A SpaceX fechou um acordo para adquirir da Grain Management, empresa de investimentos especializada em infraestrutura de comunicação, um portfólio de licenças de espectro de baixa frequência. A operação prepara a entrada da Starlink Mobile no mercado americano de telefonia móvel. Segundo o Wall Street Journal, o negócio está avaliado em cerca de US$ 8 bilhões (R$ 40 bilhões). O acordo ainda depende da aprovação definitiva da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês).
Os principais fatos
A SpaceX anunciou o acordo para adquirir um portfólio nacional de licenças de espectro de baixa frequência, que inclui até 14 megahertz de espectro pareado na faixa de 800 MHz.
Segundo a empresa, essas frequências preenchem uma das principais lacunas técnicas que ainda impediam a Starlink Mobile de se tornar uma operadora de telefonia móvel nos Estados Unidos.
A operação depende da aprovação definitiva da FCC, a autoridade federal responsável pelas comunicações. Após a autorização, a Starlink Mobile pretende implementar uma arquitetura que combine sua constelação de satélites de comunicação móvel com uma infraestrutura terrestre.
O espectro global na faixa de 2 GHz fornecerá capacidade de transmissão nos Estados Unidos. Já a faixa de baixa frequência será usada para ampliar a cobertura: o sinal atravessa paredes e outros obstáculos, alcançando os dispositivos inclusive dentro de edifícios.
Segundo a SpaceX, a maioria dos celulares em circulação já é compatível com essa faixa de frequência, que atualmente é subutilizada.
A Starlink já oferece internet de banda larga a milhões de clientes nos Estados Unidos e em outros países. A SpaceX afirma que a Starlink Mobile será a primeira operadora a utilizar espectro de satélite e terrestre em uma única rede.
A previsão
O próprio Musk escreveu sobre o assunto na rede social X: “Vai parecer algo completamente insano”. Ainda assim, ele enxerga um caminho que poderia levar a SpaceX a valer mais do que a atual economia mundial.
Hoje, a empresa está avaliada em cerca de US$ 2,2 trilhões (R$ 11 trilhões), segundo as estimativas divulgadas. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial atingiu aproximadamente US$ 118 trilhões (R$ 590 trilhões) em 2025, de acordo com o Banco Mundial, mais de 50 vezes o valor de mercado atual da SpaceX.
Musk não explicou qual trajetória industrial e financeira poderia levar a empresa a alcançar uma avaliação dessa magnitude, nem estabeleceu um prazo para isso.
O contexto
Segundo a Forbes, Elon Musk tem um patrimônio de US$ 990,9 bilhões (R$ 4,95 trilhões). Em 12 de junho, ele havia se tornado a primeira pessoa do mundo a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) em patrimônio, após a abertura de capital da SpaceX, cujas ações começaram a ser negociadas com uma capitalização de mercado próxima de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões).
Musk detém 38% da empresa, incluindo opções de ações. Em fevereiro, a SpaceX adquiriu a xAI, em uma operação que avaliou o grupo resultante em US$ 1,25 trilhão (R$ 6,25 trilhões).
Enquanto isso, a Starlink já opera uma rede de internet de banda larga via satélite que atende milhões de clientes nos Estados Unidos e no restante do mundo. Para se tornar uma operadora de telefonia móvel, porém, faltavam frequências de baixa frequência.
A Starlink Mobile já dispõe de espectro global na faixa de 2 GHz, que fornece capacidade de transmissão nos Estados Unidos. Já a faixa de 800 MHz, contemplada pelas licenças da Grain Management, será utilizada para ampliar a cobertura, pois o sinal atravessa paredes e outros obstáculos e chega aos dispositivos mesmo dentro de edifícios.
Segundo a SpaceX, a maioria dos celulares em circulação já é compatível com essa faixa, atualmente subutilizada. Com a constelação de satélites Gen2, a empresa afirma que a Starlink Mobile será a primeira operadora a utilizar espectro de satélite e terrestre em uma única rede.
Repercussão no mercado
A notícia sobre o lançamento da Starlink Mobile teve impacto imediato nas ações das operadoras americanas de telefonia móvel. Os papéis da Verizon, da AT&T e da T-Mobile despencaram nas negociações após o fechamento do mercado (after hours).
Nas negociações do pré-mercado (pre-market), as ações da Verizon recuavam mais de 7,7%, as da AT&T caíam 6,9% e as da T-Mobile perdiam 7,6%.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes Itália.