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Ibovespa Fecha em Queda após Fed Elevar Juro e Sinalizar Mais Aperto

Índice recuou 0,59% após o banco central americano elevar a taxa em 0,25 ponto percentual e abrir a porta para nova alta em 2026; Dólar fecha estável, cotado a R$ 5,15

7 min

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, renovando mínima da sessão à tarde, após o banco central dos Estados Unidos elevar a taxa básica de juros na maior economia do mundo e sinalizar mais uma alta neste ano. O índice recuou 0,59%, a 185.394,66 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 186.738,25 na máxima e 184.753,98 na mínima do dia. 

O volume financeiro somava R$26,5 bilhões antes dos ajustes finais, em pregão também marcado por vencimento de opções sobre o Ibovespa.

A bolsa paulista fechou com investidores na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com as apostas indicando redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. “A bolsa passou o dia refém da ‘superquarta’ e o pregão foi mais de posicionamento do que de convicção”, afirmou o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan.

Nos EUA, no meio da tarde, o Federal Reserve promoveu o primeiroaperto monetário desde 2023 ao elevar a taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, em decisão unânime.

Novas projeções também mostraram que 16 autoridades do Fed preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto até o final deste ano, enquanto duas estimam estabilidade.

Na entrevista à imprensa após o anúncio da decisão, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde junho, enquanto as tendências da inflação mostraram pouca melhora. “A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio”, afirmou.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou com declínio de 0,45%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 5,0205% no final do dia, de 4,996% na véspera.

De acordo com Trevisan, a alta de 0,25 ponto estava no preço e havia expectativa de uma sinalização de um ciclo mais longo de aperto. Mas o comunicado foi firme ao falar em acelerar o retorno da inflação à meta, ressaltou.

Ele destacou que a decisão ocorre no mesmo dia em que o Copom deve cortar a Selic, encolhendo o diferencial de juros entre os dois países. “Para o investidor estrangeiro, parte da vantagem de manter recursos em reais desaparece, justamente às vésperas de uma eleição decisiva e com o crédito corporativo sob estresse”, afirmou.

“Minha leitura é que o Copom perde espaço para acelerar o ciclo e deve seguir decidindo reunião a reunião, com muita cautela na comunicação”, acrescentou.

Para Trevisan, o que vai definir o pregão de quinta-feira na B3 não é o corte da Selic, e sim o comunicado. “Eu espero um Banco Central cauteloso, sem se comprometer com a continuidade do ciclo.”

Dados atualizados da B3 mostraram mais um dia com saída líquida das ações brasileiras. Até o dia 14, o saldo de capital externo estava positivo em R$7 bilhões em setembro. Na conta até o dia 11, eram R$7,3 bilhões.

Destaques

• PETROBRAS PN recuou 3,53% e PETROBRAS ON perdeu 4,27%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em baixa de 2,69%, a US$105,83, pressionando também outras petrolíferas na B3.

• BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 3,04%, ganhando fôlego na segunda etapa do pregão, em dia misto para o setor no Ibovespa. ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,12%, BRADESCO PN encerrou com variação positiva de 0,05% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,96%. NUBANK, que é listado nos EUA, recuou 2,68%, com relatório do Itaú BBA cortando a recomendação das ações de “outperform” para “market perform”.

• VALE ON caiu 2,14%, em pregão de oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,14%.

• MAGAZINE LUIZA ON avançou 6,64%, em sessão positiva também para ações de outros varejistas, com ASSAÍ ON subindo 4,66% e LOJAS RENNER ON valorizando-se 3,14%, endossadas pelo alívio nas taxas dos DIs com prazos mais longos e expectativa de novo alívio monetário no Brasil.

• BRASKEM PNA, que não faz parte do Ibovespa, desabou 15,17%, após analistas do UBS BB cortarem a recomendação das ações para venda, reduzindo o preço-alvo de R$10,50 para R$3,75. Os analistas afirmaram que continuam sem enxergar uma saída fácil para o cenário atual da companhia. O jornal Valor Econômico também reportou que a petroquímica enviou aos credores termos mais detalhados para sua reestruturação financeira e incorporou a previsão de deságio (“haircut”) na dívida.

Dólar fica estável

O mercado de câmbio no Brasil teve mais uma sessão de volatilidade limitada nesta quarta-feira, com o dólar encerrando o dia muito próximo da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana ganhou força após o Federal Reserve subir juros e sinalizar a possibilidade de novos aumentos.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,05%, a R$ 5,1519. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,14%. Às 17h02, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,08% na B3, aos R$ 5,1675.

No início do dia o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,2% em julho ante junho, conforme a série com ajuste sazonal.

O resultado, pior que a retração 0,1% projetada por economistas consultados pela Reuters, juntou-se a uma série de números mais recentes que sugerem perda de força da atividade econômica — o que favorece novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%.

Após marcar a menor cotação do dia, de R$5,1368 (-0,34%), às 12h47, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1670 (+0,25%) às 16h19, já após a decisão do Fed. A moeda norte-americana, porém, oscilou em margens estreitas e encerrou o dia próxima da estabilidade, com o noticiário eleitoral no Brasil permeando os negócios.

Em algumas pesquisas recentes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, mas numericamente à frente em algumas simulações de segundo turno.

Já o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou na terça-feira a decisão final sobre juntar ou não, para análise do plenário, dois casos envolvendo ministros: o de possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o de abuso de poder e improbidade por parte do ministro André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e paralisou o julgamento.

Para parte do mercado, a crise do STF — que colocou Moraes na berlinda — tem sido mais favorável a Flávio que a Lula. Flávio tem a preferência da Faria Lima, que vê Lula como um empecilho para o ajuste fiscal.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro. Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,58%, a 100,260.

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