A Vale (VALE3) aprovou nesta sexta-feira (31) a distribuição de R$ 2,030721898 por ação a seus acionistas, uma combinação de juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos que soma cerca de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 8,6 bilhões. O anúncio saiu junto com o balanço do segundo trimestre e reforça a política de remuneração da mineradora num cenário mais desafiador para o setor: entre abril e junho, o lucro líquido caiu 35% na comparação anual, para US$ 1,375 bilhão.
Ainda assim o Ebitda ajustado, medida da geração de caixa das operações, cresceu 9%, para US$ 3,676 bilhões.
Do total por papel, R$ 1,568705805 serão pagos como JCP e R$ 0,462016093 como dividendos. A distinção importa para o bolso do investidor: os dividendos são isentos de Imposto de Renda, enquanto o JCP sofre retenção de 15% na fonte, exceto para acionistas imunes ou isentos.
Na prática, quem tem mil ações da Vale receberá cerca de R$ 2.030 brutos nesta rodada, antes dos descontos. Sobre a cotação de R$ 75,98 do fechamento de quinta-feira (30), o valor equivale a um retorno (dividend yield) de aproximadamente 2,7% em uma única distribuição.
Terão direito ao pagamento os investidores posicionados em VALE3 até o fim do pregão de 11 de agosto; a partir de 12 de agosto, os papéis passam a ser negociados “ex-direitos”, ou seja, quem comprar depois não recebe os proventos desta rodada. O crédito na B3 ocorre em 2 de setembro. Para os detentores de ADRs, a data de corte é 13 de agosto, com pagamento em 10 de setembro, via banco depositário.
Nova recompra de até 100 milhões de ações
Na mesma reunião, o Conselho de Administração aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações ordinárias, incluindo os respectivos ADRs – cerca de 2,3% dos papéis em circulação. Recomprar ações reduz a quantidade em mercado e tende a elevar indicadores como o lucro por ação, além de sinalizar que a gestão considera os papéis atrativos no preço atual.
O programa terá validade de 18 meses, com início em 19 de agosto de 2026 e término em 29 de janeiro de 2028, logo após o encerramento do plano anterior. Iniciado em fevereiro de 2025, esse programa vigente recomprou cerca de 14 milhões de ações até aqui. As aquisições serão feitas a preços de mercado e financiadas por reservas de lucros, recursos que a companhia já tem em caixa. A Vale afirma que a recompra não compromete o pagamento de dívidas nem a distribuição de dividendos.
A empresa ressalva que o valor por ação dos proventos pode sofrer pequeno ajuste até a data de corte, justamente por causa da recompra em curso, que pode aumentar o número de papéis em tesouraria. Se isso acontecer, um novo aviso será divulgado. O conjunto foi bem recebido e na quinta-feira (30), VALE3 subiu 1,24%, a R$ 75,98.