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Ibovespa Tem Queda Discreta com Ajuste em Petrobras e Eleição em Foco

Os investidores estão concentrados nos resultados das pesquisas de intenção de voto, que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

8 min

O Ibovespa fechou com um declínio modesto nesta segunda-feira, pressionado principalmente pelo ajuste negativo na Petrobras, enquanto a reta final da eleição presidencial no país continua concentrando as atenções dos investidores.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,17%, a 205.079,25 pontos. Na máxima do dia, chegou a 207.387,56 pontos. No pior momento, marcou 204.268,99 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$31,99 bilhões.

Na visão de analistas do BB Investimentos, o Ibovespa parece ter encontrado um novo patamar de precificação em torno do qual deve oscilar ao longo desta semana, entre 204 e 207 mil pontos.

“A proximidade do segundo turno das eleições no Brasil deve manter o padrão de volatilidade elevado, fazendo com que esse intervalo de preços forneça suportes e resistências fracos, mesmo no curtíssimo prazo”, afirmaram em relatório a clientes.

Novas pesquisas eleitorais reforçaram nesta segunda-feira o cenário disputado para o segundo turno da eleição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

As pesquisas BTG/Nexus e Atlas/Bloomberg mostraram Flávio ainda numericamente à frente de Lula, mas a vantagem diminuiu, enquanto a PoderData/Aya mostrou o candidato do PL retomando a liderança na disputa.

A acomodação do Ibovespa desde a semana passada, quando acumulou declínio de 1,74%, vem após a reação bastante positiva na esteira do desfecho do primeiro turno, com melhor desempenho de Flávio, quando renovou recordes.

Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a semana deve ser de bastante cautela, sem grandes movimentos, se não houver alguma mudança de sinal muito grande nas pesquisas.

Perri também avalia que o investidor estrangeiro pode ficar um pouco mais cauteloso nos próximos dias, a menos que ocorra alguma sinalização que garanta chance de vitória de Flávio muito maior do que a que está precificada.

Dados da B3 têm mostrado forte entrada de capital externo nas ações brasileiras, com o saldo no mês positivo em R$18,75 bilhões até o dia 15.

No exterior, a semana começou com a norte-americano S&P 500 fechando o pregão com elevação de 0,41%.

Destaques

  • PETROBRAS PN fechou com declínio de 2,82%, em sessão de correção após renovar máximas históricas na última sexta-feira, quando a petrolífera de controle estatal também alcançou um valor de mercado de quase R$820 bilhões. Em 2026, mesmo com o declínio nesta segunda-feira, as preferenciais da companhia somam um valorização de 100%.
  • B3 ON avançou 1,76%, fornecendo um contrapeso relevante, com dados recentes mostrando melhora no volume negociado em renda variável, além de fluxo positivo de estrangeiros. Em outubro, o papel já acumula uma alta de quase 22,7%, enquanto o Ibovespa mostra ganho de 10%.
  • BTG PACTUAL UNIT subiu 2,02% e BANCO DO BRASIL ON fechou com elevação de 1,35%, em pregão misto no setor. BRADESCO PN, que divulga balanço na próxima quinta-feira, caiu 1,28%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,4% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 1,8%.
  • VALE ON subiu 0,23%, endossada pela alta dos futuros do minério de ferro na China, embora tenha reduzido o fôlego após avançar 2% no melhor momento da segunda-feira.
  • MBRF ON caiu 4,11% após o Ministério da Agricultura registrar um foco de Doença de Newcastle em uma criação de perus em Santa Catarina. De acordo com a ABPA, um acordo assinado com a China prevê que as exportações de carnes de aves brasileiras sejam suspensas no caso da ocorrência de Doença de Newcastle.
  • CAIXA SEGURIDADE ON perdeu 2,95% após rescisão do contrato de distribuição da controlada Too Seguros com o Banco Pan. O grupo segurador prevê um efeito positivo no seu lucro líquido de 2026 de cerca de R$210 milhões decorrente da multa pela rescisão via equivalência patrimonial.
  • AZZAS 2154 ON avançou 13,25%, recuperando-se após quatro quedas seguidas, enquanto investidores seguem especulando sobre os desdobramentos da reorganização societária, além de alternativas envolvendo a marca Farm Rio.

Dólar fecha em baixa com eleição no Brasil e exterior no foco

O dólar fechou em baixa ante o real, influenciado por um lado pela disputa eleitoral no Brasil e por outro pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,50%, a R$5,0476%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,04%.

Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,33% na B3, aos R$5,0630.

Na esteira das pesquisas, o dólar à vista atingiu a cotação mínima intradia de R$5,0403 (-0,64%) às 10h56, em um momento em que a moeda norte-americana também cedia ante outras divisas de países emergentes no exterior. Às 13h50, o dólar marcou a máxima de R$5,0672 (-0,11%), para depois voltar a exibir perdas maiores.

No exterior, às 17h11 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,18%, a 101,980. Por outro lado, o dólar cedia ante divisas de emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Petróleo Brent registra leve queda mesmo após ataques houthis à infraestrutura saudita

Os preços do petróleo apresentaram variações após ataques dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, a um campo de treinamento militar iemenita e novos ataques a instalações energéticas, aeroportuárias e militares da Arábia Saudita.

Os futuros do petróleo Brent fecharam com queda de 0,3%, a US$109,55 o barril, após terem caído mais de US$3 no início do pregão, quando os investidores realizaram lucros após a alta da semana passada, que levou os preços à maior cotação em cinco meses.

O West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$2,25, ou 2,2%, para US$103,66 por barril, o maior fechamento desde 15 de setembro. No entanto, o volume de negociações desse índice de referência foi relativamente baixo antes do vencimento, em 20 de outubro, do contrato do mês mais próximo.

A atividade de negociação concentrou-se no contrato de dezembro, mais líquido, com mais de 195.000 lotes negociados, em comparação com cerca de 26.000 lotes no contrato de novembro, que está vencendo. O contrato de dezembro fechou a US$98,54, com queda de 0,5%.

Os houthis do Iêmen afirmaram nesta segunda-feira ter realizado ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares da Arábia Saudita, incluindo uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e o aeroporto de Abha. As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.

Separadamente, um petroleiro pegou fogo e explodiu após colidir com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz no domingo, informou a Guarda Revolucionária do Irã, segundo a mídia iraniana.

O fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de sete dias de cerca de 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, ante mais de 20 milhões debpd na semana anterior, informou a empresa de análise Kpler, devido ao aumento das ameaças à navegação comercial. A Kpler registrou pelo menos 10 incidentes confirmados envolvendo embarcações comerciais durante a semana.

O analista da SEB, Bjarne Schieldrop, previu que os aumentos nos volumes de exportação pelo Estreito de Ormuz podem ser de curta duração, já que o Irã poderia intensificar os ataques antes das eleições intermediárias dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

O Egito afirmou estar pronto para apoiar a Arábia Saudita contra os houthis, embora o Parlamento egípcio tenha adiado para 26 de outubro uma votação que autorizaria as forças armadas a prestar assistência ao reino, caso solicitado.

Na manhã desta segunda-feira, 53 pessoas foram mortas em um ataque houthi e 200 ficaram feridas em um ataque a um campo de treinamento das forças de segurança do governo iemenita na província produtora de energia de Shabwa, na região costeira do centro-sul do Iêmen.

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