A Oncoclínicas (ONCO3) concluiu a venda de sua participação na Specialized Medical Treatment Company, joint venture constituída na Arábia Saudita, pela cifra de US$ 6,55 milhões (R$ 33,3 milhões no câmbio atual). A informação consta em fato relevante divulgado pela companhia na quinta-feira (20) após o fechamento de mercado.
A Oncoclínicas, assim, se desfez de toda a sua fatia na Specialized Medical Treatment Company, que era de 45 milhões de ações, equivalentes a 27,49% do capital social da joint venture saudita.
A compradora é a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals.
O pagamento, referente a 100% do preço previsto no contrato de compra e venda de ações (Share Purchase Agreement), foi feito em duas parcelas, pagas em 10 e 20 de agosto deste ano.
Segundo o fato relevante, o dinheiro recebido com a venda está sendo usado na compra de medicamentos, conforme o Plano de Recuperação Extrajudicial da Oncoclínicas.
O plano foi protocolado em julho deste ano. O processo tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo.
O comunicado trata a conclusão da venda da fatia saudita como uma etapa da execução do plano de reestruturação financeira da companhia.
O tamanho da crise
Desde 2025, a companhia aprofundou severamente sua crise financeira, na esteira de uma perda de centenas de milhões com o Banco Master.
A empresa somava mais de R$ 1,5 bilhão em CDBs do Master, dinheiro que ficou temporariamente na instituição financeira, por cerca de 18 meses. O valor efetivamente perdido foi de R$ 430 milhões, por conta da liquidação do Master pelo Banco Central em 2025. Segundo a XP, a companhia já havia provisionado R$ 217 milhões e ficou com uma exposição contábil líquida de aproximadamente R$ 216 milhões.
O evento causou uma deterioração da liquidez da Oncoclínicas.
Além disso, o patamar de endividamento também preocupa, afora as últimas linhas dos balanços recentes.
No ano de 2025, o prejuízo líquido foi de R$ 3,67 bilhões, ante R$ 717,4 milhões registrados no ano anterior — ou seja, a perda anual mais do que quintuplicou.
O resultado mais recente, referente ao segundo trimestre de 2026, mostra prejuízo líquido de R$ 1,35 bilhão.
A dívida líquida total era de R$ 3,4 bilhões ao fim de junho, representando mais do que 7,8 vezes o EBITDA da empresa.
Os números mostram que a continuidade operacional da empresa pode estar em xeque.
Cotação de Oncoclínicas
Com a notícia da venda da joint venture, os papéis ONCO3 disparam 17% na bolsa de valores. No entanto, a alta ainda está longe de reverter as perdas amargadas.
Somente no acumulado deste ano, a Oncoclínicas derrete 44% na bolsa de valores. Em uma janela de 12 meses, são 56% de queda e, em cinco anos, a perda é de 90%. O valor de mercado atual é de R$ 1,46 bilhão.