O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, rondando os 209 mil pontos no melhor momento, com bancos e B3 entre os principais suportes.
A bolsa paulista continua em clima de expectativa para o desfecho da eleição presidencial no país, com o segundo turno no domingo, enquanto investidores estrangeiros continuam fornecendo apoio para as ações brasileiras.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,57%, a 208.295,98 pontos, chegando a 208.941,57 na máxima e marcando 205.082,26 na mínima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$42,5 bilhões.
“Trade eleitoral”, resumiu o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, sobre o desempenho do Ibovespa.
Ele destacou que, embora as pesquisas ainda mostrem um cenário acirrado na disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Palácio do Planalto, o candidato do PL continua à frente.
Ações na B3 têm reagido positivamente a uma potencial troca em Brasília em razão de expectativas principalmente de melhora no cenário fiscal do país.
Apenas em outubro, impulsionado principalmente pelo resultado do primeiro turno da eleição, com Flávio à frente, a B3 registra um saldo de capital externo positivo de R$20,99 bilhões até o dia 16.
O exterior corroborou o avanço do Ibovespa, com o norte-americano S&P 500 fechando em alta de 0,28%, enquanto o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 5,1126% no final do dia, de 5,136% na véspera.
Destaques
AMERICANAS ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 15,58%, após a Justiça do Rio de Janeiro decretar o encerramento do processo de recuperação judicial da companhia.
BTG PACTUAL UNIT subiu 4,36%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa, que têm se mostrado sensíveis às expectativas eleitorais. BRADESCO PN, que reporta balanço no final da quinta-feira, avançou 2,89%, ITAÚ UNIBANCO PN valorizou-se 1,88%, BANCO DO BRASIL ON fechou com elevação de 1,04% e SANTANDER BRASIL UNIT apurou acréscimo de 1,26%. No radar do setor, fontes afirmaram à Reuters que o Banco Central prepara medidas para conter o crescente endividamento das famílias, incluindo ações para ampliar responsabilidades e exigir transparência por parte dos bancos, e analisa um modelo regulatório que limita o crédito autorizado por pessoa a depender do nível de renda.
B3 ON valorizou-se 5,38%, também refletindo o potencial efeito no mercado em razão das expectativas envolvendo o desfecho eleitoral. Dados recentes já têm mostrado melhora no volume negociado em renda variável, além de fluxo positivo de estrangeiros.
PETROBRAS PN avançou 0,36% e PETROBRAS ON subiu 0,48%. O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como o segundo maior fornecedor de petróleo bruto para a China nos primeiros nove meses de 2026, segundo dados alfandegários divulgados pelo país asiático nesta terça-feira. No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou a US$108,79, queda de 0,69%.
VALE ON recuou 1,39%, em linha com a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. A mineradora informou nesta terça-feira que apresentou um pedido à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII) para o registro de um programa de títulos de dívida “Panda Bonds” na China. O programa envolve títulos denominados em renminbi para o período de 2026 a 2028, com montante principal agregado de até RMB 10 bilhões. Os títulos emitidos no âmbito desse programa serão integral e incondicionalmente garantidos pela companhia.
MAGAZINE LUIZA ON disparou 14,79%, com o setor sensível a juros entre os destaques positivos em pregão com alívio na curva de juros brasileira. O amplo índice de consumo da B3 subiu 3,3%.
ÂNIMA EDUCAÇÃO ON, que não faz parte do Ibovespa, caiu 9,19%, após acordo da sua subsidiária de ensino de medicina Inspirali com o grupo de educação médica do Einstein para usar a marca do hospital em seus cursos a partir do próximo ano. O acordo de 20 anos envolve um pagamento fixo ao Einstein de R$150 milhões e pagamentos de 6% da receita líquida de novos alunos de medicina, entre outros detalhes.
JSL ON, que não faz parte do Ibovespa, subiu 6,83%, tendo ainda no radar prévia de resultados mostrando receita bruta de R$3,09 bilhões no terceiro trimestre, alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Dólar cai ante o real influenciado por exterior e eleição no Brasil
O dólar fechou em baixa ante o real, influenciado tanto pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior quanto pelo cenário eleitoral no Brasil, a cinco dias do segundo turno.
Em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros, o dólar à vista encerrou com queda de 0,58%, a R$5,0182%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,58%.
