Nesta quinta-feira (27), o Ibovespa encerrou o pregão no campo positivo pelo sétimo dia consecutivo, em uma sessão marcada pela recuperação do índice durante a tarde. O avanço das ações da Petrobras e o desempenho favorável de Wall Street deram sustentação à bolsa brasileira, apesar da cautela dos investidores no mercado doméstico.
O índice avançou 0,31%, aos 175.135,41 pontos. Ao longo do dia, o índice chegou à máxima de 175.557,63 pontos e tocou 173.660,79 pontos na mínima. O volume financeiro negociado somou R$ 23,07 bilhões.
O ambiente externo ajudou a dar fôlego aos ativos brasileiros. Em Wall Street, os principais índices terminaram o dia em alta, refletindo a recepção positiva dos investidores ao balanço e às perspectivas apresentadas pela Nvidia. O S&P 500 avançou0,72%na sessão.
O fluxo estrangeiro também trouxe algum suporte para o mercado local. Dados atualizados da B3 mostram que investidores de fora do país colocaramR$ 1,37 bilhãona bolsa brasileira em 25 de agosto, no terceiro pregão consecutivo de entrada líquida de recursos.
A sequência recente, contudo, ainda não foi suficiente para reverter as retiradas acumuladas no mês. Em agosto, o saldo de capital estrangeiro permanece negativo em cerca deR$ 20 bilhões.
Já a moeda americana encerrou o pregão em leve alta frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana diante de outras divisas de países emergentes no exterior. No mercado doméstico, a sessão foi marcada por oscilações contidas e por dois leilões de câmbio realizados pelo Banco Central.
O dólar à vista avançou 0,21%, cotado a R$ 5,1641 no fechamento. Apesar da valorização desta quinta-feira, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 5,92% no ano.
Pregão
Para analistas do Itaú BBA, a recuperação dos últimos pregões afastou, ao menos por enquanto, parte da pressão observada no início do mês. “O Ibovespa conseguiu sair da tendência de baixa e criou a impressão de que a perda do suporte no começo de agosto ‘foi apenas um susto'”, afirmaram os analistas no relatório Diário do Grafista, divulgado nesta quinta-feira.
A avaliação, porém, ainda é de cautela. Segundo o banco, o índice permanece distante de confirmar uma retomada consistente da trajetória positiva observada pela última vez em maio. “Apesar disso, o índice ainda está longe de vencer a batalha e voltar para um cenário positivo, visto pela última vez em maio”, acrescentaram.
Na análise técnica, o Itaú BBA considera que o Ibovespa atravessa um momento de indefinição. A principal resistência está na região dos180.700 pontos— patamar que precisaria ser superado para fortalecer uma perspectiva mais otimista. Em uma eventual correção, o suporte indicado pelos analistas está em164.800 pontos.
A leitura de um mercado ainda sem direção clara também é compartilhada por Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Segundo ela, o Ibovespa apresentou comportamento predominantemente lateral durante boa parte do pregão.
O movimento, afirmou, “evidencia a ausência de gatilhos fortes no noticiário doméstico e uma postura defensiva dos agentes financeiros, que evitaram assumir grandes posições de risco na ausência de novos dados econômicos ou direcionamentos que justificassem uma mudança de rota mais acentuada”.
Assim, apesar de acumularsete pregões consecutivos de valorização, o desempenho recente ainda não apagou as perdas registradas no início do mês. Em agosto, o Ibovespa acumulaqueda de 1,61%.