tecnologia para produzir arte, quando teve a ideia de usar inteligência artificial para ajudar equipes criativas de empresas a desenvolver projetos visuais.
Em 2024, ele cofundou a Flora, que oferece um conjunto de ferramentas de software utilizadas por designers em conjunto com modelos de IA para criar logotipos, storyboards e esboços de produtos. A plataforma permite que os profissionais colaborem nos projetos em tempo real.
Criativos de companhias como Nike, Netflix e Levi’s já utilizam o produto. Fazer parte do universo artístico se tornou uma vantagem competitiva.
“Gosto de conversar com profissionais criativos, ouvir o que eles precisam e, então, construir a solução”, diz Wong. “Porque sei que eu também gostaria de ter aquilo.”
Fortell Research

Fundadores: Andrew Casper, Matthew de Jonge, CEO, Igor Lovchinsky e Cole Morris
Principais investidores: Founders Fund, Thrive Capital, Valor Equity Partners
Capital captado: US$ 163 milhões (R$ 828,04 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 740 milhões (R$ 3,7592 bilhões)
Há mais de uma década, Matthew de Jonge, de 38 anos, teve pela primeira vez a ideia de desenvolver um aparelho auditivo melhor. A inspiração surgiu ao observar seus avós se isolarem socialmente porque a perda de audição dificultava acompanhar conversas. Naquele momento, porém, a tecnologia ainda não estava pronta.
“Em 2015, parecia ficção científica”, relembra de Jonge ao descrever o desafio de criar um aparelho capaz de distinguir diferentes sons e concentrar-se no que realmente importa, especialmente em ambientes com muito ruído, como um coquetel ou um restaurante lotado.
Depois de trabalhar no fundo de hedge Bridgewater Associates, ele atuou como gerente de produto na Butterfly Network, que desenvolvia um aparelho de ultrassom de bolso. Somente após a pandemia levar as reuniões para o Zoom, que utiliza IA para eliminar barulhos de fundo, de Jonge percebeu que finalmente seria possível desenvolver um dispositivo auditivo muito melhor.
“O Zoom é a versão mais fácil do problema, e o aparelho auditivo é a mais complicada”, afirma.
Ele lançou a Fortell no início de 2021 ao lado dos ex-colegas da Butterfly Andrew Casper, de 40 anos, e Igor Lovchinsky, de 41, que assumiram as funções de fundadores técnicos.
O desenvolvimento demorou um pouco mais do que o previsto, mas os aparelhos auditivos, lançados em dezembro, tornaram-se tão populares que está quase impossível consegui-los. Clientes como Henry Kravis, presidente bilionário da KKR, e o comediante Steve Martin pagaram US$ 6.800 (R$ 34.544) pelos dispositivos.
Atualmente, eles estão disponíveis apenas na clínica de audiologia da Fortell em Manhattan ou mediante agendamento em Greenwich, Connecticut, e Palm Beach, Flórida. A empresa planeja abrir unidades em Boston, São Francisco e Palo Alto, na Califórnia.
Segundo de Jonge, o maior obstáculo à expansão é a capacidade de contratar audiologistas para trabalhar nas novas clínicas.
Gumloop

Fundadores: Rahul Behal e Max Brodeur-Urbas, CEO
Principais investidores: Benchmark, First Round Capital, Nexus Venture Partners
Capital captado: US$ 70 milhões (R$ 355,6 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 300 milhões (R$ 1,524 bilhão)
A Gumloop foi fundada na Colúmbia Britânica, em 2023, para ajudar pessoas sem conhecimento técnico a resolver problemas por conta própria, sem precisar envolver especialistas em IA ou engenheiros.
A empresa, no entanto, quase morreu antes de nascer quando o sócio-fundador original de Brodeur-Urbas desistiu inesperadamente. Embora estivesse “arrasado”, ele foi naquele mesmo dia a um encontro de desenvolvedores de software. Lá conheceu Behal, também formado pela Universidade McGill, que se tornou seu cofundador e diretor de tecnologia.
Posteriormente transferida para São Francisco, a Gumloop foi aceita na turma de inverno de 2024 da aceleradora Y Combinator. Sua plataforma é utilizada por empresas como Shopify e Instacart.
Juicebox

