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Irã Diz Que Anunciará Nova Zona Restrita no Golfo Pérsico

A área começará no ponto onde tem início o bloqueio dos EUA ao Irã e avançará por regiões do Golfo

6 min

O Irã afirmou que anunciará, nos próximos dias, uma nova zona restrita no Golfo. O país também pretende divulgar mapas de um novo corredor de navegação pelo Estreito de Ormuz. O anúncio ocorre após uma nova troca de ataques contra navios no fim de semana, que pressionou os preços do petróleo nesta segunda-feira.

A área restrita começará no ponto onde tem início o bloqueio dos Estados Unidos ao Irã e avançará por regiões do Golfo. A informação foi dada por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, em entrevista à TV estatal no domingo.

Poucos detalhes sobre o plano foram divulgados. Rezaei afirmou, porém, que qualquer embarcação que entrar na nova zona será incluída em uma lista de sanções.

O governo iraniano também deve aprovar em breve os mapas com as novas rotas de passagem pelo Estreito de Ormuz. A região é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo e permanece amplamente fechada ao tráfego de petroleiros.

“Os mapas de um novo corredor internacional, localizado em águas iranianas e omanis e cuja gestão caberá ao Irã, já foram acordados e devem ser assinados nos próximos dias”, afirmou Rezaei.

Segundo ele, Teerã condiciona a abertura do estreito a uma mudança na postura dos Estados Unidos.

“Só nos comprometeremos a manter o Estreito de Ormuz aberto quando eles [os norte-americanos] cessarem a sabotagem, as ameaças e os ataques contra o Irã”, disse.

Seis meses após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã desencadearem a guerra, o conflito permanece em um impasse. Um acordo preliminar de cessar-fogo alcançado em junho fracassou. Desde então, houve pouco avanço nas tentativas diplomáticas de retomar as negociações de paz.

Depois de uma pausa nas ações militares durante grande parte de agosto, os ataques voltaram a se intensificar. No sábado, forças americanas atingiram três petroleiros iranianos, segundo o Comando Central dos EUA. Um deles estava próximo à Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã.

A ofensiva ocorreu após ataques da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã contra navios de guerra americanos na região.

Teerã também demonstrou que mantém capacidade para atingir interesses dos EUA em países vizinhos e interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Antes do conflito, cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo passava pela região.

Nos últimos dez dias, uma média de dez navios de carga por dia atravessou o estreito, segundo dados de transporte marítimo divulgados nesta segunda-feira. É o menor volume desde maio.

A redução do tráfego ajudou a ampliar a alta do petróleo registrada na semana passada. O Brent avançou 0,8%, para mais de US$ 97 por barril.

Sanções e bloqueio petrolífero pressionam economia

O Irã afirmou que intensificará os esforços para enfrentar os efeitos das sanções dos Estados Unidos, que pressionam a economia do país.

A campanha americana busca restringir as exportações iranianas de petróleo e combater mecanismos usados para contornar as sanções. A pressão está se tornando cada vez mais difícil de suportar, segundo três fontes iranianas de alto escalão.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou no domingo que os Estados Unidos deveriam entender que “as regras do jogo mudaram” antes que seja tarde demais.

“A partir de agora, qualquer ataque contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais contundente e mais dolorosa”, afirmou, em discurso publicado em seu canal no Telegram.

Qalibaf disse ainda que a disputa não ocorre apenas no campo militar. Segundo ele, uma das principais batalhas do país está agora na economia, especialmente na produção e nas condições de vida da população.

O presidente do Parlamento citou as fortes oscilações cambiais, a inflação, o desemprego e a gestão do mercado entre os principais desafios. Segundo ele, os iranianos podem suportar dificuldades, mas não a má gestão ou a inércia. Por isso, esperam uma resposta rápida do governo.

O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, afirmou que Teerã pretende enfrentar a pressão americana por meio de reformas. Ele também rejeitou a possibilidade de as sanções levarem o país a mudar de rumo, segundo a mídia estatal.

“Eles falam de pressão econômica e isolamento, de romper laços financeiros, e acham que, ao pressionar a economia de um país, podem mudar as decisões de seu povo”, afirmou Madanizadeh.

“Preciso esclarecer um ponto: a responsabilidade pela reforma da economia do Irã é do governo e do povo iraniano, não do Departamento do Tesouro dos EUA.”

Irã diz que Ilha de Kharg foi atingida 550 vezes nos últimos meses

O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Antes da guerra, cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo bruto passavam pela Ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país.

Os fluxos foram interrompidos desde o início do bloqueio americano às exportações de petróleo iraniano, em meados de abril.

O Comando Central dos EUA informou no X que, até domingo, havia redirecionado 92 embarcações comerciais, imobilizado três e abordado outras duas. Segundo o comando, as operações buscam garantir o cumprimento do bloqueio.

Em 31 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que mostrava a Ilha de Kharg sendo “reduzida a pedacinhos”. Autoridades iranianas prometeram uma resposta contundente caso a ilha seja atacada.

Em entrevista exibida pela TV estatal no domingo, o ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, afirmou que Kharg foi atingida cerca de 550 vezes nos últimos meses. Apesar dos ataques, segundo ele, a ilha continua em operação.

As restrições impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz também elevaram os preços dos combustíveis. O movimento aumenta a pressão política sobre Trump às vésperas das eleições de novembro, quando estará em disputa o controle do Congresso americano.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou, porém, que o petróleo continua passando pela região.

“Nosso tráfego pelo estreito está em média acima de nove milhões de barris por dia agora e, com os oleodutos que contornam o estreito, provavelmente estamos em dois terços ou mais dos fluxos anteriores ao conflito”, disse à CNN.

Segundo Wright, apesar das dificuldades impostas pelo Irã, os Estados Unidos estão conseguindo manter parte relevante do fluxo energético.

“Os iranianos ainda estão causando problemas, mas a Marinha dos Estados Unidos está vencendo essa batalha”, afirmou.

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