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China Cresce 4,5%, Mas um Problema Ameaça o Motor de Sua Economia

Exportações em alta compensam o consumo fraco, enquanto o setor imobiliário segue em crise; produção industrial avançou 5,5% em setembro

4 min

O crescimento econômico da China acelerou no terceiro trimestre, após atingir o menor ritmo em três anos. As exportações em alta compensaram a cautela dos consumidores, mas analistas alertam que a dependência de fatores externos agrava os desequilíbrios da economia.

O avanço de 4,5% superou as previsões do consenso. Analistas esperam que Pequim alcance a meta de crescimento para 2026, de 4,5% a 5%, sem novos estímulos. A avaliação considera o início forte do ano e medidas recentes de apoio fiscal e monetário, ainda que modestas.

Dados divulgados nesta segunda-feira mostraram que as vendas no varejo voltaram a crescer menos que a produção industrial. O mercado imobiliário também continua em recessão e corroeu uma parcela significativa da riqueza das famílias nos últimos cinco anos.

Somados aos indicadores divulgados na semana passada, que apontaram inflação ao consumidor moderada e alta de mais de um terço nas exportações, os números mostram uma economia cada vez mais influente nos mercados globais, mas com dificuldades para gerar prosperidade dentro do próprio país.

A demanda interna fraca levou a empresa de Zhang Chao, fabricante de faróis para motocicletas, a praticamente abandonar as vendas na China e concentrar esforços nos mercados de exportação. Neste ano, os pedidos nesses mercados dobraram.

“É muito competitivo e não há lucro”, disse Zhang, que gerencia as operações da empresa no Sudeste Asiático, ao se referir à China. “A barreira à entrada é um pouco menor no exterior.”

O consumo fraco intensificou as guerras de preços e levou empresas a cortar custos, inclusive na folha de pagamento.

A União Europeia e a China concordaram em limitar as exportações de carros híbridos para o bloco. Bruxelas, porém, planeja novas restrições. Dados divulgados na semana passada mostraram que os superávits comerciais da China com a Alemanha e a França cresceram mais de 200% em setembro, na comparação anual.

“Os números de crescimento deste ano destacam um desafio de reequilíbrio mais profundo no médio prazo”, afirmaram analistas do ANZ em uma nota sobre os dados divulgados na segunda-feira.

“O aumento das tensões comerciais, as medidas protecionistas e os atritos geopolíticos representam riscos significativos para o crescimento futuro”, disseram. Eles acrescentaram que “a economia está exposta a mudanças no ambiente externo em uma extensão maior do que os formuladores de políticas gostariam”.

O iuan se valorizou nesta segunda-feira e atingiu o nível mais alto desde julho de 2022.

Tsunami de exportações

A China caminha para superar o superávit comercial de US$ 1,2 trilhão registrado no ano passado, apesar das crescentes tensões globais.

As exportações avançaram em diversas áreas, de carne de frango e produtos de beleza a carros elétricos e casas pré-fabricadas.

Algumas fabricantes que transferiram a produção para o exterior estão retornando à China, já que as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses estão agora mais próximas das aplicadas a concorrentes como o Vietnã.

“A manufatura de alta tecnologia, a produção de chips, os veículos movidos a energia renovável e os valores das remessas de exportação refletem uma modernização industrial competitiva que é real e está se acelerando”, disse Andy Ji, analista da ITC Markets.

“No entanto, a composição do crescimento continua profundamente desequilibrada. O crescimento é impulsionado pelas exportações e pelo Estado. A demanda interna ainda não é autossustentável, e o setor imobiliário não mostra sinais de estabilização.”

A produção industrial da China cresceu 5,5% em setembro.

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