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“Futuras Vendas ao Japão”: O Acordo de US$ 4,5 Milhões Para Explorar Terras Raras no Brasil

Empresa canadense Aclara e agência japonesa Jogmec formam joint venture para exploração de depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil

4 min

A Aclara Resources, companhia canadense de terras raras listada na Bolsa de Toronto, fechou um acordo que pode abrir uma rota de venda de minerais brasileiros ao Japão. A empresa anunciou nesta terça-feira (8) a formação de uma joint venture com a Japan Organization for Metals and Energy Security (Jogmec), agência do governo japonês criada para garantir o abastecimento de recursos considerados importantes para a indústria do país.

A Jogmec financiará até US$ 3 milhões em trabalhos de exploração de depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil durante três anos. Se determinadas condições forem cumpridas, o órgão poderá aportar mais US$ 1,5 milhão e prorrogar o período por um ano.

“O acordo também cria um caminho natural para futuras vendas ao Japão por meio dos direitos de preferência da Jogmec”, afirmou Ramón Barúa, CEO da Aclara, em comunicado.

Além de financiar a busca por depósitos, a Jogmec poderá adquirir 30% de um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil depois de cumprir os aportes previstos.

A organização japonesa também terá o direito de comprar uma parcela da produção equivalente à sua participação, acrescida de 10% da produção futura do empreendimento. Os contratos deverão ser firmados em condições comerciais de mercado. A Jogmec ainda poderá transferir sua participação e os direitos relacionados a uma empresa ou consórcio japonês.

Durante o período de exploração, a Aclara será responsável pela operação. Depois dessa etapa, os gastos adicionais serão divididos entre os sócios de acordo com a participação de cada um.

Quem é a Aclara

A Aclara desenvolve projetos de terras raras pesadas no Brasil e no Chile e busca montar uma cadeia que vai da extração do minério à produção de ligas destinadas a ímãs permanentes.

Esses ímãs são utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Elementos como disprósio e térbio são adicionados para aumentar a resistência dos componentes a temperaturas elevadas.

A companhia também desenvolve uma unidade de separação de terras raras nos Estados Unidos. Em outra frente, mantém uma joint venture com a chilena CAP para transformar os óxidos separados em metais e ligas usados na fabricação dos ímãs.

No Brasil, o principal ativo da Aclara é o Projeto Carina, em Nova Roma, no Estado de Goiás. O empreendimento ficará fora do acordo com a Jogmec e continuará integralmente controlado pela companhia.

Segundo projeções da própria Aclara, Carina exigirá investimento estimado em R$ 2,8 bilhões e poderá produzir, em média, 4.378 toneladas de óxidos de terras raras por ano. A empresa prevê o início das operações em 2028 e calcula uma vida útil de 18 anos para o projeto.

A joint venture com os japoneses terá como alvo outras áreas de exploração da companhia no país. A Aclara não informou qual projeto poderá ser escolhido pela Jogmec para a aquisição da participação de 30%.

Por que o Japão busca terras raras no Brasil

O interesse japonês ocorre em meio à tentativa de grandes economias de reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais usados por indústrias de alta tecnologia.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a China responde por cerca de 60% da extração mundial de terras raras empregadas na produção de ímãs. A participação chinesa supera 90% no refino e chega a quase 95% na fabricação dos ímãs permanentes.

A Jogmec atua justamente na procura de fornecedores alternativos. A agência oferece financiamento, garantias, apoio técnico e participação em projetos de mineração fora do Japão. Em contrapartida, procura assegurar o acesso de empresas japonesas à produção futura.

No caso da Aclara, o acordo foi precedido por uma avaliação técnica do portfólio brasileiro. Para Barúa, a entrada da organização japonesa representa uma validação independente da qualidade e do potencial dos ativos da companhia.

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