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Ibovespa Acelera no Final do Pregão e Fecha Acima de 190 Mil Pontos

Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 5,81%

10 min

A bolsa de valores de São Paulo encerrou esta sexta-feira (02) em forte alta, avançando além dos 190 mil pontos, com os investidores ajustando posições antes do primeiro turno das eleições presidenciais no fim de semana.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,63%, a 192.114,55 pontos, após marcar 186.144,24 na mínima e 192.118,70 na máxima do dia.

O volume financeiro no pregão desta sexta-feira somou R$43,7 bilhões.

Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 5,81%.

Os ganhos do índice se deram após uma sessão volátil, marcada por ganhos expressivos pela manhã na abertura e desempenho negativo no início da tarde, enquanto os agentes digeriam o noticiário eleitoral doméstico e os últimos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

“Estamos vendo um reposicionamento dos investidores para segunda-feira. Estamos vendo montagem de posição, com investidores comprando opções para se posicionar para um boom do mercado na semana que vem, apostando na alta do Ibovespa”, disse o especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, Felipe Sant’Anna.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno da disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marcava 45%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca os dois candidatos em empate técnico.

Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters citaram que a menor diferença percentual entre os dois candidatos é avaliada como positiva para a candidatura de Flávio, candidato favorito do mercado.

“A expectativa é que, um resultado favorável a Flávio Bolsonaro, no domingo, indicando que a disputa segue em aberto, pode provocar uma alta expressiva do Ibovespa ao longo do mês de outubro”, disse Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos.

“A ideia é que há muita incerteza na mesa, mas que o mercado está se posicionando agora porque imagina que o custo de ficar fora de uma alta expressiva seja maior do que fazer uma aposta na eleição brasileira”, completou.

Também na noite de quinta-feira, Flávio desistiu de participar do debate dos presidenciáveis na TV Globo poucas horas antes do início e a emissora decidiu cancelar o evento, que já não contaria com a presença de Lula.

Enquanto isso, no exterior, as bolsas de Nova York fecharam em alta depois que dados sobre o mercado de trabalho dos EUA abaixo do esperado diminuíram as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve na reunião deste mês.

O número de empregos não agrícolas aumentou em 29 mil no mês passado, ficando bem abaixo da estimativa de 90 mil feita por economistas consultados pela Reuters. O S&P 500 fechou em alta de 0,73%.

Destaques

• VALE ON subiu 2,56%, sem a referência do mercado na China por feriado naquele país. No setor, CSN MINERAÇÃO ON subiu 1,22% e USIMINAS PNA avançou 5,5%, enquanto CSN ON ganhou 3%.

• PETROBRAS PN subiu 2,81% e PETROBRAS ON subiu 3,25%. A estatal anunciou nesta sexta-feira uma nova descoberta de petróleo em águas profundas no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

• ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 1,54%, BRADESCO PN subiu 3,64% e SANTANDER BRASIL UNIT avançou 0,68%, enquanto BANCO DO BRASIL ON teve alta de 3,04%.

• HAPVIDA ON saltou 11,91%, liderando os ganhos do Ibovespa, ainda na esteira da notícia publicada nesta semana pela Bloomberg de que a empresa contratou o Banco BTG Pactual e a XP para estudar uma operação de venda com arrendamento posterior envolvendo alguns de seus hospitais.

• WEG ON subiu 3,81%. Mais cedo, em evento da companhia com analistas e investidores, executivos da companhia de motores elétricos afirmaram que esperam uma retomada do crescimento neste semestre, em meio investimentos em capacidade produtiva.

Dólar

O dólar fechou a sexta-feira com variação modesta ante o real, influenciado por um lado pela queda da moeda norte-americana no exterior, após dados fracos do mercado de trabalho norte-americano, e por outro pela cautela que antecede o primeiro turno eleitoral no Brasil.

Investidores reagiram, na última sessão antes das eleições de domingo, à nova pesquisa do Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, e ao cancelamento do debate presidencial da TV Globo.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,13%, a R$5,2173. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,65% e, no ano, queda de 4,95%.

Às 17h05, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,34% na B3, aos R$5,2425.

Pela manhã, os EUA informaram que foram criados 29 mil postos de trabalho no país em setembro, bem menos que os 90 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Já a taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%.

Logo após os números, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, e os rendimentos dos Treasuries despencaram, em meio à percepção de que o resultado do relatório payroll reforça a possibilidade de manutenção de juros pelo Federal Reserve neste mês.

Às 10h01, já após o payroll, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1999 (-0,46%).

Mas o cenário mudou no Brasil ainda pela manhã, com o dólar se reaproximando da estabilidade em meio à disputa pelo Planalto.

Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que, além da falta de certeza sobre quem vencerá a disputa presidencial, o noticiário político da noite de quinta-feira foi desfavorável para o senador Flávio Bolsonaro (PL) — o preferido da Faria Lima.

O Datafolha informou na véspera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 45% de Flávio.

Os dois seguem tecnicamente empatados, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais, mas Lula aumentou sua vantagem numérica para 3 pontos. No levantamento anterior, o presidente tinha 47% e o senador somava 45%.

No cenário de primeiro turno, conforme o Datafolha, Lula tem 42% e Flávio soma 38%. Na terceira colocação está Augusto Cury (Avante), com 4%.

Flávio também desistiu na noite de quinta-feira de ir ao debate da TV Globo, que já não contaria com a presença de Lula. Na sequência, a própria emissora cancelou o debate. Enquanto Lula deu entrevista ao podcast Flow durante a noite, Flávio participou de uma live própria.

No mercado, Lula é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio — como a vantagem numérica de Lula no Datafolha — tendem a trazer um viés de alta para o dólar.

“Lula ganhou o debate sem participar. Foi péssima a estratégia do Flávio, que cancelou (a participação) pouco antes, e o Lula teve 1,5 milhão de audiência (ao vivo) no Flow”, destacou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, para quem a resistência do dólar em cair ante o real está ligada aos últimos acontecimentos da campanha.

“É a disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização, superando 2022. Então o mercado, que não gosta de incerteza e indefinição, fica sensível”, pontuou.

Na maior cotação do dia, às 12h08, o dólar à vista marcou R$5,2404 (+0,32%).

No restante da tarde, as cotações se movimentaram mais próximas da estabilidade, com os investidores à espera da votação no fim de semana.

No exterior, o dólar seguia em baixa ante boa parte das demais divisas. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 101,900.

Petróleo

Os futuros do petróleo encerraram em queda depois que os líderes europeus concordaram com o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de liberar reservas de diesel para reduzir os preços e diminuir as importações de combustível dos EUA.

O Brent fechou com queda de 0,06%, a US$102,25 o barril. O WTI encerrou com queda de US$1,76, ou 1,90%, a US$91,11 o barril.

Na semana, o Brent registrou alta de 0,11%, enquanto o WTI caiu 1,6%.

Os países da União Europeia concordaram com uma proposta francesa de liberar estoques adicionais de diesel, informou à Reuters uma fonte a par dos detalhes da discussão.

“A Europa acaba de concordar em liberar uma quantidade enorme de seu diesel, que está em estoque em grande volume”, escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.

Anteriormente, Trump havia dito que estava considerando proibir as exportações de diesel dos EUA.

“A Europa está se sentindo bastante vulnerável”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “A Europa seria uma das regiões que mais sofreria se impuséssemos uma proibição à exportação de diesel.”

Proposta francesa

Os governos da UE agiram após discutirem a proposta da França para que os países europeus liberassem 50 milhões de barris de diesel e para que os membros da Agência Internacional de Energia liberassem 50 milhões de barris de petróleo, disseram à Reuters três fontes a par das discussões.

De acordo com a proposta, a Europa liberaria parte dos volumes de diesel em um período de 20 dias, disseram duas das fontes.

O presidente francês, Emmanuel Macron, presidiu uma videoconferência com os líderes do G7 nesta sexta-feira, informou o Palácio do Eliseu. Não ficou claro imediatamente se os países do G7 haviam concordado com a proposta da França sobre os volumes de combustível a serem liberados.

“Isso destaca que a principal pressão no mercado de energia não é mais a disponibilidade de petróleo, com a recuperação dos fluxos do Oriente Médio, mas sim o abastecimento de produtos refinados, limitado pela redução da capacidade e da produção das refinarias no Oriente Médio e na Rússia”, disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.

John Kilduff, sócio da Again Capital, listou outras questões que estão moldando o mercado de petróleo.

“A troca de retórica entre os EUA e os iranianos”, disse Kilduff. “As eleições de meio de mandato. Que tipo de precipício isso representa para o presidente?”

“O que realmente está fazendo os iranianos voltarem a negociar é a pressão sobre sua economia”, acrescentou Kilduff.

Na quinta-feira, os preços fecharam em alta depois que a Reuters informou que as refinarias chinesas haviam suspendido as exportações de derivados de petróleo para outubro a fim de preservar os estoques domésticos. Também apoiando os preços, o Wall Street Journal informou que os EUA estavam enviando um terceiro porta-aviões e até 10 mil soldados a mais para o Oriente Médio, enquanto Trump avaliava retomar os ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato.

Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics, disse que uma nova liberação de estoques de petróleo “poderia ser suficiente para ajudar a levar o mercado geral de volta a um ligeiro superávit, caso a recente recuperação nos fluxos provenientes do Oriente Médio se mantenha”.

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