Fundadores: Ishan Gupta e David Paffenholz, CEO
Principais investidores: DST Global, NFDG, Sequoia Capital
Capital captado: US$ 116 milhões (R$ 589,28 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 850 milhões (R$ 4,318 bilhões)
A inteligência artificial tornou mais fácil do que nunca enviar candidaturas a vagas de emprego. Uma consequência não planejada foi soterrar as empresas em currículos.
A Juicebox, de São Francisco, ajuda recrutadores a retomar o controle da busca por talentos ao coletar informações públicas de perfis profissionais, sites pessoais e projetos disponíveis na internet e reuni-las em dossiês. Em seguida, os recrutadores podem pesquisar o candidato mais adequado.
A companhia foi avaliada em US$ 850 milhões (R$ 4,318 bilhões) em março, depois de uma rodada de investimentos de US$ 80 milhões (R$ 406,4 milhões). Atualmente, é utilizada por mais de 5 mil clientes, incluindo Ramp e Cognition.
Lotus Health

Fundadores: KJ Dhaliwal, CEO, e Zekka Nelson
Principais investidores: CRV, Kleiner Perkins
Capital captado: US$ 41 milhões (R$ 208,28 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 150 milhões (R$ 762 milhões)
Dhaliwal cresceu traduzindo consultas médicas para o punjabi para seus pais imigrantes e sofreu duas hérnias de disco aos 18 anos. Por isso, há muito tempo desejava consertar o problemático sistema de saúde dos Estados Unidos.
Em 2024, cinco anos depois de vender seu aplicativo de relacionamentos voltado a pessoas do sul da Ásia, o Dil Mil, para o Dating.com por US$ 50 milhões (R$ 254 milhões), ele e seu ex-colega Nelson fundaram a Lotus Health AI.
A ambiciosa meta era tornar a assistência médica norte-americana mais acessível e barata para um número maior de pessoas. Treinado por médicos, o aplicativo oferece atendimento primário virtual gratuito, 24 horas por dia e sete dias por semana, em mais de 50 idiomas.
Os profissionais da plataforma conseguem acompanhar dez vezes mais pacientes do que um médico tradicional. Há, por enquanto, um grande problema: a empresa não tem receita. Dhaliwal afirma que primeiro está construindo uma base de usuários e que já tem ideias para faturar no futuro.
Netic

Fundadora: Melisa Tokmak, CEO
Principais investidores: Founders Fund, Greylock
Capital captado: US$ 43 milhões (R$ 218,44 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 450 milhões (R$ 2,286 bilhões)
Pouco depois de Melisa Tokmak e seu marido comprarem uma casa em Mill Valley, na Califórnia, receberam uma conta de energia elétrica de vários milhares de dólares. Isso desencadeou uma busca frenética para descobrir a causa. Seria o aquecimento? O isolamento? A fiação?
A maioria das empresas nem sequer atendia ao telefone. Outras esqueciam o nome ou o endereço do casal. Mesmo quando conseguiam marcar uma visita, eles precisavam ficar esperando, enquanto a conta de luz continuava aumentando, sem saber se alguém realmente apareceria. No fim, descobriram que o problema estava no sistema de aquecimento.
A experiência levou Tokmak, que emigrou da Turquia depois de receber uma bolsa integral para estudar em Stanford, a deixar o cargo de diretora de engenharia da Scale AI e fundar a Netic. Seu objetivo era levar inteligência artificial para empresas de serviços técnicos, como encanamento, aquecimento, ventilação e ar-condicionado.
Agora, quando um cliente telefona, envia uma mensagem ou entra em contato para relatar um problema, o sistema de agentes da Netic consegue diagnosticar a falha, orientar a pessoa sobre possíveis soluções ou agendar a visita de um profissional e cuidar dos acompanhamentos posteriores.
Ossium Health

