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Ibovespa Fecha em Alta Moderada em Mais um Pregão Marcado por Pesquisas Eleitorais

Depois de uma semana instável, pós rali eleitoral, a bolsa do Brasil fechou a sexta-feira (16) em alta moderada. O Ibovespa subiu 0,54% a 205 mil pontos

8 min

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (16) em alta moderada, após novas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial mostrarem uma diminuição da distância entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,54%, a 205.430,33 pontos, após marcar 204.164,17 na mínima e 206.305,26 na máxima do dia. Na semana, o Ibovespa acumulou 4,11% de alta.

O volume financeiro no pregão desta sexta-feira somou R$43,39 bilhões antes dos ajustes finais.

Uma pesquisa do instituto MDA contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada nesta manhã mostrou Flávio com 46,8% das intenções de voto enquanto Lula soma 45,9%. A margem de erro de 2,2 pontos percentuais coloca os dois candidatos em empate técnico.

Os números confirmaram a tendência observada na pesquisa Datafolha publicada na noite de quinta-feira, que mostrou Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 45%, também indicando um empate técnico.

A possibilidade de vitória de Flávio é bem vista por parte do mercado já que, na leitura dos agentes, poderia elevar as chances de um maior controle das contas públicas – apesar do candidato e seus porta-vozes econômicos ainda não tenham apresentado propostas concretas de ajuste.

Nesse contexto, pesquisas eleitorais mostrando uma menor vantagem de Flávio Bolsonaro em relação ao presidente Lula levaram a ganhos menores ou até perdas ao longo da semana no Ibovespa.

“A nove dias da votação, a volatilidade deve continuar elevada, e o fluxo deve seguir condicionado a novas pesquisas”, disse Maria Carolina Luchesi, especialista de investimentos do Grupo Hike Capital.

Além das pesquisas, os agentes também irão monitorar a entrevista de Flávio Bolsonaro para o Jornal Nacional da TV Globo na noite desta sexta-feira, além do debate entre o senador e Lula na Band, no domingo.

Ainda no cenário doméstico, pela manhã, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,30% em agosto ante julho, na série com ajustes sazonais, em linha com o projetado por economistas em pesquisa da Reuters. Na comparação com agosto de 2025, houve alta de 1,2% na série sem ajustes.

No mercado internacional, as bolsas de Wall Street encerraram a sessão com forte queda, com a CoreWeave, a Broadcom e outras ações do setor de tecnologia relacionadas à IA sob pressão renovada, enquanto um salto nos preços do petróleo assustou os operadores a caminho do fim de semana. O S&P 500 caiu 1,10%.

Destaques

  • PETROBRAS PN subiu 4,04% e PETROBRAS ON avançou 3,53%, embalado pelos ganhos do petróleo Brent no exterior, que fechou em alta de 3,72%.
  • ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,54%, em uma sessão negativa para o setor, o que também impediu ganhos maiores do Ibovespa. BRADESCO PN perdeu 1,78% e BANCO DO BRASIL ON cedeu 0,55%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT caiu 0,28%.
  • VALE ON recuou 0,32%. O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian na China fechou o pregão diurno com alta de 0,07%, a US$100,57 por tonelada, mas registrou uma perda semanal de 1,5%.
  • MAGAZINE LUIZA ON subiu 6,93%, sendo a maior alta do Ibovespa. A empresa divulgou, na quinta-feira, que iniciou uma parceria com a Shopee para levar itens de seu estoque próprio ao marketplace digital.
  • PETRORIO ON subiu 2,56%, enquanto PETRORECONCAVO ganhou 2,21%, impulsionadas pelos ganhos do petróleo.
  • BRAVA ON ganhou 1,5%, tendo chegado a ser um dos destaques positivos do índice ao longo da sessão. Na véspera, a empresa anunciou que encontrou hidrocarbonetos em poço exploratório onshore.

