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OSX, Controlada por Eike Batista, Avança em Recuperação Judicial Bilionária

OSX conseguiu apoio da maior parte dos credores para reestruturar R$ 7,5 bilhões, mas o plano ainda depende de decisão da Justiça

4 min

A OSX Brasil, companhia controlada por Eike Batista e atualmente sob gestão judicial, avançou em sua segunda recuperação judicial após conseguir o apoio da maior parte dos credores ao plano para reestruturar suas dívidas. Credores da companhia aprovaram por ampla maioria o novo plano para reorganizar passivo da ordem de R$ 7,5 bilhões,, durante assembleia realizada nesta segunda-feira, 24.

O resultado, porém, ainda não encerra o processo. Embora a proposta tenha recebido forte apoio entre os credores responsáveis pela maior parte das dívidas, a categoria de créditos trabalhistas rejeitou o plano. A recuperação ainda terá de passar pela análise da Justiça.

A OSX nasceu em 2007 para atuar na indústria offshore de petróleo e gás, com negócios de construção naval, afretamento de plataformas e serviços de operação e manutenção. A companhia chegou à Bolsa em 2010 e foi uma das principais empresas do grupo montado por Eike Batista durante o período de expansão de seus negócios.

A crise veio poucos anos depois. A partir de 2013, a OSX enfrentou cancelamentos de encomendas e contratos ao mesmo tempo em que a então OGX, principal cliente da companhia e outra empresa de Eike Batista, também entrou em dificuldades. A OSX pediu sua primeira recuperação judicial em novembro daquele ano.

O processo foi encerrado anos depois, mas os problemas financeiros continuaram. Em janeiro de 2024, o Grupo OSX voltou à Justiça e entrou com um segundo pedido de recuperação judicial.

Segundo fato relevante divulgado pela companhia, 82,61% dos participantes da classe que reúne os chamados credores quirografários votaram a favor da proposta. Esses são credores que não possuem uma garantia específica vinculada à dívida.

Considerando o valor dos créditos presentes na votação, o apoio nessa categoria chegou a 95,44%. Entre microempresas e empresas de pequeno porte, a aprovação foi de 100%.

Entre os credores trabalhistas, porém, houve apenas um voto, contrário ao plano. Nenhum credor dessa categoria votou a favor.

Como a OSX chegou até aqui

A empresa atual é bastante diferente daquela criada no auge dos negócios de Eike Batista.

Um dos principais projetos da OSX era a instalação de uma unidade de construção naval no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. O empreendimento fazia parte de um ecossistema que pretendia reunir petróleo, logística, infraestrutura e indústria naval em torno das empresas do empresário.

Com a crise do grupo, esse projeto perdeu força.

Hoje, parte importante da estratégia da OSX está ligada a uma área de aproximadamente 3,2 milhões de metros quadrados no complexo do Porto do Açu. A empresa busca gerar receitas por meio da ocupação e da locação desses espaços, enquanto outras atividades originalmente previstas para o grupo foram reduzidas ou deixaram de operar.

A segunda recuperação judicial ganhou força após uma nova deterioração da situação financeira da companhia. Em documentos divulgados ao mercado, a própria OSX já afirmou que sua capacidade de continuar operando dependia da aprovação de um novo plano de recuperação e da renegociação das condições de pagamento de suas dívidas.

No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, o Grupo OSX registrava passivo a descoberto de R$ 8,64 bilhões, além de prejuízo consolidado de R$ 238,5 milhões no período.

O processo também passou por problemas de governança. No fim de 2024, a Justiça determinou o afastamento dos administradores do Grupo OSX após questionamentos apresentados no processo, e a CVM abriu procedimento para analisar o caso.

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