O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (13) pelo oitavo pregão seguido, com Hapvida capitaneando as perdas com tombo de 33% após resultado pior do que o esperado, em sessão marcada pela repercussão de nova bateria de resultados corporativos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,23%, a 167.100,95 pontos, após registrar 166.196,92 pontos na mínima e 168.515,49 pontos na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$29,3 bilhões.
A bolsa paulista continua fragilizada por preocupações sobre a política monetária restritiva no Brasil e o potencial efeito de desaceleração da atividade econômica, além de receios com a cena fiscal e de incertezas eleitorais e geopolíticas, que têm afastado os estrangeiros das ações brasileiras.
Apenas na terça-feira, quando o Ibovespa fechou em queda de 2,5% — no pior desempenho diário desde março — houve uma saída líquida de R$4,7 bilhões, ampliando o saldo negativo no mês para R$11,9 bilhões, conforme dados da B3 até o último dia 11, que excluem ofertas de ações (follow-ons e IPOs).
Tal movimento reduziu ainda mais o saldo de capital externo no ano, que, no entanto, segue positivo em R$24,5 bilhões. Em meados de abril, eram quase R$68 bilhões.
De acordo com o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, além do efeito dos estrangeiros, alguns resultados corporativos fracos também pressionaram o Ibovespa. “É a temporada de balanços com resultados abaixo das expectativas”, afirmou.
Em meio à agenda intensa na cena corporativa, a pauta macro mostrou que as vendas no varejo cresceram acima do esperado em junho, segundo pesquisa do IBGE, com alta de 0,45% em relação a maio e de 2,9% ante o mesmo período de 2025.
No exterior, o S&P 500 fechou em alta de 0,65%, marcando novo recorde, com dados moderados da inflação ao produtor reforçando expectativas de que o Federal Reserve não aumentará as taxas de juros em sua reunião de setembro.
Destaques
- HAPVIDA ON desabou 33,09% após registrar tombo de 95,8% no lucro do segundo trimestre ante igual intervalo de 2025. O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado somou R$504,4 milhões, queda de 44,3%. Analistas do Itaú BBA destacaram que a frustração no Ebitda e a reaceleração dos novos depósitos judiciais aumentam significativamente a dificuldade de avaliar um nível normalizado de rentabilidade daqui para frente.
- MINERVA ON caiu 7,6%, após o balanço do segundo trimestre da maior exportadora de carne bovina da América do Sul mostrar lucro líquido de R$197 milhões, queda de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas da XP avaliaram que a Minerva entregou um trimestre sólido, mas destacaram que a visibilidade para segundo semestre segue limitada e nível de endividamento “dificilmente” deve reduzir as preocupações no curto prazo.
- SABESP ON recuou 7,04%, após reportar lucro líquido de R$1,46 bilhão no segundo trimestre, resultado 31,4% abaixo do obtido um ano antes, mas praticamente dentro do esperado pelo mercado, em meio à corrida da companhia para concluir investimentos bilionários para atender metas de universalização de serviços no Estado de São Paulo até 2029.
- BANCO DO BRASIL ON caiu 4,16%, mesmo com lucro acima do esperado no segundo trimestre, que mostrou uma inadimplência ainda pressionada, principalmente nos segmentos agro e pessoa física. O BB reiterou suas previsões para o ano e afirmou que espera uma melhora relevante nas provisões do agronegócio apoiada principalmente pelo programa de renegociação. Mas dúvidas sobre o cumprimento do guidance pesaram.
- AZZAS 2154 ON perdeu 3,9%, após mostrar queda de 62,5% no lucro do segundo trimestre, enquanto a receita líquida recorrente caiu 8,2%. Analistas do BTG Pactual avaliaram que a empresa reportou mais um trimestre fraco em termos de receita, enquanto o Ebitda ficou ligeiramente abaixo da previsão do banco, com a melhora na margem bruta sendo mais do que compensada por uma significativa desalavancagem operacional.
- MRV&CO ON avançou 14,29%, tendo no radar lucro líquido ajustado de R$73,8 milhões no segundo trimestre, quando excluídos impairments dos ativos da Resia e outros ajustes. A companhia afirmou que as transações de venda de ativos já anunciadas devem reduzir a dívida líquida consolidada para cerca de R$4,6 bilhões, em comparação com a dívida de R$5,9 bilhões registrada no segundo trimestre.
- COGNA ON subiu 7,88%, na esteira do lucro líquido ajustado de R$210,2 milhões no segundo trimestre, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, com expansão de dois dígitos na receita consolidada, com destaque para o desempenho da operação de educação básica.