Fundadores: Kevin Caldwell, CEO, e Erik Woods
Principais investidores: CPMG, First Round Capital, General Catalyst, Vivo Capital
Capital captado: US$ 158 milhões (R$ 802,64 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 300 milhões (R$ 1,524 bilhão)
Há dez anos, Kevin Caldwell, ex-consultor da McKinsey, teve uma ideia que parecia absurda: montar um banco de medula óssea congelada de doadores falecidos.
Embora corações e pulmões precisem ser transplantados poucas horas após a morte do doador, o mesmo não acontece com a medula. Caldwell, hoje com 39 anos, acreditava que isso permitiria a pacientes com cânceres sanguíneos potencialmente fatais receber tratamento praticamente sob demanda.
“Há todos esses pacientes com cânceres graves, que colocam a vida em risco, e que não têm nenhum outro doador disponível”, afirma.
Caldwell lançou a companhia ao lado de Erik Woods, de 53 anos, especialista em criopreservação — um termo sofisticado para congelamento — e cofundador da General Biotechnology. A dupla começou, então, a convencer organizações sem fins lucrativos responsáveis por doações de órgãos a enviar as colunas vertebrais de doadores falecidos.
Atualmente, a Ossium, sediada em São Francisco, administra em Indiana o primeiro banco de medula óssea do mundo. Até agora, seu material foi utilizado com sucesso em 28 transplantes. Entre os casos mais recentes está o primeiro paciente pediátrico da empresa, um adolescente de 14 anos.
Outtake

Fundador: Alex Arjun Dhillon, CEO
Principais investidores: CRV, ICONIQ Growth
Capital captado: US$ 60 milhões (R$ 304,8 milhões)
Avaliação de mercado: mais de US$ 375 milhões (R$ 1,905 bilhão)
Ex-funcionário da Palantir, Dhillon conta que teve a ideia de criar a Outtake quando um youtuber pediu sua ajuda para encontrar deepfakes usados em golpes.
Com o crescimento acelerado das fraudes impulsionadas por inteligência artificial, ele pensou: “Todo mundo vai precisar disso”.
Dhillon deixou o emprego e começou a ampliar uma tecnologia que analisa tanto o conteúdo quanto o contexto para determinar se algo é legítimo. Em seguida, o sistema atribui uma pontuação que indica a probabilidade de o material ser falso. Entre os clientes estão OpenAI e Panera Bread.
Pace

Fundador: Jamie Cuffe, CEO
Principais investidores: Sequoia Capital, Thrive Capital
Capital captado: US$ 55 milhões (R$ 279,4 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 375 milhões (R$ 1,905 bilhão)
A maior parte dos prejuízos provocados por eventos climáticos extremos não tinha cobertura de seguros no ano passado. Isso não ocorreu apenas porque as seguradoras evitam assumir riscos relacionados ao clima devido ao custo elevado, como no caso dos incêndios florestais na Califórnia.
Uma razão importante é a demora excessiva na análise das indenizações, especialmente em locais muito atingidos, com grande volume de pedidos e danos mais severos. No passado, era necessário montar centrais de atendimento humanas e treinar funcionários adicionais.
Filho de um executivo do setor de seguros, Cuffe fundou a Pace em 2024 para reduzir essas ineficiências e acelerar o processo. Seus agentes já cuidam de tarefas que vão do recebimento de solicitações e renovações ao atendimento e à análise de sinistros para clientes como a Prudential Financial.
Rillet

Fundadores: Nicolas Kopp, CEO, e Stelios Modes
Principais investidores: Andreessen Horowitz, Creandum, First Round Capital, ICONIQ, Sequoia Capital
Capital captado: US$ 110 milhões (R$ 558,8 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões)
Com os softwares contábeis tradicionais, as empresas muitas vezes precisam esperar dias ou até semanas após o encerramento de um período de divulgação para que contadores conciliem os dados e, somente então, consigam avaliar por completo sua situação financeira.
Sediada em São Francisco, a Rillet utiliza agentes de IA para acelerar o fechamento contábil e busca fornecer informações financeiras em tempo real aos líderes empresariais.
O cofundador e CEO Nicolas Kopp diz ter concebido a empresa depois de se frustrar com a necessidade de tomar decisões usando informações limitadas, quando ajudava a construir uma startup bancária alemã.
Roadrunner

