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PIB: o Que Esperar da Economia Brasileira até o Fim do Ano, segundo especialistas

O recuo do consumo das famílias escancara o efeito dos juros altos

4 min

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 ante os três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais, informou o IBGE nesta terça-feira (1).

O número superou levemente a mediana do mercado, que projetava alta de 0,4%, mas representou menos da metade do avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre, confirmando a perda de fôlego da economia. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB subiu 2,0%; no semestre e no acumulado de quatro trimestres, a alta foi de 1,9%. Em valores correntes, a economia movimentou R$ 3,4 trilhões no período.

O crescimento foi sustentado pelos setores menos sensíveis ao ciclo econômico, a agropecuária, que avançou 2,8% na margem, e a indústria extrativa, que subiu 3,4% puxada pela produção de petróleo e gás, enquanto os componentes mais expostos aos juros altos perderam tração. A indústria como um todo variou apenas 0,1% na passagem trimestral e os serviços, 0,2%.

“Embora o resultado cheio tenha vindo em linha com nossa projeção, a composição foi qualitativamente mais fraca”, afirma Leonardo Costa, economista do ASA, instituição financeira fundada por Alberto Safra. “Os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico, especialmente consumo das famílias, indústria de transformação e construção, continuam perdendo dinamismo, enquanto agropecuária e extrativa seguem sustentando parte relevante do crescimento.”

Do lado que puxou a economia para cima, o agronegócio foi decisivo. “A surpresa positiva se deve principalmente à agropecuária, que teve um excelente desempenho e variou quase 3% na passagem de um trimestre para o outro”, diz Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval.

Ricciardi observa que, descontados o agro e a extração mineral, os itens mais sensíveis à política monetária desaceleraram de forma mais intensa do que o previsto, como no caso dos serviços, que saíram de uma alta anual de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo.

Os elementos dentro da panela de pressão

O consumo das famílias, principal motor da economia, recuou 0,4% na comparação trimestral — mesmo com o desemprego em mínimas históricas e a massa salarial ainda em expansão. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos investimentos, cresceu 1,2% e foi o principal vetor positivo da demanda interna, seguida pelo consumo do governo (0,4%).

“A retração do consumo das famílias é particularmente relevante nesse diagnóstico, uma vez que ocorre mesmo diante de uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos”, avalia Yihao Lin, economista da Genial Investimentos. Para ele, o movimento sugere que os efeitos da política monetária contracionista, do elevado comprometimento de renda e das condições ainda restritivas de crédito começam a se sobrepor, ainda que parcialmente, aos vetores de sustentação da demanda.

A leitura é compartilhada por Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “O qualitativo veio um pouco pior do que o headline sugere, com uma moderação mais intensa do que o esperado no consumo das famílias, enquanto a formação bruta veio um pouco acima e compensou o número cheio”, detalhou.

Expectativa é de mais desaceleração

Ao que os economistas indicam, os próximos trimestres terão diagnóstico de continuidade da desaceleração. “Apesar das surpresas positivas tanto na variação trimestral quanto na anual, vemos a tendência de moderação da atividade intacta e esperamos que o PIB apresente variações modestas nos próximos dois trimestres, com os consumidores ainda muito restritos pelas condições financeiras adversas”, afirma André Valério, economista sênior do Inter, que pondera ainda que a agropecuária tende a deixar de contribuir positivamente após o pico sazonal da colheita. ASA, Genial e Daycoval projetam expansão em torno de 0,2% no terceiro trimestre.

No campo da política monetária, a leitura predominante é de que os dados reforçam o espaço para a continuidade do afrouxamento. A Genial mantém a expectativa de corte de 0,25 ponto na Selic na reunião de setembro, embora pondere que os passos seguintes do Banco Central seguem condicionados à inflação, à atividade e aos desdobramentos do cenário eleitoral e geopolítico.

Para 2026, Inter, ASA e Daycoval projetam crescimento de 1,8%, o ASA revisou o número de 2,0% após a divulgação, enquanto Genial e SulAmérica trabalham com 1,9%. A mediana do boletim Focus para o PIB do ano recuou a 1,92%, ante 1,95% na semana anterior. O Banco Central projeta alta de 2,0% e o Ministério da Fazenda, 2,3%.

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