- REDE D’OR ON valorizou-se 6,31%, na esteira do balanço do segundo trimestre, com lucro líquido ajustado de R$1,3 bilhão no segundo trimestre de 2026, valor 8,5% superior ao visto no mesmo período do ano anterior. Analistas do Bank of America afirmaram que o grupo apresentou um resultado sólido, com o lucro bem acima das previsões do banco, restaurando a confiança dos investidores.
Dólar sobe pela quarta sessão seguida e acumula alta de 2% na semana
O dólar fechou mais uma vez em leve alta frente ao real, marcando a quarta elevação consecutiva da divisa em uma sessão em que novos dados no Brasil e no exterior não foram suficientes para direcionar fortemente a moeda norte-americana.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,23%, aos R$5,1896, acumulando avanço de 2,07% na semana. No ano, a moeda norte-americana ainda cai 5,45% ante o real.
Às 17h07, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,05% na B3, a R$5,2125 na venda.
Dados divulgados pelo governo dos EUA nesta quinta mostraram que os preços ao produtor nos EUA ficaram estáveis em julho, após uma queda de 0,1% em junho, segundo dado revisado. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,2% do índice, após recuo de 0,3% divulgado anteriormente em junho.
O dado contribuiu para nova queda nas apostas de uma elevação da taxa básica de juros do Federal Reserve em setembro, após índice de inflação ao consumidor divulgado na véspera já ter tido impacto semelhante ao vir em linha com o esperado.
Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — tinha variação positiva de 0,03%, a 99,974. A moeda norte-americana tinha variações mistas modestas contra pares emergentes do real no final da tarde, com o peso chileno caindo 0,09%, enquanto o peso mexicano subia 0,12%.
No cenário doméstico, o IBGE informou pela manhã que o varejo brasileiro encerrou o segundo trimestre com alta nas vendas maior do que o esperado em junho, de 0,5%, acelerando o ritmo em relação ao mês anterior.
O dia foi de nova queda do Ibovespa — a oitava seguida — em sessão marcada pela repercussão de nova bateria de resultados corporativos.
“O dólar sobe aqui no Brasil hoje por questões mais domésticas do que propriamente uma questão da moeda americana em relação ao restante do mundo”, disse o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri em nota, destacando um movimento de aversão ao risco impactado pelo cenário eleitoral e por uma temporada de balanços, segundo ele, com resultados abaixo das expectativas.
Petróleo fecha com queda de 2% diante de perspectivas de fraca demanda
O petróleo fechou em queda de mais de 2%, revertendo a tendência após uma semana de ganhos, à medida que os investidores se concentraram nos sinais de enfraquecimento da demanda global e no aumento acentuado dos estoques de petróleo nos EUA.
Os contratos futuros do Brent e do petróleo dos EUA reduziram as perdas após terem caído mais de 3,5% no início do pregão, na sequência de relatos de que os houthis do Iêmen haviam atacado uma refinaria da Saudi Aramco com drones, renovando as preocupações com interrupções no abastecimento em um mercado global já restrito.
Os futuros do Brent fecharam em queda de US$1,91, ou 2,15%, a US$87,07 por barril, após uma sequência de seis pregões de alta, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA fechou em queda de US$2,02, ou 2,4%, a US$81,25 por barril, após cinco pregões de alta.
Os investidores avaliaram os dados divulgados na quarta-feira pela Administração de Informação sobre Energia dos EUA (IEA), que mostraram que os estoques comerciais de petróleo dos EUA registraram seu maior aumento semanal desde janeiro de 2023, devido à queda nas exportações.
Os estoques de petróleo bruto aumentaram em 17,4 milhões de barris, para 424,4 milhões, na semana encerrada em 7 de agosto, o maior nível desde 5 de junho, informou a EIA.
A Opep reduziu sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo para 2026 para 580.000 barris por dia em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.
A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) também informou que espera uma contração de 1,6 milhão de bpd no consumo este ano, contra uma queda de 1 milhão de bpd prevista no mês passado, com a demanda reduzida pelos preços mais altos e pela oferta restrita devido à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os preços, no entanto, ficaram sob pressão após uma reportagem da agência de notícias Saba, do Iêmen, controlada pelos houthis, informar que o grupo militante atacou uma refinaria da Aramco em Jazan, na Arábia Saudita, com dois drones na quinta-feira.
A notícia dos ataques levou os spreads de diesel a um recorde histórico. De acordo com o site da Saudi Aramco, a refinaria de Jazan tem capacidade para produzir 250.000 bpd de diesel com teor ultrabaixo de enxofre.
Uma fonte militar houthi afirmou que o ataque foi uma resposta ao que o grupo descreveu como violações sauditas do espaço aéreo e da soberania do Iêmen nas províncias de Saada e Hajjah. A Arábia Saudita não se pronunciou imediatamente sobre a notícia.