Joubin Mirzadegan é fundador e CEO Roadrunner
Fundadores: Joubin Mirzadegan, CEO, Ajay Natarajan e Eugene Shao
Principais investidores: Founders Fund, Kleiner Perkins
Capital captado: US$ 27 milhões (R$ 137,16 milhões)
Avaliação de mercado: US$ 200 milhões (R$ 1,016 bilhão)
Sediada em São Francisco, a Roadrunner foi lançada em 2025 com um objetivo simples: poupar as equipes de vendas do trabalho tedioso de calcular preços para propostas comerciais.
Agora, um vendedor pode digitar as necessidades do cliente, como produtos, quantidades, opções de entrega e descontos disponíveis. O sistema de múltiplos agentes da Roadrunner prepara uma cotação em poucos minutos.
Incubada pela empresa de venture capital Kleiner Perkins, a startup é liderada por Joubin Mirzadegan, que, além de CEO, atua como sócio da Kleiner e é criador e apresentador do popular podcast Grit.
Ajay Natarajan, diretor de produtos da companhia, ingressou no Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, aos 16 anos. Ao mesmo tempo, trabalhou como engenheiro na Nasa, onde desenvolveu um software que atualmente ajuda a orientar o veículo explorador de Marte.
Sua startup anterior, a Athena, uma plataforma de IA que ajudava estudantes do ensino médio a melhorar suas candidaturas a universidades, foi adquirida no ano passado.
Valthos

Fundadoras: Kathleen McMahon, CEO, e Tess van Stekelenburg
Principais investidores: Founders Fund, Lux Capital, OpenAI
Capital captado: US$ 30 milhões (R$ 152,4 milhões)
Avaliação de mercado: mais de US$ 200 milhões (R$ 1,016 bilhão)
Especialistas que fazem previsões sobre inteligência artificial adoram imaginar cenários apocalípticos. A Valthos, que pretende identificar e neutralizar ameaças biológicas agravadas pela IA — como infecções virais ou contaminação de reservas de água potável —, trabalha para impedir que eles se concretizem.
A proposta é utilizar modelos de inteligência artificial para caracterizar agentes patogênicos. Assim, quando uma mutação é detectada, seja ela natural ou produzida artificialmente, a Valthos consegue elaborar um dossiê sobre a ameaça e ajudar especialistas a implementar medidas de contenção.
A companhia foi idealizada por Kathleen McMahon, que anteriormente comandou a divisão de ciências da vida da Palantir, e Tess van Stekelenburg, sócia da empresa de venture capital Lux Capital.
A Valthos saiu do modo discreto em outubro, depois de captar US$ 30 milhões (R$ 152,4 milhões) com investidores como Founders Fund, Lux Capital e OpenAI. Clientes de peso, entre eles o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e o Laboratório Nacional de Los Alamos, já contrataram seus serviços.
“Nenhuma utopia para a saúde humana existirá se também não garantirmos que essas ferramentas não sejam usadas de maneira maliciosa”, afirma McMahon. “Temos uma responsabilidade enorme.”
*Matéria originalmente publicada por Forbes.com
Editores: Richard Nieva e Luisa Kroll
Editora-adjunta: Elisabeth Brier
Repórteres: Sofia Chierchio, Andrew Balaban, Tom Brewster, Amy Feldman, Chris Helman, Alan Ohnsman, Rashi Shrivastava e Anna Tong
Operações editoriais: Justin Conklin e Francesca Walton
Diretora de criação: Alicia Hallett-Chan
Diretora de fotografia: Robyn Selman
Diretor de design: Fernando Capeto
Líder de design: Philip Smith
Design editorial: Yunjia Yuan e Macy Sinreich
Pesquisa fotográfica: Gail Toivanen e Amanda Whitlock
Vídeo: Lauren Rivera, Kirsten Taggart, Ivan Clow, Adisa Duke e Chad McClymonds
Controle de qualidade: Kristine Karapetyan
Engenharia: Ken Barney
Produto: Dmitri Slavinsky