O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE nesta terça-feira (01). O resultado ficou dentro do intervalo projetado pelo mercado, que trabalhava com uma alta entre 0,3% e 0,5%, e confirma a perda de fôlego da economia depois do avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre.
Na comparação com igual período de 2025, a expansão foi de 2,0%. No semestre e no acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, o PIB subiu 1,9%. Em valores correntes, a economia movimentou R$ 3.425,7 bilhões no trimestre.
Pela ótica da produção, a agropecuária foi o destaque, com crescimento de 6,8% ante o segundo trimestre de 2025. O desempenho é explicado pela pecuária e, sobretudo, pelo ganho de produtividade em lavouras relevantes no período: a soja avançou 5,3% e o café, 15,1%, o que mais do que compensou o recuo de arroz (-11,3%), algodão (-6,7%) e a estabilidade do milho (0,0%).
A indústria cresceu 1,5%, impulsionada pelas indústrias extrativas, que saltaram 12,0% na esteira da maior extração de petróleo e gás. A construção subiu 1,0%. Os serviços também avançaram 1,5%, em alta disseminada por todos os segmentos, com liderança de informação e comunicação (8,4%), seguida por atividades imobiliárias (2,2%), transporte, armazenagem e correio (1,2%) e comércio (0,9%).
Do outro lado, dois segmentos industriais pressionaram o resultado: a indústria de transformação recuou 0,9% e a atividade de eletricidade e gás, água e esgoto caiu 0,5%.
Efeito da Selic
O pano de fundo da desaceleração é o aperto monetário. Com a Selic em patamar elevado, a transmissão dos juros altos para a base da economia se intensifica, esfriando a demanda doméstica em um ambiente de endividamento elevado das famílias e inadimplência em alta, que reduzem a disposição para consumo e crédito.
O quadro se reflete nas expectativas para o fechamento de 2026. A mediana do boletim Focus para o crescimento do PIB no ano recuou para 1,92%, ante 1,95% na semana anterior e 1,99% um mês antes, indicando revisões sucessivas para baixo. O Banco Central projeta alta de 2,0%, enquanto o Ministério da Fazenda mantém estimativa mais otimista, de 2,3%.