Dólar tem leve baixa no dia, mas fecha semana com alta de 1,75% com eleição no foco

O dólar oscilou em margens estreitas e fechou a sessão com leve baixa no Brasil, influenciado por um lado pelas novas pesquisas eleitorais, mostrando empate técnico na disputa pela Presidência, e por outro pelo recuo da moeda norte-americana no exterior.

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,30%, a R$5,0730. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,75% e, no ano, recuo de 7,58%.

Às 17h04, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0895.

Enquanto as pesquisas trouxeram um viés de alta para as cotações, o cenário externo exerceu pressão contrária, em função da baixa da moeda norte-americana ante outras divisas na esteira da redução das apostas de nova alta de juros nos EUA este mês.

Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,27%, a 101,770.

Petróleo toca US$110 por barril pela primeira vez desde maio, devido a temores relacionados ao Oriente Médio e à Rússia

O Brent atingiu US$110 por barril pela primeira vez desde maio, diante de preocupações de que a escalada das tensões no Oriente Médio pudesse restringir ainda mais a oferta, enquanto os investidores avaliavam a quantidade de diesel que a Rússia poderia fornecer ao mercado global.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$3,94, ou 3,7%, a US$109,86, o maior valor desde 19 de maio, enquanto os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fecharam com alta de US$3,44, ou 3,5%, a US$101,41, o maior valor desde 17 de setembro.

Até o momento, nesta semana, o Brent subiu 4,9% e o WTI, 10,4%.

“O WTI e o Brent reverteram as perdas anteriores, à medida que ressurgiram os temores de escalada em meio a rumores de ataques à infraestrutura energética saudita”, afirmou a empresa de pesquisa e consultoria Energy Aspects em uma nota.

“Relatos israelenses sugerem que o Irã pode estar preparando um ataque preventivo após movimentos militares incomuns detectados pela inteligência ocidental. Embora não confirmados, esses desdobramentos reforçam nossa visão de que os riscos persistentes de escalada manterão os preços do petróleo em alta”, acrescentou a Energy Aspects.

Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção à cidade de Yanbu, no Mar Vermelho. O porto é fundamental para os esforços da Arábia Saudita de contornar o Estreito de Ormuz e manter o fluxo de petróleo para os mercados internacionais.

Relatos iniciais indicaram que não houve danos à infraestrutura de Yanbu, informou a consultoria Rapidan Energy Group.

As preocupações com o abastecimento também aumentaram à medida que os ataques na região do Estreito de Ormuz se intensificaram nos últimos 10 dias, com o Irã afirmando que estava intensificando os ataques em resposta ao bloqueio dos EUA aos seus portos e às sanções mais severas introduzidas no mês passado.

“A intensificação dos ataques iranianos levou a uma queda acentuada nos fluxos de petróleo do Golfo”, afirmaram analistas daKpler em um relatório naquinta-feira, acrescentando que esperavam uma recuperação mais lenta e irregular nos fluxos de Hormuz na ausência de um acordo político abrangente.

A Ucrânia atacou uma refinaria de petróleo russa naquinta-feira, depois que o presidente Volodymyr Zelenskiy declarou que Kiev estava abandonando o cessar-fogo que abrangia instalações de energia, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e criticou a disposição de Trump de fechar acordos com Moscou.

A refinaria de petróleo de Ryazan, na Rússia, suspendeu as operações em uma unidade de destilação primária de petróleo após um ataque comdrones na região naquinta-feira, informaram duas fontes do setor à Reuters.

“O conflito no Oriente Médio continua ressurgindo e acho questionável a quantidade de diesel que a Rússia pode realmente entregar aos mercados. Esses dois fatores continuam levando os operadores a comprar”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.

Para aumentar a oferta, a Agência Internacional de Energia concordou na quinta-feira em liberar mais de 20 milhões de barris de combustível para o mercado.

Os Estados Unidos também lançaram uma solicitação de propostas para uma troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país, informou o Departamento de Energia na sexta-feira.

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