O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (07) em queda, com o mercado local refletindo o ambiente negativo externo e realizando lucros depois do rali eleitoral após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,74%, a 204.302,33 pontos, após marcar 204.176,12 na mínima e 206.877,47 na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão desta quarta-feira somou R$57,2 bilhões antes dos ajustes finais.
A bolsa brasileira acompanhou a tendência das principais praças acionárias globais, que fecharam no campo negativo diante da alta dos preços do petróleo para mais de US$100 em meio a novas tensões no Oriente Médio. O S&P 500 encerrou o dia em queda de 0,22%.
Os agentes também avaliaram a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada em setembro, divulgada na tarde desta quarta-feira.
O documento mostrou que os formuladores de política monetária do Fed estavam divididos no mês passado quanto aos fundamentos para o aumento das taxas de juros, com “alguns participantes” considerando o aumento necessário para conter o impacto dos choques nos preços do petróleo e outros choques, enquanto um grupo via a medida como necessária para proteção contra a inflação impulsionada pela demanda.
Localmente, o destaque continuou sendo o cenário eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu apoio dos partidos Novo, União e PP para o segundo turno e participa de reunião da bancada do PL. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve reunião com jovens deputados eleitos e pode participar de encontro do diretório do PT.
O diretor de análises da ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, avalia que, para os próximos dias, a expectativa é de volatilidade elevada no mercado brasileiro, com o cenário político novamente no centro das atenções. Pesquisas eleitorais podem “provocar ajustes importantes nas posições construídas desde o primeiro turno, especialmente em dólar, juros e ações domésticas mais sensíveis à percepção fiscal”, afirmou.
“Depois da forte valorização recente, o mercado deverá exigir sinais mais concretos sobre alianças, propostas econômicas e capacidade de implementação de uma eventual agenda fiscal mais restritiva”, disse Praça.
Destaques
MAGAZINE LUIZA ON teve alta de 5,09%, liderando os ganhos do Ibovespa, em meio ao recuo das taxas curtas dos juros futuros.
PETROBRAS PN subiu 0,95% e PETROBRAS ON subiu 1,25%, enquanto, no exterior, com o petróleo tipo Brent fechou em queda de 1,30%.
ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,66%, BRADESCO PN recuou 3,68%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,01% e BTG PACTUAL teve queda de 2,52%, revertendo parte dos ganhos observados nas últimas duas sessões. BANCO DO BRASIL ON, que liderou as perdas na véspera, desvalorizou 1,87%.
VALE ON recuou 2,3%, sem a referência do mercado chinês. No setor, USIMINAS PNA teve queda 1,64%, enquanto GERDAU PN registrou perda de 1,25%.
PRIO ON avançou 0,9%, após a companhia arrematar blocos Magnetita e Hematita, ambos na Bacia de Campos, em leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
GPA ON subiu 4,15%. A 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial da companhia.
Dólar volta a superar R$5 sob influência do exterior
Após o forte rali do real visto depois do primeiro turno da eleição presidencial, o dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil e novamente acima dos R$5, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,0156, depois de ter atingido na véspera a menor cotação em quase 5 meses. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,62%.
Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,60% na B3, aos R$5,0365.
Nas duas sessões anteriores o dólar acumulou uma queda de 4,65%, refletindo o entusiasmo dos investidores com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.
Por trás do movimento está a percepção de boa parte do mercado de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
O fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa foi forte no dia seguinte à eleição, como destacou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine.
“O movimento reflete a percepção de que Flávio Bolsonaro teria maior disposição para enfrentar o desequilíbrio fiscal e implementar uma agenda econômica mais favorável ao mercado”, afirmou, acrescentando que a sustentação do movimento dependerá do detalhamento das propostas econômicas.
Passado o primeiro impacto eleitoral, nesta quarta-feira o dólar exibiu ganhos no Brasil, em sintonia com o sinal positivo da moeda norte-americana ante outras divisas emergentes no exterior, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Às 17h37, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,36%, a 102,280, em uma sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.
No fim da manhã o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.