Às 17h02, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0280.
A moeda norte-americana operou em baixa durante boa parte do dia ante divisas como o iene, a libra, o euro e o franco suíço, com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também em queda no exterior.
Em relação às divisas de países emergentes, o dólar sustentou perdas ante o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, o que também trazia um viés de queda para as cotações no Brasil.
Esse movimento foi corroborado pelo noticiário político brasileiro, marcado na véspera pela divulgação de novas pesquisas eleitorais.
“Já está em boa parte precificado que Flávio vai ganhar, mas há espaço para valorização do real e diminuição de prêmios na curva (de juros futuros) se isso se confirmar”, comentou Jonathan Joo Young Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset.
Às 13h45, o dólar à vista atingiu a mínima intradia de R$5,0044 (-0,86%).
Por trás do movimento está a leitura de boa parte dos agentes de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Nesta terça-feira, na contramão da ideia de ajuste, Flávio prometeu restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.
O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes áreas conseguindo acessar o benefício, que se prolongou bem além do período emergencial.
“A gente não sabe como ele (Flávio) vai fazer corte de gastos. Ele mencionou que um dos principais pontos é recuperar a confiança e melhorar a questão fiscal do Brasil, mas a gente não tem clareza de como isso vai ser feito”, ponderou Lee, da Mirae Asset.
“Mesmo não tendo essa clareza, vimos o mercado reagindo totalmente otimista após o primeiro turno”, acrescentou.
Uma nova pesquisa eleitoral da Quaest está programada para a quarta-feira, enquanto um levantamento do Datafolha deve sair na quinta-feira.
No fim da manhã desta terça-feira, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.
Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,25%, a 101,710.
Brent cai enquanto presidente do Irã discute mediação com chefe do Exército do Paquistão
Os preços do petróleo fecharam em queda após atingirem a maior cotação em cinco meses nesta terça-feira, enquanto os operadores avaliavam um encontro entre o presidente iraniano e o chefe do Exército do Paquistão — um importante mediador entre os Estados Unidos e o Irã —, em contraste com os contínuos ataques houthis à infraestrutura saudita e relatos de ataques a embarcações no Golfo.
Os futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 0,69%, a US$108,79. No início do pregão, o contrato com vencimento mais próximo atingiu US$111,99, a maior cotação em cinco meses.
O contrato de novembro do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA, que venceu nesta terça-feira, fechou com queda de US$1,87, ou 1,8%, a US$101,79. Esse valor ficou abaixo da máxima do pregão, de US$110,48, a maior cotação desde abril para um contrato de vencimento próximo. O contrato de dezembro, mais ativo, fechou com queda de 72 centavos, a US$97,82 o barril.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discutiu os esforços de mediação e os desdobramentos regionais durante uma reunião com o chefe do Exército do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, em Teerã, informou a agência iraniana Nournews nesta terça-feira.
Os esforços de mediação do Paquistão resultaram em um acordo de paz provisório assinado em junho. Mas esse acordo rapidamente fracassou em meio a novos confrontos entre o Irã e os EUA semanas depois.
As negociações em Teerã ocorrem em um contexto de ataques contínuos por parte dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, que afirmaram na segunda-feira ter lançado vários ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares da Arábia Saudita, como uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e o aeroporto de Abha.
As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações dos houthis, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.
“Os preços do petróleo continuam bem sustentados… Isso sugere que o mercado está precificando um prêmio de risco significativo, dada a volatilidade da situação”, afirmaram analistas do ING em uma nota nesta terça-feira.
Pelo menos 18 embarcações teriam sido atacadas ao longo de duas semanas, o que mantém o prêmio de risco intacto, informou a empresa de rastreamento de navios Kpler em uma nota na segunda-feira.
Também na segunda-feira, um ataque houthi a um campo de treinamento das forças de segurança do governo na província de Shabwa, no Iêmen, matou 58 pessoas e feriu mais de 200.
A retomada dos ataques intensificou os temores quanto à estabilidade regional e ressaltou os riscos contínuos ao abastecimento de energia proveniente da região, mantendo os preços do petróleo acima de US$100 por barril.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em comunicado que está “comprometido em concluir a eliminação do regime iraniano” e conversou com o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o assunto no domingo.