O governo central registrou forte elevação de receitas em setembro e alcançou no mês um superávit primário de R$4,839 bilhões, com auxílio do imposto de exportação de petróleo e o cancelamento de precatórios pela Justiça, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira.
O resultado do mês veio ligeiramente acima do esperado pelo mercado e melhor do que o saldo negativo de R$14,379 bilhões observado no mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, fosse superavitário em R$4,650 bilhões no mês passado.
O desempenho do mês é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$204,947 bilhões, um aumento real de 13,6% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$200,108 bilhões, alta real mais modesta, de 2,4%.
Do lado das receitas, o resultado mensal foi impulsionado por uma elevação de R$7,3 bilhões em Imposto de Renda, 13,1% acima de setembro de 2025, de R$5,7 bilhões com exploração de recursos naturais, alta de 71,9%.
O Tesouro ainda apontou altas expressivas em rubricas classificadas como outras receitas administradas e não administradas pela Receita Federal.
De acordo com o secretário do Tesouro, Daniel Leal, parte relevante de um ganho adicional de R$5,2 bilhões diz respeito ao imposto de exportação do petróleo criado após a guerra no Oriente Médio, enquanto outros R$13 bilhões em precatórios cancelados pela Justiça voltaram aos cofres da União e ajudaram a turbinar o resultado.
Nas despesas, houve em setembro altas de R$9,9 bilhões em créditos extraordinários na comparação com o mesmo mês de 2025, de R$2,1 bilhões nos desembolsos de benefícios previdenciários e R$1,3 bilhão em complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
No sentido oposto, houve um recuo de R$8,4 bilhões nos desembolsos com despesas discricionárias.
No acumulado de janeiro a setembro, o governo central registrou um déficit primário de R$90,155 bilhões, contra déficit de R$100,267 bilhões no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o governo acumula um déficit de R$49,5 bilhões, ou 0,38% do PIB.
A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com tolerância de 0,25 ponto percentual, além de algumas despesas não contabilizadas.
O governo previu em setembro que fecharia o ano com um déficit de R$80,9 bilhões, saldo que iria a um déficit de R$13,6 bilhões após abatimento das exceções ao cálculo da meta fiscal. A projeção demandou um contingenciamento de verbas para que o resultado fiscal do ano vá a um déficit zero, piso da meta fiscal.
Na entrevista, Leal ressaltou que o governo discute medidas para melhoria das contas públicas, mas ponderou que caberá ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar as decisões finais e avaliar o momento de um eventual anúncio.
Reeleito no domingo para seu quarto mandato não consecutivo na Presidência, Lula tem sido pressionado por agentes de mercado e analistas econômicos a anunciar um plano de ajuste fiscal que permita conter o forte avanço da dívida pública do país e reduzir os juros.
Leal ecoou declaração de Durigan de que o governo deve propor medida para que possa buscar o centro da meta fiscal, aumentando o esforço de ajuste, e negou que esteja na mesa uma medida sobre cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos de investimento isentos.
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