O superávit primário da Argentina foi 53% maior em termos reais em setembro do que no mesmo mês do ano passado. Apesar da melhora nas contas públicas, o país ainda precisa obter dólares para financiar suas obrigações, segundo análise do BTG Pactual.
No acumulado de 12 meses até setembro, o superávit primário chegou a 1,35% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,16% até junho. O banco projeta que o indicador ficará acima de 1,3% do PIB no fim de 2026. Para o resultado fiscal total, que inclui o pagamento de juros da dívida, a estimativa é de superávit entre 0,1% e 0,2% do PIB.
O desempenho de setembro foi favorecido pelo aumento das receitas e pela redução de despesas primárias. As receitas totais cresceram 2,4% em termos reais na comparação anual, enquanto os gastos primários caíram 0,8%. A arrecadação de impostos avançou 2,9% no período, de acordo com o relatório.
Na análise do BTG, cortes em subsídios ao transporte, investimentos públicos e alguns programas sociais ajudaram a compensar o aumento de despesas com aposentadorias, subsídios à energia e transferências a províncias. As aposentadorias corresponderam a 43,6% dos gastos totais nos 12 meses até setembro.
A queda anual dos gastos primários não se repetiu na comparação mensal. Com ajuste sazonal, as despesas aumentaram em setembro ante agosto e atingiram o maior nível do terceiro trimestre, segundo o BTG.
Para os analistas do banco, a melhora fiscal é positiva, mas não basta para resolver a necessidade de financiamento em moeda estrangeira. O relatório avalia que a Argentina não deve emitir títulos no mercado internacional diante da turbulência financeira e registra o cancelamento de colocações de dívida em dólares no mercado local.
O acúmulo de reservas pelo Banco Central é apontado como um avanço. Ainda assim, na avaliação do BTG, a emissão de dívida continua pendente no plano de financiamento argentino.
A análise foi elaborada pelos economistas Andres Borenstein e Sofia Ordonez, da equipe do BTG Pactual na Argentina.