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Dívida Pública Ainda Subiria até 2029 Mesmo com Ajuste Fiscal, Projeta Genial

Economista da gestora diz que uma regra fiscal crível pode reduzir os juros antes da implementação completa do ajuste; cenário prevê recuo gradual da dívida a partir de 2030

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A dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central. A relação aumentou 4,2 pontos percentuais no acumulado de 2026 até aquele mês. Os juros nominais foram o principal fator de pressão.

A Genial Investimentos projeta duas trajetórias para o endividamento do país. Mesmo no cenário de ajuste fiscal que considera crível, a dívida subiria nos primeiros anos. Atingiria 89,5% do PIB em 2029 e começaria a recuar em 2030. Em 2036, ficaria em 86%, ainda acima do nível registrado em agosto.

Na hipótese de ajuste lento e sem uma âncora fiscal capaz de sustentar a confiança, a dívida seguiria avançando. Chegaria a 107,2% do PIB em 2036.

“Você tem uma mudança de paradigma da trajetória da dívida nos próximos anos”, afirma Yihao Lin, economista da Genial, à Forbes Brasil. Para ele, o principal fator por trás da estabilização projetada é a credibilidade fiscal e seu efeito sobre as expectativas do mercado.

“A credibilidade acaba sendo a principal variável por trás de todo esse processo”, diz Lin. Na avaliação do economista, uma nova regra fiscal considerada confiável poderia aliviar as condições financeiras antes mesmo de o ajuste produzir todo o efeito esperado nas contas públicas.

“Isso já alivia em muito o cenário”, afirma. O relatório considera medidas que poderiam melhorar o resultado primário em até 1,5 ponto percentual do PIB em relação à hipótese de ajuste lento. Para Lin, a sinalização de uma trajetória fiscal consistente poderia reduzir os juros futuros e, com isso, o custo de financiamento da dívida.

Regra ligada à dívida

A Genial simula uma regra que vincularia o crescimento real das despesas ao nível de endividamento. A proposta criaria, segundo Lin, um incentivo para o Executivo estabilizar a dívida ou mantê-la abaixo de determinado patamar, de modo a recuperar espaço para ampliar os gastos.

O economista também vê na regra uma referência para a sociedade acompanhar as contas públicas. Com um parâmetro claro, diz, a população poderá cobrar o governo uma execução fiscal mais austera. Os parâmetros usados pela Genial são preliminares e ilustrativos, sujeitos à formulação final e à negociação no Congresso.

Lin cita o antigo teto de gastos como exemplo de como uma regra crível pode influenciar o mercado. Apesar das críticas ao modelo, ele afirma que a simplicidade da regra e a perspectiva de convergência da dívida ajudaram a melhorar a reação dos investidores. A queda dos juros futuros, por sua vez, reduziu o custo do serviço da dívida.

Crescimento também pesa na conta

A trajetória da dívida depende ainda da relação entre os juros e o crescimento do PIB. Na simulação da Genial, o ajuste fiscal crível teria um custo inicial para a atividade: o PIB cresceria 1% em 2027, ante 1,3% no cenário de ajuste lento.

No longo prazo, porém, a projeção é de crescimento de 2,5% no cenário crível, contra 2,1% na alternativa gradual. A casa também estima que a Selic chegaria a 7,5% em 2030 na primeira hipótese. No cenário lento, ficaria em 10% no longo prazo.

A melhora do resultado primário reduziria a necessidade de financiamento do governo. Juros menores diminuiriam o custo da dívida, enquanto um PIB maior ajudaria a reduzir a relação entre endividamento e tamanho da economia. Ainda assim, a Genial projeta que a dívida só começaria a cair depois de 2029.

Lin alerta que um ajuste fiscal sem credibilidade poderia não trazer o alívio esperado. Mesmo que o resultado primário melhorasse entre 1 e 1,5 ponto percentual do PIB, juros futuros elevados manteriam alto o gasto com o serviço da dívida. “Sem a credibilidade […] a gente não vai ter alívio nas taxas futuras de juros”, afirma.

As projeções são simulações, não previsões certas. A Genial ressalta que o ajuste depende da aprovação e da execução das medidas, além das condições macroeconômicas. Para Lin, o fator que pode favorecer ou comprometer a trajetória projetada é a credibilidade fiscal.

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